De acordo com o Eurodeputado socialista, as orientações a seguir pela União Europeia em relação ao regime “autoritário” de Daniel Ortega devem, em primeiro lugar, “apoiar todas as possíveis linhas de diálogo interno que possam conduzir a um processo de eleições livres e justas”. Em segundo lugar, “e se se verificar a insuficiência da pressão para o diálogo, considerar a aplicação de sanções específicas que não se reflitam nas condições de vida da população”.

Finalmente, segundo Carlos Zorrinho, “se necessário, acionar a cláusula do acordo de associação UE – América Central que permitirá suspender a Nicarágua desse Acordo até serem restabelecidas as condições para um funcionamento democrático das instituições”.

Aproveitando para estabelecer uma analogia com a situação na Venezuela, Carlos Zorrinho afirmou no hemiciclo de Estrasburgo que “são esses princípios que nos levam, enquanto outros disputam a qualquer preço o acesso aos recursos e às matérias-primas da Venezuela, a pugnar pela criação de condições para devolver a voz ao povo através de eleições democráticas credíveis e justas”, uma vez que na luta “pela democracia e pela dignidade dos povos temos que continuar a agir com determinação e coragem”.

O Eurodeputado socialista, na sua intervenção, considerou também que “a democracia não é um modelo de organização política independente do contexto cultural e da história dos povos”, existindo, contudo, “princípios que são condições absolutas para a estruturação de um regime democrático”.

“São princípios que se fundam no respeito pelo estado de direito, pelos direitos humanos e pela dignidade dos povos, que estão subjacentes ao projeto europeu, fazendo parte da matriz identitária da União Europeia promover esses princípios no seu território e no mundo”, recordou ainda o Eurodeputado Carlos Zorrinho.