BeFashion Textile Agency, surgiu no mercado há cerca de cinco anos, sendo que o grande desiderato da mesma passa por promover a inovação e a melhoria de processos de uma forma contínua e regular, criando uma relação sustentada e duradoura com clientes e parceiros, acompanhando sempre as ultimas e novas tendências do mercado global, e mantendo a qualidade como vértice superior da sua dinâmica ao nível de serviços e celeridade na vertente da competitividade dos preços.

Mas quem é Patrícia Ferreira? “Acima de tudo sou mãe e empresária que veio de raízes humildes e que lutou muito para alcançar aquilo que tenho hoje”, afirma a nossa entrevistada, que está no setor do têxtil há quase duas décadas, mais concretamente há 18 anos e que ao longo do seu percurso esteve quase sempre em posições de liderança e chefia, algo que “é muito prestigiante para mim”, assegura, salientando que foi o seu lado curioso e sua capacidade para línguas que permitiu que a mesma continuasse a crescer ao longo de todos estes anos, sempre por conta de outrem e sempre com patrões do sexo masculino, “por quem tenho muito respeito e consideração pela forma respeitosa e valorizada como me trataram e que fizeram um pouco do que sou atualmente”, salienta Patrícia Ferreira, que com o intuito de atingir novos objetivos, novas metas, foi sempre ela a tomar a iniciativa e decidir assumir novos cargos, nunca tendo sido despedida.

BeFashion é Patrícia…

Até que chegou 2014 e o momento e que a nossa entrevistada percebeu que esse era o momento para apostar no seu próprio negócio e projeto. “Estava numa idade e maturidade estável que me permitiram avançar por conta próprio e criei a BeFashion Textile Agency”, refere, salientando que estes cinco anos da marca no mercado têm sido bastante positivos. Com um longo percurso no universo do têxtil, a nossa interlocutora foi reunindo conhecimentos e estofo para ultrapassar qualquer obstáculo e trabalhou sempre com fabricantes, embora o seu objetivo fosse tornar-se uma agente neste mercado, pois reconhecia que os players existentes no mercado tinham um défice elevado de conhecimentos técnicos ao nível dos agentes e “então achei que se conseguisse marcar pela diferença e enveredar por um caminho de agente, tinha todos os conhecimentos técnicos para marcar pela distinção e agora posso dizer que marquei pela diferença”, assevera a nossa entrevistada, referindo algo que a orgulha muito. “Quando edifiquei a marca não fui eu que procurei os clientes, mas eles é que me procuraram. Para muitos clientes não é a BeFashion, mas a Patrícia e isso deixa-me orgulhosa”, salienta, não deixando de afirmar que os agentes no mercado atual são mais do que capazes e revelam enorme profissionalismo e conhecimentos, “mas marco também a diferença pelo conhecimento que adquiri ao longo da minha carreira. Por isso é que apostei numa equipa pequena porque não precisamos de ser muitos para fazer um trabalho de excelência, o mais importante é gostarmos do que fazemos e ter um bom ambiente de trabalho e isso temos”, afirma convicta a nossa entrevistada. Assegurando que na BeFashion ninguém depende do fabricante para dar uma resposta ao cliente, “tudo porque reunimos conhecimentos técnicos que nos permite apresentar ao mesmo propostas e soluções”.

“A balança está equilibrada e existe respeito mútuo”

Num passado recente, o mundo do têxtil era composto, maioritariamente por homens, principalmente em cargos de liderança e chefia, algo que ao longo dos tempos foi mudando e para a qual as mulheres muito contribuíram. “Não tenho a mínima dúvida que as mulheres foram importantes para essa mudança. Isto sem desfazer dos homens que fazem parte deste setor, por quem tenho uma relação de carinho e respeito por tudo o que me ajudaram”, refere a nossa interlocutora. Mas haverá uma liderança feminina e uma masculina ou essa vertente de um líder não passa pela questão de género? “Naturalmente que não. Acredito sinceramente que a balança está equilibrada e existe respeito mútuo. A única coisa que encontro algumas diferenças é na forma de resolver um problema, porque as mulheres têm uma forma de pensar diferente perante um obstáculo e procuram imediatamente por soluções, enquanto que o homem se limita a colocar o problema. No fundo é tudo uma questão de pragmatismo”, afirma a nossa entrevistada.

