A importância dos Dispositivos Médicos na qualidade de vida da população

O Alcance das próteses articulares no tratamento das dores e incapacidades - Artigo de opinião de Adelino Silva, consultor na área de saúde e bem-estar.

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Hoje em dia é frequente falar-se em “dispositivos médicos”, mas fica a pergunta – Será que o comum cidadão conhece a real importância que estes têm na melhoria da qualidade de vida das pessoas?

O termo “dispositivo médico” (D.M.) engloba um muito vasto conjunto de produtos. Os dispositivos médicos são destinados a serem utilizados para prevenir, diagnosticar ou tratar uma doença, ou como ajuda técnica numa situação de enfermidade. No entanto, os dispositivos médicos atingem os seus fins através de “mecanismos”, que não se traduzem em ações farmacológicas, metabólicas ou imunológicas, distinguindo-se assim dos medicamentos.

Estes “dispositivos” (D.M.) vão desde o simples penso, ligadura, termómetro, cadeira de rodas, aos instrumentos cirúrgicos, válvulas cardíacas, próteses ortopédicas, ou ainda, equipamentos de ressonância magnética, equipamentos de ecografia ou camas hospitalares, entre muitos outros.

A maioria destes D.M. tem um alto nível de tecnologia integrado, resultado de anos de investigação, de desenvolvimento e de ensaios.

Hoje, a comunidade científica reconhece que os D.M. têm cada vez mais importância na melhoria significativa da qualidade de vida da população.

Os D.M. contribuem para o tratamento de doenças, para as quais, as terapêuticas farmacológicas não são solução, apenas conseguem atenuar a sintomatologia.

Podemos analisar muitas doenças que, sem os D.M., não teriam solução, no entanto neste artigo pretende-se realçar o alcance das próteses articulares no tratamento das dores e das incapacidades, provocada pelas patologias conhecidas como artroses.

A artrose ou osteoartrose é uma doença degenerativa que se caracteriza por um desgaste da cartilagem (a superfície que reveste as articulações). Atinge sobretudo os joelhos, mãos, pés e coluna e conduz ao desgaste, quer da quantidade, quer da qualidade, da cartilagem, limitando os movimentos e provocando uma incapacidade progressiva. Nos casos mais graves, a cartilagem pode mesmo desaparecer e as superfícies ósseas roçam uma na outra, a cada movimento.

A osteoartrose, nas suas fases avançadas, provoca fortes dores, limitação de movimentos, absentismo, e já não tem solução com terapêuticas farmacológicas, apenas se pode reduzir a dor, usando analgésicos e anti-inflamatórios.

A osteoartrose é uma doença que, tradicionalmente, tem a ver com a idade, a partir dos 60 anos é normal aparecerem os primeiros sintomas, mas cada vez mais, é frequente, esta patologia manifestar-se em pessoas mais novas, contribuindo para isso a prática mais intensiva de desporto, a vida agitada, a alimentação e outros fatores sociais.

Com a evolução das “próteses ortopédicas” (anca, joelho, ombro, etc.), esta patologia tem tratamento, a implantação de uma prótese articular ortopédica, permite que o paciente volte a ter mobilidade, que não tenha dores, recuperando, na maioria dos casos, a sua qualidade de vida.

As próteses articulares ortopédicas, assim como as técnicas cirúrgicas de colocação das mesmas, têm tido uma grande evolução, sendo hoje as Artroplastias (substituição da articulação) cirurgias de rotina.

Para a evolução das próteses contribuiu a investigação e desenvolvimento de ligas metálicas (ligas de titânio e crómio-cobalto), das cerâmicas de alta performance (Biolox-Delta) e dos compostos plásticos (polietilenos de alta densidade – altamente reticulados).  Com estes materiais têm sido desenvolvidas próteses que são biologicamente compatíveis e biomecânicamente funcionais.

Hoje existem próteses para quase todas as articulações do corpo humano – próteses do ombro, próteses do cotovelo, próteses do punho, próteses da anca, próteses do joelho, próteses do tornozelo, próteses dos dedos e próteses cervicais.

As próteses mais colocadas são as próteses da anca, as próteses do joelho e as próteses do ombro.

As próteses da anca e joelho são hoje cirurgias de rotina diária na maioria dos hospitais. A evolução das técnicas cirúrgicas permite que hoje os doentes intervencionados iniciem a fisioterapia 12 horas após a cirurgia e regressem a casa após 3 dias.

Hoje é normal que os cirurgiões ortopédicos se especializem em determinada região anatómica, as sub-especialidades na ortopedia são uma realidade, cirurgia do ombro, da mão, da anca, do joelho, do pé, da coluna, permitindo assim a evolução das técnicas cirúrgicas, assim como, a excelência na sua execução.

Hoje é normal ver pessoas com próteses implantadas a andar de bicicleta, a jogar ténis, a fazer caminhadas, no ginásio, assim como a desenvolver as suas atividades profissionais sem limitações.

Em resumo, a evolução das próteses ortopédicas, em paralelo com a evolução das técnicas cirúrgicas e a sub-especilização dos cirurgiões, dá-nos a possibilidade de podermos manter a nossa atividade física até idades, em que há anos atrás, era impensável.

Os Dispositivos Médicos são, cada vez mais, indispensáveis à melhoria da qualidade de vida das pessoas.