“Somos todos seres únicos e de exceção”

“Tenho como propósito de vida gerar O Efeito Borboleta na sociedade levando a mudança para a sociedade através do meu trabalho nas organizações”, afirma Cristina Maldonado, Diretora Geral da Leader2Be, que, em entrevista à Revista Pontos de Vista, abordou um pouco mais do seu percurso profissional e de como uma Mulher vê o mundo empresarial e profissional.

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Cristina trabalha enquanto formadora internacional especializada em comportamento organizacional e desenvolvimento, gestão e administração, liderança e habilidades de comunicação há mais de 20 anos. Fale-nos um pouco sobre o seu trabalho.

Sou consultora internacional em Desenvolvimento Organizacional e Liderança, baseada em Moçambique há seis anos. Trabalho com e para pessoas há mais de 20 anos, e é essa a minha paixão de vida.

Comecei a dar formação no ensino técnico profissional, com 22 anos. Desde então, trabalho na área de desenvolvimento humano. Hoje em dia, faço projetos de Cultura Organizacional e Desenvolvimento de Liderança em organizações nas áreas da Banca, do Oil & gás e outras.

Ao longo da minha carreira, que começou na área de Marketing e Comunicação, investi sempre muito na minha formação académica e profissional. Acredito que a formação contínua é a base de crescimento de qualquer profissional, pelo que, independentemente da nossa idade e estágio de vida, deve fazer sempre parte do nosso percurso. Nunca é tarde para aprender. Tenho como propósito de vida gerar O Efeito Borboleta na sociedade levando a mudança para a sociedade através do meu trabalho nas organizações.

Ao longo desses 20 anos com certeza que houve episódios que a marcaram. Que história lhe ficou na memória e porquê?

A líder que, depois de um workshop de comunicação com a sua equipa, onde se promoveu o feedback aberto e honesto sobre os comportamentos da equipa, usou esse mesmo feedback para penalizar os seus colaboradores nas avaliações intermédias.

Um líder deve saber dar e receber feedback sobre si próprio, como sendo a única forma de melhorar e de trabalhar em equipa.

O que considera que é mais difícil no exercício de liderar pessoas?

O mais complexo é lidar com as emoções das pessoas e ensiná-las a gerir a sua inteligência emocional. As emoções são a base de todos os nossos comportamentos e atitudes. Movem o ser humano no sentido positivo ou negativo e condicionam os nossos resultados em termos de desempenho e eficácia de vida.

Devemos ter sempre presente que “SOMOS TODOS PERFEITOS NA DIMENSÃO DA NOSSA IMPERFEIÇÃO”. Aceitar as nossas imperfeições e abraçar a diversidade, recebendo o que cada um tem de bom para contribuir para os destinos das organizações.

Daquilo que tem vindo a observar ao longo do seu trabalho, quais são as piores práticas que muitas vezes são exercidas nas organizações?

As piores práticas estão muitas vezes ligadas à ausência de comunicação de uma visão clara sobre o que se pretende para a Organização e da partilha dos valores e missão da organização.

A não aplicação da “Teoria em Ação”, que consiste em praticar o que se advoga em teoria. O exercício errado dos cargos de poder, que leva a que se adotem comportamentos com um impacto negativo na eficácia das equipas. Um líder deve ser carismático, humilde, comunicativo, impulsionar o crescimento dos outros. Na prática, isso não acontece. Promove-se a punição e castigo de erros, o que leva a que se criem regras dentro das regras com medo de falhar.

A ausência de feedback positivo e construtivo e incentivo de comportamentos ligados ao exercício do poder. Não se estimula o pensamento crítico e criativo no seio das equipas. A maior parte das vezes, os colaboradores sabem o que a liderança espera deles. Mas os líderes não abrem espaço para saberem o que é esperado de si no exercício desses cargos de liderança.

Em 2013 um estudo comprovou que apenas 25 por cento das mulheres em Moçambique ocupavam posições de liderança nos setores privado e público. Passados seis anos, o panorama mudou?

Não mudou muito, infelizmente.

Na sua opinião, qual é o caminho a percorrer para que se dê uma maior paridade de género?

O caminho passa por gerar novas crenças e perspetivas sobre o papel de cada um dos gêneros na sociedade e na família. Empoderar as jovens e desenvolver as suas capacidades de liderança através de programas de capacitação e muita formação. E em simultâneo, empoderar os homens, para que passem a ter um novo olhar sobre as mulheres e sobre si próprios na sociedade, na família e nas organizações. Passa também por mudar a forma como estamos a educar os nossos filhos no que respeita a estas questões. São eles quem, no futuro, podem mudar o estado das coisas e viver com uma maior consciência sobre a equidade dos géneros.

Antes de sermos homens e mulheres, somos seres humanos. Com tudo o que isso implica no que respeita aos sonhos e expectativas de vida. E acredito que é esta a nova consciência que deve ser criada nas novas gerações. “SOMOS TODOS SERES ÚNICOS E DE EXCEÇÃO”. É essa unicidade e capacidade de fazermos coisas excecionais que nos deve caracterizar, muito para além do género.