“A Atlântica quer dar uma excelente contribuição para a formação em aeronáutica”

A Revista Pontos de Vista foi conversar com Manuel Freitas, Presidente da Atlântica - Escola Universitária de Ciências Empresariais, Saúde, Tecnologias e Engenharia, que nos deu a conhecer um pouco mais desta instituição e como a mesma é um player importante no domínio da Indústria Aeronáutica em Portugal.

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A Atlântica, Escola Universitária de Ciências Empresariais, Saúde, Tecnologias e Engenharia, surge há 23 anos como um projeto inovador e com o objetivo concreto de fazer um ensino superior privado de elevada qualidade e excelência. Hoje, que papel assume a Escola no país e no setor do ensino e da formação?

A Atlântica é uma instituição universitária de ensino e investigação orientada para públicos diferenciados em vários momentos dos percursos vocacionais e profissionais, que atua segundo os princípios da excelência, da aprendizagem ao longo da vida e da integração entre os saberes humanistas, organizacionais, científicos e tecnológicos, procurando contribuir igualmente para a promoção e desenvolvimento da comunidade, em cooperação com entidades nacionais e internacionais de referência. Hoje, como ontem, como na sua criação em 1996, assume os mesmos referenciais de inovação e de qualidade no ensino e na formação. A aposta da Atlântica nas áreas de Ciências Empresarias, Tecnologias da Informação, Saúde e mais recentemente, desde 2015, na área da Engenharia, acentua o pendor tecnológico do nosso ensino e investigação aplicada em contacto com as entidades empresariais nacionais.

Em 2014 o grupo multinacional Carbures – fornecedor de componentes estruturais aeronáuticos para a Airbus e a Boeing – passou a ser o maior acionista da Atlântica – Escola Universitária de Ciências Empresariais, Saúde, Tecnologias e Engenharia. Este era, sem dúvida, o passo que a Atlântica queria e precisava de dar?

Em 2014, a Empresa Carbures adquiriu 87% do capital social da E.I.A. S.A., entidade instituidora da Atlântica, com o propósito de contribuir para uma alteração do ensino superior privado em Portugal, pelo fomento da ligação entre indústria-universidade-investigação. Esta parceria possibilitou a criação na Atlântica da área de engenharia, com a introdução de licenciaturas, mestrados e doutoramentos na área de engenharia de materiais, engenharia aeronáutica e do fabrico industrial. O objectivo foi a criação de um pólo tecnológico de desenvolvimento da área da engenharia de materiais e da engenharia aeronáutica – core business da Carbures – e da gestão industrial. Com esta nova actividade de ensino e investigação, a Atlântica, em parceria com a Carbures e a FIDAMC-AIRBUS, procura incrementar a ligação universidade-industria sem a qual Portugal não poderá responder com sucesso aos novos desenvolvimentos tecnológicos em curso.

Hoje, o core business da Atlântica é a engenharia aeronáutica, engenharia de materiais e todas as novas tecnologias associadas a esta indústria. Afirma que se criou, assim, uma universidade-empresa que ajudou o país a firmar a sua posição enquanto cluster global na área das engenharias. De que forma? Fale-nos um pouco mais sobre este conceito de “universidade-empresa”.

A interacção entre o ensino universitário e o tecido industrial está presente no ensino das engenharias na Atlântica desde o primeiro ano das licenciaturas. Os alunos beneficiam de um contacto com a entidade empresarial, Carbures e FIDAMC-AIRBUS, através de estágios, onde a experiência industrial destes parceiros com um elevado teor tecnológico e inovador, como é apanágio da área aeronautica, está a par com um ensino universitário de elevado teor tecnológico. Estes estágios decorrem ao longo da Licenciatura, constituindo uma mais valia para os futuros diplomados pela Atlântica.

A par da parceria industrial com a Carbures, a Atlântica estabeleceu também parceria com entidades nacionais com o objectivo de complementar a formação universitária dos seus colaboradores, nomeadamente com a Galucho, a Embraer e o ISQ, estando em vista outras colaborações. Este estreitar de relações entre o mundo académico e o mundo empresarial/industrial é urgente. Sabemos que o futuro, já presente, passa por inovação e desenvolvimento de tecnologias avançadas e as empresas terão que acompanhar esta nova “revolução industrial”. É este o nosso posicionamento.

