Porto acolhe o progresso, a inovação e os desafios futuros na área da Esclerose Múltipla

Entre os dias 14 e 16 de fevereiro, realiza-se no Porto, no edifício da Ordem dos Médicos, o 5th International Porto Congress Multiple Sclerosis, um evento bianual que reúne especialistas a nível mundial para abordar os avanços e temas mais atuais no tratamento da esclerose múltipla (EM), uma doença que afeta cerca de 2.5 milhões de pessoas em todo o mundo, e em Portugal, estima-se que sejam 8.000 pessoas com EM[1].

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A EM é uma doença crónica, inflamatória e degenerativa do sistema nervoso central. Embora se tenha tornado uma doença mais conhecida nos últimos anos, ainda há um grande desconhecimento sobre os seus sintomas, além de ter ainda um impacto negativo na qualidade de vida de muitos doentes, nomeadamente, mais de metade dos doentes relata níveis de incapacitação: 32% não conduzem e 77% não trabalham, sendo que 92% dos doentes que não trabalham estão abaixo da idade da reforma[2].

Maria José Sá, presidente do Congresso, afirma que “este é um momento de debate, análise e reflexão sobre os novos desafios que esta doença nos coloca. E, durante três dias, estamos reunidos no Porto para propagar a inovação e as mais recentes novidades, sobre esta doença do foro neurológico, para o resto do mundo num encontro que tem vindo a ganhar cada vez mais reconhecimento internacional”.

Um congresso que debate uma doença que, além dos desafios físicos e emocionais, apresenta um conhecimento dos custos e gestão, em Portugal, escasso. “É necessário debater, estudar e propagar as inovações, assim como melhorar o planeamento da assistência médica e a alocação de recursos. Estamos perante uma doença, em que o custo médio de um surto está estimado em 2931€” refere Maria José Sá, presidente do Congresso.

Além de acompanhar o rápido desenvolvimento da ciência, tecnologia e estilos de vida, o Congresso de 2019 conta ainda com a presença da Casa da Esclerose Múltipla que permitirá aos seus visitantes terem a percepção, a nível sensorial, do que é viver com EM, através de várias experiências nas tarefas do dia-a-dia.

Do programa, que cruza aspetos das ciências exatas e clínicas, fazem parte temas como “Matemática e Física na Esclerose Múltipla”; “Neuro imagem”; “O tempo importa na Esclerose Múltipla: caso da cognição” e cursos pré-congresso sobre a importância de ter uma equipa multidisciplinar ao serviço dos doentes, onde se sublinha o papel dos enfermeiros e dos neuropsicólogos, por exemplo.

Durante o Congresso será ainda realizada a votação e conhecidos os vencedores do prémio “MS Porto”, que pretende reconhecer a investigação e as melhores práticas clínicas nesta área.

Para consultar mais informações sobre o programa: https://www.multiplesclerosis2019.com/ 

Sobre o International Porto Congress:

Em 2011 realizou-se o 1st International Porto Congress of Multiple Sclerosis, organizado pela Consulta de Doenças Desmielinizantes do Hospital de S. João, Porto. Este Congresso tem vindo a tornar-se num acontecimento cada vez mais importante para o nosso país, no âmbito da EM, pois surge como uma excelente oportunidade para avaliação e discussão dos mais avançados conceitos nesta área da Neurologia, com oradores provenientes de centros de renomes de vários países do mundo. 

Sobre a Esclerose Múltipla

A EM é uma doença crónica, inflamatória e degenerativa, que afecta o Sistema Nervoso Central (SNC). É uma doença que surge frequentemente entre os 20 e os 40 anos de idade, ou seja, entre os jovens adultos. Afeta com maior incidência as mulheres do que os homens.

Esta patologia é diagnosticada a partir de uma combinação de sintomas e da evolução que a doença apresenta na pessoa afetada, com recurso a exames clínicos/exames complementares de diagnóstico (Ressonância Magnética Nuclear, Estudo de Potenciais Evocados e Punção Lombar).

Estima-se que em todo o mundo existam cerca de 2.500.000 pessoas com EM (dados da Organização Mundial da Saúde) e em Portugal mais de 8.000 (Gisela Kobelt, 2009).

A EM pode produzir sintomas idênticos aos de outras patologias do SNC, pelo que o diagnóstico poderá demorar anos a acontecer.

[2] Sa MJ, G Kobelt, J Berg, D Capsa, J Dalén, New insights into the burden and costs of multiple sclerosis in Europe: Results for Portugal, Multiple Sclerosis Journal 2017, Vol. 23(2S) 143 –154