Janssen é inovação em saúde

A Revista Pontos de Vista foi conversar com Manuel Salavessa, Diretor Médico da Janssen Portugal, que nos deu a conhecer um pouco mais da denominada Medicina de Precisão e das suas vantagens, sem esquecer que a marca tem sido um player fundamental na aposta em inovação no domínio da saúde.

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O medicamento certo para o paciente certo, na dose certa e com o efeito certo”. Para iniciarmos a nossa conversa e de forma a elucidar o leitor, o que é medicina de precisão?

É um objetivo que a Medicina há muito persegue e que graças à informação e à tecnologia disponíveis está hoje mais próximo.

Trata-se de uma abordagem customizada no tratamento e prevenção de doenças por oposição ao one-size-fits-all que atualmente impera.

A Janssen, enquanto companhia farmacêutica do grupo Johnson & Johnson – o maior grupo de cuidados de saúde do mundo – tem uma responsabilidade acrescida no setor e por isso tem procurado também responder a estes princípios da medicina de precisão: porque é que em duas pessoas com a mesma doença, numa resulta um determinado fármaco ou tratamento e noutra não? Porque é que apenas algumas pessoas desenvolvem efeitos secundários?

Com informação personalizada sobre a genética, com dados de vida real sobre o estilo de vida do doente, e o ambiente em que vive, será possível produzir, mas também prescrever com maior precisão – mais uma vez apoiados pelo machine learning e o big data – o tratamento a prestar a cada uma das pessoas de forma diferenciada. É um tremendo ganho de eficácia com um valor inquestionável para a saúde de cada um de nós. A medicina de precisão não se restringe à farmacologia mas é a este nível que irá evitar exposições excessivas à toxicidade e desperdícios. Ora, esses são ganhos de efetividade e eficiência que interessam a todos: doente, pagador e prestador.

A medicina de precisão está mais desenvolvida no ramo da oncologia, mas começam a surgir cada vez mais perspetivas da sua aplicação a outras doenças. Fale-nos um pouco mais sobre estes progressos.

Os avanços na medicina de precisão anteveem um ganho impressivo na prática clínica oncológica, mas que ainda estão por cumprir na sua plenitude. Obter benefícios maximizados com a menor exposição possível à toxicidade é o desejo de qualquer clínico. Hoje, felizmente, existem tratamentos oncológicos muito menos evasivos e daí ser tão importante o acesso à inovação terapêutica. Mas com o desenvolvimento da medicina de precisão – e também com a imunoterapia – serão obtidos ganhos adicionais que poderão fazer a diferença na vida de muitos doentes.

O screening genético permite determinar a suscetibilidade do indivíduo a cada cancro e estabelecer opções de tratamento mais ajustadas. No cancro da mama, pulmão ou coloretal esta é já uma realidade com enorme valor, que começa agora a chegar a outros cancros e outras patologias.

A Janssen Diagnostics Research & Development (R&D) combina a ciência de nível mundial e ideias inovadoras com rigorosos padrões de qualidade e alcance global para melhorar a vida das pessoas. Com os avanços da ciência e da tecnologia, que desafios enfrentam hoje os sistemas de saúde?

A inovação tem potenciado ganhos de saúde impressionantes e por essa razão deve ser estimulada. Na Europa temos hoje premissas de longevidade e saúde que ajudámos a erguer com o medicamento. A título de exemplo e segundo um estudo recente da McKinsey, lembro que desde 1990, os medicamentos inovadores evitaram em Portugal mais de 110 mil mortes e a esperança de vida foi prolongada até dez anos. Ora, neste sólido retorno social assenta todo um modelo e sistema de saúde que importa preservar. E para o preservamos com ganhos de qualidade e resultados para o doente, temos de acautelar a sua sustentabilidade num panorama de pressão demográfica e de inovação crescente. É por isso fundamental que se evolua para um modelo que melhor assegure o acesso à inovação e aos cuidados de saúde. Um modelo que assente na avaliação e diferencie os prestadores que apresentem melhores resultados e os remunere de acordo com o valor para o doente. Só assim conseguiremos diferenciar a inovação de modo a adotar a que maiores ganhos traz para o sistema, para o doente e para a sociedade, sem fragilizar o pilar da sustentabilidade.

A Janssen Portugal, em parceria com a Universidade Católica Portuguesa, criou o Prémio Janssen Inovação para incentivar a produção de conhecimento científico em Portugal nas áreas de Oncologia, Imunologia, Infeciologia, Neurociências e Hipertensão Pulmonar. A investigação científica é uma área suficientemente desenvolvida em Portugal?