Que dimensão e importância assume hoje a Indústria Aeronáutica em Portugal?

A indústria aeronáutica teve um crescimento excelente nos últimos anos em Portugal. Esta indústria está agrupada no AEDCluster, Aeronáutica, Espaço e Defesa, ao qual pertencemos, e o qual estima, para os próximos cinco anos, duplicar a contribuição dos três setores (aeronáutico, espaço e defesa) dos atuais 1,2% para 3% do PIB. O cluster representa cerca de 68 empresas, dá emprego a cerca de 18.500 pessoas, sendo que 87% da sua faturação é exportação (o mercado interno não tem expressão).

Nos últimos cinco anos, Portugal formou mais de 2.000 quadros técnicos e 300 engenheiros que estão a trabalhar neste cluster, mas a indústria aeronáutica, espacial e de defesa, estima que seja necessário formar mais 2.000 novos técnicos qualificados e mais 200 novos engenheiros nos próximos três anos. Concorda? Que outros fatores são igualmente cruciais para este setor?

Sim, a indústria nacional tem neste momento uma falta de engenheiros da área aeronáutica, essencialmente devido a apenas existirem três cursos de engenharia na área, mas também porque a nível europeu se verifica a mesma procura de engenheiros aeronáuticos o que leva muitos engenheiros a optar por ir trabalhar para a Europa, onde se verifica também um enorme crescimento da indústria aeronáutica. As previsões da AIRBUS para o crescimento de fabrico de aeronaves comerciais nos próximos 20 anos são de cerca de 35000 novos aviões, dos quais cerca de 25000 “singe aisle aircraft”, 8500 “twin-aisle aircraft” e 1500 “very large aircraft”. Este crescimento implica uma necessidade de formação de engenheiros para a concepção, fabrico e manutenção de aeronaves e para a qual Portugal tem de estar preparado, sendo a intenção da Atlântica dar uma excelente contribuição para esta formação.

Para além da necessidade destes profissionais, toda a área envolvente, como a aviação, necessita de maais profissionais, como pilotos e tripulantes de cabine. A Atlântica estabeleceu por isso uma parceria com a OMNI que viabiliza uma dupla titulação Engenheiro Aeronáutico e Piloto. Estabeleceu igualmente uma parceria com a Orbest para a formação de tripulantes de cabine. Foi com o objetivo de dar resposta às necessidades do mercado que a EIA, entidade instituidora da Atlântica, ajudou a criar a ESCC – European School for Cabin Crew. Também na área dos TMA’s – Técnicos de Manutenção Aeronáutica, cujos profissionais escasseiam em Portugal e no mundo mas cuja procura é elevadíssima, a Atlântica terá notícias muito em breve, tendo também vindo a celebrar protocolos com várias entidades.

Os objetivos estratégicos definidos passam, ainda, por duplicar o atual esforço de inovação no seio do cluster e tornar visível a nível internacional a marca ‘Portugal aeroespacial’. Que papel a Atlântica pretende assumir neste sentido?

A Atlântica pretende incrementar a formação em materiais e aeronáutica, e naturalmente inserir-se-á na área aeroespacial, sobretudo na área dos novos materiais, com uma importância fundamental em componentes para o espaço. Enquanto instituição universitária assume um papel crucial na qualificação superior e capacitação de jovens e adultos e na reconversão de profissionais para estas áreas, tão necessárias e cuja taxa de empregabilidade é muito elevada.

A investigação aplicada a esta indústria é também um dos objetivos estratégicos da Atlântica, prevendo-se o consolidar de sinergias, uma maior ligação às empresas do setor, candidaturas a financiamento europeu de projetos na área, o que será potenciado com os novos doutoramentos. A internacionalização é também um objetivo para o qual temos vindo a trabalhar desde há cerca de três anos. Naturalmente, pretende-se também que a Atlântica se evidencie no panorama nacional e internacional do ensino das Engenharias e ganhe a visibilidade e a notoriedade que merece.