“O meu maior sonho é que a Casa Ermelinda Freitas seja uma referência de qualidade na região”

“O meu sucesso está relacionado com as gerações que trabalharam antes de mim, com a minha família, com a equipa que tenho, com a região e, por fim, com os consumidores. É para eles que a casa vive”. Quem o afirma é Leonor Freitas, líder da Casa Ermelinda Freitas, a quarta geração de mulheres à frente dos destinos da empresa agrícola fundada em 1920. Saiba mais de uma marca que, sob a sua liderança, tem conhecido um crescimento notável e de referência.

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É na Península de Setúbal que a Casa Ermelinda Freitas tem as suas origens e o seu historial. No entanto, com a aquisição da Quinta do Minho, a Casa Ermelinda Freitas irá agora investir nos vinhos verdes. Este era o passo que precisava de ser dado agora? Porquê?

A casa mãe da Casa Ermelinda Freitas é e será sempre na Península de Setúbal. Mas é extremamente importante alargar o seu portfólio sobretudo para reforçarmos a exportação. Estamos, atualmente, presentes em mais de 30 países no mundo inteiro sendo muito importante reforçar a imagem de Portugal levando assim, em conjunto com a nossa região, mais alguns vinhos de outras regiões que também muito dignificam o nosso país. É um sonho de alguns anos e que se conseguiu tornar realidade este ano.

Marcado o primeiro passo na expansão da empresa para o exterior da região demarcada de Setúbal, a Casa Ermelinda Freitas apostará também no Douro para reforçar as exportações. Era este o percurso que imaginava ou idealizava para a marca?

Quando iniciei o trabalho na Casa Ermelinda Freitas o meu primeiro objetivo era só e unicamente manter aquilo que a família tinha criado na Península de Setúbal, Concelho de Palmela. Com a paixão que fui tendo pelo setor, o carinho que fui recebendo dos meus colaboradores e até dos meus consumidores e estes ao adquirir os nossos vinhos têm-me ajudado a crescer e a sonhar, poder vir a ter outras regiões e assim poder-lhes também retribuir com novos vinhos, que veem complementar os existentes. Acho que o percurso vai-se fazendo, vai-se descobrindo, vai-se idealizando, vamo-nos realizando e neste caminho de trabalho de atitude de colaboração e de interação com a sociedade nós vamos concretizando os nossos ideais. A vida é uma dinâmica e eu sinto-me bem a trabalhar, a acompanhar e se possível antecipar essa dinâmica pois assim sinto que faço parte do processo de crescimento e contributos para a Casa Ermelinda Freitas, o meu setor dos vinhos e para a sociedade em geral.

Da península de Setúbal para o Douro e o Minho, a Casa Ermelinda Freitas aumenta, assim, o seu portefólio. Quais são as expectativas para esta expansão para duas regiões igualmente enriquecedoras?

A minha expectativa, com a expansão para estas regiões que são muito diferenciadoras da que eu já tenho, passa por conseguir fazer nestas regiões bons vinhos e ir ao encontro dos consumidores, sempre com a preocupação de lhes poder oferecer também a melhor relação qualidade-preço.

A empresa já tem 40% da produção destinada à exportação, mas o objetivo de Leonor Freitas é crescer 10% nas exportações nos próximos dois anos. Quais são as perspetivas para este ano de 2019?

Como de costume a Casa Ermelinda Freitas é muito lutadora e tudo irá fazer para que em 2019 possa contribuir para crescer em Portugal bem com nas exportações, sendo a nossa expectativa abrirmos cada vez mais novos mercados e estarmos presentes sempre com toda a qualidade em todos.

A juntar à procura de outros mercados, Leonor Freitas aposta também no enoturismo. Que projetos a Casa Ermelinda Freitas tem desenvolvido neste âmbito? O enoturismo é uma aposta ganha?

O enoturismo não é uma aposta ganha, pois acho que nada podemos considerar como ganho. O enoturismo é na Casa Ermelinda Freitas uma aposta para continuar a oferecer cada vez mais e melhor o contacto com a natureza, com a vinha, com todo o processo de produção, com a família e com os nossos vinhos, podendo assim, quem nos visita, sentir que uma garrafa de vinho tem muito mais que um simples vinho. Queremos que o enoturismo seja uma experiência para quem nos visita e que seja uma oportunidade de aprendizagem, de afeto e de fidelização aos nosso produtos.

Desde que assumiu as rédeas da empresa, no final da década de 1990, a missão de Leonor Freitas tem sido fazer a empresa crescer. Hoje, que verdadeiros desafios enfrenta?

Os desafios continuam a ser os mesmos de quando iniciei. Tenho bem a noção que nada é para toda a vida, portanto continuarei a trabalhar, a fazer os melhores vinhos ao melhor preço, para que os consumidores continuem a ter a confiança que têm tido. Prometo continuar a oferecer novos vinhos, novas experiências, como é o caso do primeiro grande destaque deste ano, o nosso novo Monovarietal CEF Carménère Reserva, em homenagem ao chile, uma casta do mundo, o Caménère, assemelha-se bastante em termos olfativos ao Cabernet Sauvignon com notas de pimento e fruta preta. Com estágio de 12 meses em barrica, apresenta-se um vinho denso macio, mas elegante. É um vinho diferente para pessoas diferentes que gostam dos sabores do mundo.

Hoje sinto que tenho cada vez mais responsabilidade em poder corresponder às expectativas que os consumidores têm da Casa Ermelinda Freitas, e continuarei a arredondar os espinhos e a ter a humildade de quando tudo está bem ter a consciência que nada é definitivo e que temos de continuar apostar no trabalho e ir ao encontro do consumidor e agradecer-lhe os contributos que cada um dá ao adquirir os nossos vinhos. O meu maior sonho é que a Casa Ermelinda Freitas seja uma referência de qualidade na região e consiga contribuir para a dignificação do trabalho rural em Portugal.