Portugal tem académicos de renome mundial e uma produção científica reconhecida internacionalmente. Diria que nos falta aumentar o volume dessa qualidade e apoiar a projeção do que já se faz a nível nacional.

É por acreditarmos que com o contributo de todos isso será possível, que optámos por criar o Prémio Janssen Inovação que visa incentivar e distinguir a investigação de excelência feita em instituições nacionais. No final deste ano de 2019 iremos anunciar a abertura de candidaturas para a 3ª edição do prémio e acredito que da investigação básica e clínica das tais áreas de Oncologia, Hematologia, Imunologia, Infeciologia, Neurociências e Hipertensão Pulmonar aparecerão trabalhos de excelente qualidade.

A geração e disseminação de conhecimento é parte integrante da estratégia da Janssen e com este prémio, um dos mais avultados do sector, não tenho dúvidas que cumprimos com esse objetivo.

“Somos a Janssen. Colaboramos com o mundo pela saúde de todos”. Com a premissa de investir no futuro, a Janssen está completamente comprometida e focada na investigação e na inovação na saúde, correto?

O cariz inovador e diferenciador da Janssen resulta em grande parte dessa premissa colaborativa. O modelo e estratégia de inovação aberta e a utilização de novas tecnologias para a geração e partilha de conhecimento são prioridades claras que permitem soluções terapêuticas de grande valor. Globalmente, investimos em Investigação e Desenvolvimento mais 88% do que em vendas e marketing, o que demonstra bem o papel basilar que a inovação tem na nossa estratégia. Em valor absoluto, são cerca de 8 mil milhões de dólares que todos os anos investimos globalmente em investigação e desenvolvimento e que permitem resultados que fizeram da Janssen, em 2018, uma das três empresas mais inovadoras do setor a nível mundial.

A tal produção de inovação científica na Janssen passa por modelos que envolvem a academia, os centros de investigação, empresas de biotecnologia, outras companhias da indústria farmacêutica, entre outras entidades de todo o mundo. E é nesta rede global que vivemos comprometidos num permanente screening, à procura da melhor ciência e das melhores soluções terapêuticas, através de quatro centros de inovação, que complementam os nossos dez polos de Investigação dedicados ao desenvolvimento interno de novos medicamentos.

O objetivo da Janssen não é apenas inovar, mas também proporcionar às pessoas as ferramentas de que precisam para tomar decisões conscientes. Que importância assume termos cada vez mais pacientes informados e com poder de decisão?

Um cidadão informado e consciente, com poder de decisão, é mais proactivo relativamente à sua saúde e à dos que o rodeiam, colocando um enfoque na prevenção, no bem-estar e no diagnóstico precoce. Todos estes aspetos estão comprovadamente associados a melhores resultados em saúde, contribuindo para a longevidade e produtividade de todos.

Enquanto intervenientes no setor da saúde, tamos todos uma responsabilidade direta na forma como o cidadão compreende a informação que lhe é prestada, sobretudo, no momento em que adoece e é por isso que na Janssen queremos proporcionar às pessoas toda a informação que necessitem para a tomada de decisão. São princípios de transparência, de melhoria contínua, de proximidade para no fim termos melhores resultados em saúde.

Entre muitos programas de ajuda humanitária, programas de saúde dirigidos às comunidades mais desfavorecidas e iniciativas de apoio aos doentes, a Janssen coloca sempre as necessidades e o bem-estar dos doentes em primeiro lugar. Esta prioridade às pessoas é, sem dúvida, um dos pilares da Janssen?

Certamente e está aliás inscrito no nosso “Credo”, um documento com 75 anos que nos serve de bússola. Mas permita-me um exemplo que espelha bem esse princípio: a Tuberculose Multirresistente que, tal como o nome indica, se caracteriza pela resistência a medicamentos padrão usados para tratar a tuberculose, afeta em Portugal cerca de cinco a 10 pessoas por ano.   No entanto, é um grave problema de saúde pública no mundo e em particular em certos países mais desfavorecidos. A Janssen, cruzando a ciência com a responsabilidade social, não hesitou em desenvolver inovação nesta área e colocá-la à disposição das populações através de um programa de acesso especial, com reduzido impacto orçamental nos países com mais prevalência e menos recursos.

É preciso não esquecer que, apesar de prevenível e curável, esta doença continua a ser das que mais mata em todo o mundo e, quando percebemos que durante mais de 40 anos não houve qualquer inovação nesta área, é com orgulho que posso afirmar que é também graças à inovação da Janssen a cura hoje existe e é acessível também a esses países e doentes.