Em primeiro lugar, parabéns pelo seu excelente percurso. São 25 anos de Toyota Caetano Portugal, são 25 anos de…?

Completo 25 anos de Toyota Caetano Portugal este ano de 2019. São 25 anos de paixão, de relações, de Kaizen (melhoria continua), de batalhas, de dedicação, retorno, satisfação.

A Toyota e o Grupo Salvador Caetano são um exemplo de persistência, de nunca desistir, e de muito trabalho.

Que momentos ou aspetos considere fulcrais para o seu crescimento pessoal e profissional retira deste seu percurso dentro de uma marca de renome como Toyota Caetano Portugal?

Foram vários como deve imaginar, mas o mais recente foi a minha última ida ao Japão (em fevereiro deste ano), onde estive cerca de dez dias a “mergulhar” na cultura japonesa do “omotenashi” (hospitalidade), e no Toyota Way (kaizen).

Aqui consegui, mesmo após quase 25 anos na Marca, trazer para a minha vida profissional e pessoal valor acrescentado de enorme retorno e valor.

É um percurso marcado pela ascensão e aprendizagem e, certamente, marcado por muitos desafios e dificuldades. Consegue referir-nos alguns?

Sim, alguns desafios marcados pelas crises do setor, e principalmente por alguma resistência à mudança que este mercado acarreta. Mas na filosofia da nossa empresa, as dificuldades transformam-se em oportunidades, e é assim que queremos sempre pensar, e agir.

Numa altura em que se debate cada vez mais questões relacionadas com a desigualdade de género, como diria ter sido o seu percurso profissional neste sentido? A desigualdade de género é uma realidade para si?

Sim e não. Sim, porque sendo mulher, e principalmente neste setor, existe sempre desconfiança e eventualmente alguma falta de “tato” para algumas reações, conclusões e decisões. E porque normalmente sou a única mulher, ou das poucas mulheres, por vezes torna difícil ser ouvida, ou pelo menos compreendida.

Não, porque no Grupo Salvador Caetano e na Toyota, não se sente diretamente estas questões, e porque talvez como qualquer mulher em lugares de liderança, marcamos sempre a nossa presença de uma forma muito assertiva e contundente.

É diretora da Toyota Caetano Portugal. O que é mais desafiante para si neste cargo?

Manter o nível de motivação da equipa, gestão de pessoas e conflitos, a criação contínua, e a procura de mais e melhor.

A sociedade ainda impõe bastantes limitações à mulher e ao seu papel na sociedade. Ter uma carreira profissional de sucesso significa abdicar do sucesso na vida pessoal ou vice-versa?

Acho que sim, mas acredito que é possível se houver partilha entre os casais, e mais igualdade. Ainda não estamos lá, mas também cabe aos educadores, mães, pais, sociedade, meios de comunicação, etc., criar seres humanos que não vejam a diferença de género como uma diferença de oportunidades e responsabilidades.

Assim teremos uma sociedade onde todas as mulheres podem ter o seu espaço e usufruir na plenitude do seu potencial e capacidades.

Pode partilhar connosco o seu exemplo? É fácil conciliar uma carreira profissional de sucesso com a vida pessoal e familiar?

Como não tenho filhos, imagino que torna as coisas eventualmente um bocado menos desafiantes, mas a constante necessidade de viajar e estar muito tempo fora de casa, torna as coisas mais complicadas.

Hoje as organizações debatem-se com múltiplos desafios relacionados com a transformação digital, mas também com a liderança, a gestão de pessoas ou a retenção de talento. O que é para si um bom líder? Que características a definem enquanto líder?

Um líder é aquele que não precisa de se afirmar como líder. É aquele que consegue que o acompanhem, e que acrescente sempre valor (quer profissionalmente quer pessoalmente). Que construa. Um líder precisa de agir com paixão e com determinação.