Transformou um negócio de venda de vinho a granel numa marca reconhecida a nível nacional e internacional. A internacionalização é agora o foco da Casa Ermelinda Freitas?

O foco da Casa Ermelinda Freitas não é só na internacionalização. O mercado em Portugal tem sido e será muito importante para nós. Mas continuaremos a trabalhar diariamente para aumentarmos a nossa cota de exportação. E pensamos que as novas regiões que vamos ter nos irão ajudar e também nos ajudarão a divulgar a nossa região e Portugal.

O percurso de Leonor Freitas no mundo dos negócios tem sido alvo de inúmeras distinções. Desde a primeira geração que esta casa aposta na qualidade das vinhas e dos vinhos e, desde de 1999, já obteve mais de 1000 prémios. Um sinónimo de orgulho, mas também um acréscimo de responsabilidade?

A Casa Ermelinda Freitas, e aqui não posso esquecer todos que nela trabalham, cada prémio é recebido e festejado sempre com grande alegria e uma aferição para a nossa enologia de que estamos no caminho certo, mas é sempre vivido por todos com grande responsabilidade de que temos que trabalhar cada vez melhor. Alem dos prémios dos vinhos não há dúvida que Leonor Freitas tem visto o seu trabalho reconhecido com as várias distinções que tem recebido, entre as quais nomeamos as últimas:

– Em novembro de 2008 recebeu o prémio de Inovação e Empreendedorismo pelo Ministro da Agricultura;

– Em 2009 teve a grande honra da atribuição da Comenda de Ordem de Mérito Agrícola no dia 10 de Junho de 2009, pelo Sr. Presidente da

República.

– Em 2010 foi-lhe atribuída a medalha Municipal de Mérito Grau de Ouro pelo Município de Palmela;

– Em 2017 foi condecorada com o Prémio Mercúrio – Prestígio, pela Confederação do Comércio e Serviços de Portugal pela Escola de Comércio de Lisboa, sendo este prémio o mais alto atribuído por esta organização;

– Em 2018 foi destacada com o Prémio Mulher Empresária, um galardão que visa reconhecer o percurso das gestoras portuguesas, tendo sindo a primeira mulher portuguesa a obter o mesmo;

– Em 2018 recebeu o Prémio Agricultura 2018, na categoria Empresas pelo grande trabalho realizado nesta área e grande evolução da Casa Ermelinda Freitas;

Mas estas distinções são referidas por ela como:

“…o resultado das gerações que trabalharam antes dela, e que tanto amor dedicaram à terra, a sua família atual que a tem apoiado e que neste momento a 5ª geração os filhos (João & Joana), trabalham na casa com grande sentido de continuidade…”. 

Nunca esquece o trabalho dos seus colaboradores, pois sem eles nada seria possível, terminando dizendo:

“…se os consumidores não comprassem os seus vinhos onde estaria o meu sucesso e os prémios que eu tenho ganho…”.

Casa Ermelinda Freitas

Rua Manuel João de Freitas Fernando Pó
2965-595 Águas de Moura
Portugal

Google Maps
GPS: N 38º 38’ 08”   W 8º 41’ 40”

Email: geral@ermelindafreitas.pt

Tel: +351 265 988 000, +351 300 500 435
Fax: +351 265 988 004

FACEBOOK: ErmelindaVinhos

INTAGRAM: Ermelinda Wines

CASA ERMELINDA FREITAS

ENOTURISMO

Situada em Fernando Pó, no concelho de Palmela, a Casa Ermelinda Freitas é uma empresa familiar produtora de alguns dos vinhos mais prestigiados da região da península de Setúbal, e que recentemente tem apostado na dinamização de atividades de enoturismo. Com 450 hectares de vinha, a empresa liderada por Leonor Freitas vive um momento de expansão evidenciada pelos recentes investimentos em infraestruturas.

Na propriedade, descobrem-se os detalhes dos processos de vinificação antigos e atuais, assim como se toma contacto com as vinhas (na vinha pedagógica) onde estão plantadas as 29 castas presentes na produção dos vinhos da marca. Na nova adega, inaugurada no final do ano passado, observam-se todas as fases de produção, do esmagamento até ao engarrafamento. Durante a visita pode também ver-se o trabalho laboratorial da equipa de enólogos da empresa. Destaque ainda para a Sala de Ouro, onde estão expostas as mais altas distinções atribuídas aos vinhos Ermelinda Freitas, bem como uma pequena exposição sobre a produção das rolhas de cortiça.

Depois da visita, abrem-se as portas da antiga adega da família, agora denominada Casa de Memórias e Afetos, e conhece-se a história da família e a construção desta empresa, que se iniciou na venda de vinho a granel (sem marca) com vinhas desde 1920, e que se lançou com a primeira marca em 1997. Desvendam-se também as técnicas de vinificação antigas, através dos utensílios agrícolas, dos antigos lagares, e de algumas imagens e objetos relacionados com as tradições regionais associadas às vindimas.

No final, provam-se cinco vinhos que acompanham com produtos regionais, como o queijo, o pão, o chouriço, ou as compotas. A propriedade possui também uma sala multiusos com capacidade para 350 pessoas, preparada para acolher eventos e com um terraço com vista panorâmica para o jardim das vinhas. Podem visitar-nos fazendo uma marcação prévia e vir constatar um mundo rural, muito próximo de Lisboa, mas muito diferente.

PREÇO VISITA:

A visita tem um valor unitário de 7,50€

– Visita às instalações

– Prova de 5 vinhos (2 Tintos / 2 Brancos / 1 Moscatel) acompanhado dos produtos da região

Deve ser feito um agendamento prévio.