A TAAG é a maior companhia aérea angolana. Quais são os maiores desafios de ser líder na ligação de Angola a outros países?

É uma grande responsabilidade. Temos de ter uma operação fiável, segura, regular e assídua. Angola é um país muito visitado e os angolanos gostam e têm necessidade de viajar e já existe uma forte concorrência nas rotas mais importantes.

Pautam-se por prestarem um serviço de qualidade e competitivo com uma forte identidade angolana. O que diria que vos distingue?

Identidade angolana e qualidade mundial são dois elementos que queremos que estejam sempre juntos de forma natural. possuímos a habitual simpatia, espontaneidade e imaginação própria dos angolanos no trato humano, de tal forma que, ao entrar nas nossas aeronaves, o passageiro se sinta já em território angolano.

A companhia foi fundada em 1938, desde essa época, como descreveria o crescimento da TAAG?

Desde a sua fundação a TAAG sempre esteve estreitamente ligada às necessidades do país. Reportando-me essencialmente ao período desde a independência de Angola em 1975, a TAAG foi a grande responsável por ligar as grandes cidades angolanas por via aérea, numa altura em que a circulação por estrada começou a ser progressivamente mais difícil por causa da guerra e do natural desgaste do tapete asfáltico das estradas, carentes de manutenção durante longos anos. Por outro lado, a TAAG levou a bandeira do jovem país aos quatro cantos do mundo, jogando um papel diplomático importante para a afirmação de Angola no contexto mundial das nações. Por todos estes factos, a TAAG foi obrigada a ter a frota adequada, quer em quantidade, como em tipo de aeronaves para cumprir cabalmente a sua missão.

Nos dias de hoje o transporte aéreo é tão utilizado como o automóvel. Com tanta afluência, considera que hoje o preço é o principal critério na escolha da companhia aérea?

Em Angola ainda não é rigorosamente assim. Ainda existem reais dificuldades de viajar por terra e mar em Angola, por isso o transporte aéreo acaba por ser, em muitos casos, a primeira e única opção. Devido à crise económica e financeira dos últimos anos, o poder de compra dos angolanos tem vindo a degradar-se paulatinamente e nós já sentimos esta pressão ao nível dos preços, com a redução das taxas de ocupação.

Tomou posse enquanto presidente da nova administração da companhia em outubro de 2018. Até à data, que balanço faz?

faço um balanço bastante positivo, embora a olho nu as transformações ainda não sejam bem visíveis. Nos últimos dois anos a TAAG mudou de administração três vezes. Como se deve calcular, isto é muito violento, principalmente para a complexidade de uma companhia aérea. Portanto, estes primeiros meses estamos a trabalhar essencialmente em aspetos organizacionais que são de percepção difícil para quem observa de fora. Estamos convictos de que brevemente este trabalho terá reflexo nos aspetos mais visíveis e que os nossos passageiros e clientes possam fazer uma apreciação positiva do nosso trabalho.

Quais são as suas maiores premissas no comando da companhia?

valorizo muito o trabalho de equipa e o foco no cliente como premissas fundamentais na gestão de uma companhia aérea. Tudo o resto vai se encaixar de forma automática. É claro que, sendo uma atividade bastante complexa em todos os seus pilares, um alto grau de especialização e competência do capital humano serão sempre exigíveis. Quem está aos comandos deve ter esta visão ampla do universo de valências disponíveis e saber convocá-las no momento das grandes e pequenas decisões.

Consta-se que ainda este ano irão começar a adquirir mais onze aviões de forma a modernizar a companhia até 2020. Estas aquisições servirão para atingir um maior nível de competitividade?

Embora o número não seja exacto, posso dizer que o plano de expansão e modernização da frota começa em 2020 e termina em 2024 com a aquisição das aeronaves adequadas à implementação do nosso plano de exploração comercial. Sem dúvida que queremos ser mais competitivos e, por isso, a utilização de aeronaves mais modernas e eficientes representa um condição irrefutável.

O preço elevado dos combustíveis tem que dimensão nesta restruturação que a nova administração propõe?

Os custos com o combustível, dentro da TAAG, não são diferentes da média mundial. É por isso que a modernização e a adequação da frota para cada destino é de um valor importantíssimo neste nosso processo de restruturação já que, ao nível dos procedimentos operacionais, a TAAG já implementa uma série de iniciativas tendentes a diminuir estes custos.

Que mudanças prevê que aconteçam no mercado aéreo para os próximos anos?

A curva da procura no mercado aéreo é paralela ao PIB mundial. Os dados proporcionados pelos estudos das grandes agências internacionais apontam para um crescimento moderado, mas firme da procura e por isso prevê-se um aumento do tráfego aéreo que será motivado pelo correspondente aumento dos lugares quilómetros oferecidos. Angola e a TAAG deverão preparar-se antecipadamente para enfrentar as mudanças. A crise económica não veio para ficar e com as previsões de crescimento que se avizinham, a procura vai aumentar. A diversificação da economia angolana e as grandes iniciativas de redinamização do turismo também vão contribuir para este aumento. Queremos estar a altura.

E sobre a TAAG, que altos voos se avizinham nos próximos tempos?

A TAAG está num processo de privatização parcial. Este é o grande voo que se avizinha no plano institucional e que vai ter uma influência capital nos outros campos de actuação. Por outro lado a TAAG quer conquistar o mercado africano, ainda com uma conectividade bastante baixa. A adesão de Angola à Decisão de Yamoussoucro e a implementação do mercado único do transporte aéreo em África serão, sem dúvida, os grandes desafios que temos pela frente, os quais encaro com especial optimismo.