Os clubes de saúde são uma “moda” que veio para ficar?

Enquanto Empreendedor e Consultor na indústria da saúde e fitness, Pedro Miranda foca-se no acompanhamento e gestão de equipas e no desenvolvimento de projetos. Quer iniciar o seu próprio negócio? “Tudo se resume à personalidade, experiência e escolha pessoal”.

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Que conselhos dá às pessoas que querem iniciar um negócio próprio na indústria do fitness?

Neste negócio, tal como noutros, só serão bem-sucedidos aqueles que possuam bases sólidas e experiência na área. Assim, na minha opinião, os empresários que consideram abrir um negócio de fitness têm duas opções: fazê-lo por conta própria ou através de um modelo de franchising. Tomar esta decisão exige uma análise muito ponderada e cuidadosa e, para isso, é importante definir se pretendem ser independentes ou fazer parte de um franchising. Tudo se resume à personalidade, experiência e escolha pessoal. É necessário decidir se os sistemas e o suporte de um modelo de franchising justificam a liberdade empreendedora de ser proprietário de uma empresa independente. Como esta decisão nem sempre é a mais fácil, o que eu sugiro é que as pessoas adquiram alguma experiência do negócio e da forma como ele funciona. Para isto, o melhor é começarem por trabalhar em clubes bem estruturados e organizados, de forma a que possam aprender e perceber melhor todas as variáveis deste negócio. Depois, e caso continuem com dúvidas, há a opção de contratar alguém com conhecimento na área do fitness que lhes trará clareza, direção e o suporte necessários para que possam decidir o que melhor se adapta aos seus objetivos.

Para além de uma alimentação mais saudável, os portugueses estão cada vez mais adeptos da prática de atividade física regular. Os clubes de saúde são uma “moda” que veio para ficar?

Sim, sem dúvida! Apesar de ainda haver um longo caminho a percorrer, os clubes de saúde vieram para ficar. Cada vez mais, os clubes passarão a ser uma extensão da vida dos portugueses, pois, para além das questões de perda de peso e alimentação saudável, as pessoas já perceberam que o exercício físico regular as ajuda a melhorar o seu bem-estar geral e a sua saúde mental. Neste momento já temos clubes que olham para si enquanto um local de encontro, o que lhes permite construir pequenas comunidades com interesses comuns e, consequentemente, aumentar a lealdade das pessoas pelo clube, fomentando, assim, esta “moda” de boas práticas.

Qual é o futuro do mercado do fitness?

Com o aparecimento de grandes cadeias low cost os consumidores têm muitas e boas alternativas. Para além dos ginásios tradicionais, existem também boxes de cross fit, estúdios de fitness com especialidades, desde o yoga, ao pilates, boxe, etc. Para além disto, há várias empresas a apostar em programas de promoção de saúde no local de trabalho, recorrendo aos serviços de profissionais de fitness para a implementação destes programas. Depois temos, finalmente, alguns médicos e outros profissionais de saúde a recomendar a prática de exercício físico aos seus pacientes, reforçando a importância de serem mais ativos para melhorar a sua saúde e reduzir o risco de doenças.

Os praticantes de hoje procuram experiências de fitness cada vez mais personalizadas seguindo algumas tendências. Acredita que estas tendências podem beneficiar o negócio do fitness?

As tendências são uma das verdades por excelência da humanidade e uma das principais verdades do capitalismo. Tendências influenciam a forma como pensamos, o que queremos acreditar ou não, como agimos e como reagimos. Do ponto de vista comercial, as tendências dizem-nos para onde o mercado está a ir, o que os nossos concorrentes estão a fazer e o que os consumidores pretendem. Assim, caberá aos donos das empresas de fitness distinguir entre as tendências orientadas pela opinião, e as que são baseadas em dados, e, então, agir apropriadamente dentro do mercado.

Na minha opinião, ao nível das tendências, acredito que as tecnológicas irão transformar as experiências dos utilizadores, pois à medida que os consumidores obtêm maior controlo sobre os seus dados de saúde e condição física, sentir-se-ão mais fortalecidos. A exploração de várias tecnologias atualmente desenvolvidas para o fitness é uma das grandes oportunidades diferenciadoras para os clubes e para os proprietários que desejem obter alguma vantagem competitiva face à concorrência.

Qual é a maior ameaça para a indústria do fitness atualmente?

O sucesso de alguns operadores do mercado tem feito com que haja uma maior concorrência. Como em qualquer indústria, as pessoas “copiam” as boas práticas e tentam, desta forma, melhorar os seus serviços. Claro que copiar algo sem saber o que está por detrás de muitas ações trará, a médio prazo, problemas que poderão ser difíceis de resolver e até colocar a viabilidade das empresas em causa. É necessário que as empresas percebam que é fundamental definir o seu posicionamento no mercado, assim como as suas estratégias de comunicação e marketing, pois, como sabemos, as empresas que melhor comunicam são as que conseguem apresentar melhores resultados e, por conseguinte, ser bem-sucedidas. Por último, convém não esquecer a questão do mercado imobiliário que, da forma como se encontra, proporcionará dificuldades acrescidas na obtenção e aquisição dos lugares certos para a abertura de novas unidades e este sim será, para mim, o maior desafio que se avizinha para a indústria do fitness.

O seu trabalho é prestar serviços de consultoria e apoio estratégico na gestão. Que lacunas tem encontrado?

Como sabemos, para a construção de uma marca de sucesso é necessário uma equipa de gestão forte, um grupo de consultores de confiança e uma estra-tégia de marca clara e objetiva. Neste momento, em Portugal, há, ainda, muitos clubes/ginásios que não têm estas questões bem definidas e que precisam de ajuda para se adaptarem às novas realidades de mercado. Na minha atividade de consultoria presto um  apoio à gestão e aconselhamento profissional apoiando esses proprietários ou investidores a alcançarem o sucesso, auxiliando-os na tomada de decisões e na elaboração de um plano estratégico em termos de liderança e gestão das equipas a curto, médio e longo prazo, necessário para o crescimento dos seus negócios. A base da minha consultoria assenta na criação e implementação de Dasboards de Gestão (KPI’s), reports diários e acompanhamento das equipas, por forma a proporcionar melhores resultados, assim como uma maior eficácia e rentabilidade.