Mas será que Patrícia Ferreira, ao longo de 18 anos de carreira, alguma vez sentiu alguma barreira em crescer pelo facto de ser mulher? Segundo a nossa entrevistada “as dificuldades de ser jovem mulher em cargo de liderança foram sempre superadas pela capacidade de resolver e decidir assertivamente face a qualquer adversidade. Fazendo uso da capacidade de fazer diversas tarefas ao mesmo tempo, e assumindo-me como mulher profissional muito nova fez-me ganhar o respeito pelos meus pares masculinos”, salienta e reconhecendo que alguns setores da sociedade e do universo empresarial a questão da igualdade salarial ainda seja distinta para homens e mulheres, “algo que acredito que irá mudar no futuro, pois já demos passos enormes e positivas nesse equilíbrio”.

O mercado francês e uma localização estratégica

A BeFashion atua somente no mercado internacional, em mercados como França, Espanha, Alemanha, Dinamarca, Bélgica e outros, sendo que é no mercado gaulês que se materializa o volume superior de negócios por parte da marca, cerca de 70% e porquê o francês? “Porque quando edifiquei a agência a grande procura de clientes foi desse mercado e acabei por conquistar uma parte desse mercado”, assevera Patrícia Ferreira, recordando que os mercados internacionais e nacionais são bastante díspares. “Cá dentro ainda existe uma preocupação muito grande com o que se vai faturar com determinada empresa, enquanto que a nível externo valorizam a presença e isso fazemos diariamente, pois a cada três semanas vou a Paris visitar os meus clientes e perceber quais as motivações, quais as preocupações e consigo dar soluções para isso mesmo”, lembra, assegurando que tem construído relações profissionais no mercado francês que já estão neste momento numa fase de relação de amizade e isso além de ser francamente positivo, permite-nos ter maior confiança por parte do cliente e assegurar novos clientes que nos conhecem pela forma como trabalhamos com os nossos atuais parceiros”.

Localizada no coração do têxtil do norte do país, Guimarães, esta também foi uma estratégia da nossa interlocutora. “Estamos aqui há dois anos e apesar de ser natural de Guimarães, não foi esse o vetor mais importante para estarmos aqui, mas sim pela proximidade que nos permite ter com os melhores fabricantes do têxtil em Portugal, que para mim estão nesta cidade. Aliado a isso, também cumpro um desejo, ou seja, contribuir para o crescimento económica da minha cidade”, revela, lembrando que o desiderato mais próximo é o de crescer no mercado italiano e alemão. “Já trabalhamos com estes mercados, mas o nosso volume ainda é bastante reduzido e queremos inverter isso em 2019, se calhar até ao final desta estação, que é em agosto”, afirma Patrícia Ferreira, lembrando o lema da empresa, “Lutar sempre, vencer talvez e desistir nunca”.

Não pretendemos terminar sem ter a visão de uma empresária/mulher experiente e conhecedora do mercado do têxtil em Portugal que, num passado não muito longínquo, “estava morto. O têxtil morreu por um vasto conjunto de cenários onde se encontra a não aposta na inovação e no fazer diferente. A mudança surgiu quando os criadores das empresas começaram a passar essa pasta aos filhos e filhas que tinham e têm uma visão mais inovadora e mais virada para o futuro e começaram a apostar em novos equipamentos, em novas técnicas de produção e em mercados novos e foi esse o click para que o têxtil regressasse e marcasse um crescimento assinalável e positivo”, revela a CEO da BeFashion.

Hoje em dia o homem dita tendências da moda

Será que a moda é um vetor importante para a afirmação da Mulher? “Sem dúvida”, afirma a nossa entrevistada, lembrando, contudo, que hoje o homem tem uma palavra a dizer neste domínio. “A mulher sempre procurou estar na moda e conhecer as tendências e o homem, num passado recente, estava desligado disso, algo que atualmente mudou, e até me arrisco a afirmar que hoje em dia, em vários casos, é o homem a ditar as tendências da moda, algo que até para mim que conheço a fundo o mercado e tenho uma mente aberta, me surpreendeu e que considero ser bastante positivo e gratificante”, conclui a nossa entrevistada.