“A presença da mulher na advocacia é hoje um dado absolutamente incontornável”

A Sérvulo & Associados é uma das principais sociedades de advogados em Portugal e que tem vindo a manter uma posição de prestígio e credibilidade. Ana Luísa Guimarães, Sócia da Sérvulo & Associados – Sociedade de Advogados, SP, RL, fala-nos do papel da mulher no setor da advocacia e na sociedade, tendo por base a sua experiência e percurso profissional.

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De que forma é que a marca consegue manter este posicionamento e quais são os verdadeiros desafios que enfrentam atualmente as sociedades de advogados?

A Sérvulo tem sabido manter um posicionamento de coerência no mercado jurídico, optando por uma aposta clara pelos serviços jurídicos de alta complexidade e não massificados e, ao mesmo tempo, pela elevada qualificação dos seus advogados em vista da produção de um output de excelência.

O maior desafio das sociedades de advogados hoje é a eficiência, é encontrar um equilíbrio entre a relação meios utilizados/resultados produzidos que dê resposta à crescente pressão dos clientes em matéria de honorários.

E a mulher? Que papel assume atualmente a mulher num setor associado até há bem pouco tempo, maioritariamente, ao sexo masculino?

A presença da mulher na advocacia é hoje um dado absolutamente incontornável. As advogadas são, em geral, muito dedicadas e batalhadoras e isso permitiu-lhes merecer hoje o reconhecimento pelos pares e pelos clientes da qualidade do trabalho jurídico que executam. Mas, infelizmente, ao nível dos lugares de topo e de gestão nas sociedades de advogados e também ao nível da escolha, pelos clientes, do advogado a quem entregar a responsabilidade para tomar conta de um problema/assunto jurídico seu, os resultados ficam aquém, havendo claramente uma preponderância masculina. Este é o passo que falta dar.

Está na SÉRVULO desde 2008, e é sócia do departamento de Público. Olhando para a sua vasta carreira, o que a motiva e inspira diariamente?

Dei-me conta agora que me licenciei há precisamente 20 anos, em 1999. Mas não vejo estes 20 anos como uma vasta carreira. E sinto-me ainda uma aprendiz, no Direito e na vida. Estou numa fase ótima da minha vida profissional também por isso, entre duas gerações de advogados de quem beneficio muito.

O que me motiva diariamente é resolver os problemas do cliente e fazer tudo o que está ao meu alcance para que decidam o melhor possível.

De que forma é que podemos caracterizar Ana Luísa Guimarães enquanto mulher e profissional?

Os últimos anos, desde a aproximação aos 40, têm sido muito enriquecedores, a nível pessoal e, reflexamente, também a nível profissional. É uma profunda tomada de consciência sobre a finitude, as pessoas, o bem e o mal e o mundo à nossa volta. Até então, era tudo uma brincadeira…E, fruto desse processo, a serenidade é hoje um valor que conquistei, tanto a nível pessoal como profissional. Mas continuo a ser muito emotiva, com o que isso tem de bom e de menos bom. Não sou indiferente.

A minha visão do Direito, apesar do grande enfoque nos últimos anos, no Direito Público, nunca foi verdadeiramente afunilada e cada vez menos pretendo que o seja. O Direito, para se realizar, tem de ser poroso. Tem de estar perto da vida real, compreender as pessoas, as organizações e aproximar-se dos centros de decisão. Por isso, decidir fazer um MBA, que estou a concluir na AESE Business School, que me despertou para um conjunto de realidades que me eram muito mais distantes.

A desigualdade de género é uma questão que continua a merecer a devida atenção de todos nós, com as mulheres a continuarem a ser alvo de discriminação económica e social. Esta é, de facto, uma questão que iremos conseguir mudar ou combater?

Há um caminho que está a ser feito há muito tempo e que irá continuar. Acredito que as desigualdades tendem a ser atenuadas. E aceito instrumentos normativos corretivos, mas vejo-os com um mal necessário. Isto é, não me revejo intrinsecamente na sua essência, mas concordo que pragmaticamente são importantes e que sem eles a evolução é muito mais difícil.

Liderança feminina ou masculina? Existe realmente alguma diferença entre ambas ou não é uma questão de género?

As mulheres são, regra geral, mais emotivas, melhores gestoras das suas emoções e mais atentas às emoções alheias. Se tivesse de eleger uma característica diferenciadora na liderança masculina e feminina seria a inteligência emocional a favor das mulheres.

Alguma vez, ao longo da sua carreira, já sentiu essa desigualdade do género?

Se lhe dissesse que não, não estaria a ser sincera.

A terminar, que mensagem deixaria a todas as mulheres?

Que acreditem mais e mais nelas próprias e que sejam livres nas suas escolhas, sem cedência a preconceitos e moralismos de qualquer espécie.