A criação da ANTOSC vai ao encontro da estratégia do governo angolano em promover no país a cultura da partilha das infraestruturas para telecomunicações. Esta tem demonstrado ser uma missão bem-sucedida?

Creio que a partilha de infraestruturas nas telecomunicações seja uma necessidade, porque os altos custos fornecidos pelos operadores para construir as suas redes tornam-se cada vez mais pesados nos seus orçamentos. E num momento em que enfrentam uma redução significativa nas suas receitas em função das diversas formas de comunicação criadas pelas redes sociais. Em relação à criação da ANTOSC, era um desejo antigo dos acionistas e que foi motivado pela aprovação do decreto-lei 166/14.

Quais são as mais-valias, mas também os desafios, da partilha de infraestruturas de telecomunicações?

São várias as mais-valias. Mas citaria duas que, com certeza, farão a diferença: a redução de custos de investimento direto em infraestruturas (CAPEX) e a redução nos custos operacionais de cada operador (OPEX). Em relação aos desafios, são diversos, mas acredito que, nessa fase, criar uma cultura de partilha no setor seja um ponto importante a trabalhar. Uma outra vertente, são os investimentos, que são elevados e, infelizmente, temos que importar quase tudo.

Qual é, atualmente, o contexto angolano no que diz respeito às infraestruturas para telecomunicações?

Segundo uma informação divulgada nos meios de comunicação social recentemente, cerca de 57% da população angolana não tem acesso à rede e à internet. Esses dados surpreenderam-nos bastante e necessitam de ser verificados com cuidado.

O nível de investimento nesse segmento no país tem sido bastante elevado e significativo, mas ainda existe muito para fazer e um longo caminho a percorrer.

As infraestruturas para telecomunicações ainda são deficitárias para responder à demanda e à evolução da tecnologia no setor.

Que verdadeiro desafio acarreta este setor num mercado cada vez mais exigente e globalizado e numa era da transformação digital?

O investimento nas infraestruturas será, sem dúvida, o principal desafio. Mas existem outros, como a regulamentação do setor, que também terá um papel muito importante para o crescimento e evolução desse segmento. Foram realizados diversos e vastos investimentos pelos operadores que estão no mercado há algum tempo e isso não pode ser esquecido.

A ANTOSC é a primeira TowerCO (empresas que gerenciam torres de telecomunicações) em Angola, movida pelo interesse em tornar uma realidade os avanços traçados para Angola pelo Plano Nacional de Desenvolvimento 2018-2022. Quais são as expectativas?

Naturalmente que nos sentimos orgulhosos e honrados por sermos a primeira TowerCO em Angola e, por isso, a nossa responsabilidade é superior e, naturalmente, que pretendemos corresponder às expectativas e às exigências e necessidades do mercado. Mas sabemos que o mercado é bastante competitivo e que, em breve, teremos a companhia de outras empresas de partilha, o que é saudável para o negócio, desde que sejam observadas e cumpridas as normas e a regulamentação para o setor.

A cooperação económica e empresarial que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) pretende promover e priorizar seria um fator fulcral para o setor das telecomunicações?

Não tenho dúvida sobre este ponto e, como diz e muito bem o nosso slogan –  “Antosc, uma empresa com talento para partilhar” –, sob o nosso ponto de vista, essa é a porta de entrada para o desenvolvimento das comunicações em Angola. Parcerias fortes e consolidadas!

INFRAESTRUTURAS PARA TELECOMUNICAÇÕES

A ANTOSC faz a gestão de infraestruturas para telecomunicações, atendendo operadores atuantes no país e os que estão a chegar, tendo como ponto de partida um estudo amplo e qualificado da realidade de cada cliente, a seguir as etapas de diagnóstico, definição de modelo de partilha e implementação da solução mais adequada.

Conheça os principais serviços:

– Aluguer de espaço nas torres

– Transmissão de sinais

– Garantia de energia 24/24

– Monitoramento à distância com sensores e câmaras de vídeo

A ANTOSC

A ANTOSC opera em Angola tendo como missão oferecer às empresas de telecomunicações a experiência da partilha de infraestrutura através do uso comum de torres instaladas em sites (estações) estrategicamente posicionados em locais identificados a partir de estudos qualificados, de modo a garantir a diversos projetos da Telecom as melhores performances e atender cada vez melhor os usuários de comunicação móvel e fixa. Constituída em 2017, a empresa traz no seu ADN um profundo conhecimento do mercado da Telecom e, por isso, tem a dimensão exata da importância da partilha de infraestrutura num cenário que exige altos investimentos individuais em equipamentos (Capex) e manutenção (Opex).