Tendo como missão universidade, o ensino e investigação e com capacidade para estar no topo do conhecimento da Europa e da América do Norte em termos de prestação de cuidados de saúde diferenciados, o Instituto de Anatomia Patológica e Patologia Molecular (IAP – PM) da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra assegura o ensino da Anatomia Patológica a estudantes de Medicina Dentária e de Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, Açores e Cabo Verde, bem como suporte científico e orientação de Teses de Mestrado e Doutoramento, com ou sem desenho dos Projetos de Investigação.

Paralelamente, mantém o serviço à comunidade no âmbito da Histopatologia, Citopatologia, Imunohistoquímica e Patologia Molecular.

E o que é a Anatomia Patológica? A Anatomia Patológica é uma especialidade médica, sendo, por isso mesmo, a equipa dos laboratórios de Anatomia Patológica e Patologia Molecular constituída por médicos “com uma formação de cinco anos como qualquer outra especialidade”. Com uma equipa composta por quatro patologistas, dois internos de Anatomia Patológica, duas técnicos de Anatomia Patológica e três biotécnicas, o IAP – PM tem procurado cativar estudantes e internos para a carreira docente. “Somos médicos hospitalares e temos trabalho diário assistencial ao qual somamos o ensino e a investigação, o que exige uma desmultiplicação de tarefas.

A par disso somos docentes de carreira na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e gostaríamos que eles também fossem”, diz-nos Lina Carvalho, acrescentando que nos laboratórios de Anatomia Patológica trabalham médicos de Anatomia Patológica, que agregam áreas de formação afins: técnicos de Anatomia Patológica e biotécnicos que fazem trabalho diferenciado na componente universitária da Patologia Molecular e técnicos de secretaria, na interface com a comunidade, quer seja a comunidade científica ou a comunidade estudantil.

No IAP – PM é feito, diariamente, um trabalho complexo. “Como estamos na universidade, para além de fazermos diagnósticos também fazemos ensino aos estudantes de medicina e de biotecnologias, com a formação prática respetiva; a Anatomia Patológica é uma unidade curricular da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra”, explica a coordenadora do IAP – PM.

Note-se que a Anatomia Patológica da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra – FMUC – foi inaugurada em 1956 e a unidade curricular de Anatomia Patológica teve início de lecionação em 1863 – também datação aproximada de alguns exemplares do Museu do IAP – PM, muito valorizado na Europa.

TRABALHO DE SAÚDE DIFERENCIADO

A dirigir o Instituto de Anatomia Patológica e Patologia Molecular desde 2003, Lina Carvalho partilha connosco algumas das mudanças efetivadas na Anatomia Patológica e Patologia Molecular e dos desafios enfrentados.

Realça, por exemplo, que a medicina viu o número de autópsias anátomo-clínicas realizadas a diminuírem drasticamente devido aos meios complementares de diagnósticos bastante avançados que permitem saber as causas da morte. “Hoje o número de autópsias de cadáveres de adulto no serviço hospitalar chega a ser cerca de 12 por ano. Até há vinte anos atrás, o número de autópsias rondava as 200 por ano, o que ocupava bastante do nosso tempo em laboratório. Hoje, esse tempo é dedicado ao que é a perspetiva da especialidade: a prevenção através dos rastreios, o diagnóstico precoce e, em caso de doenças avançadas, diagnóstico e definição de terapêuticas para o aumento da esperança de vida. Permite-nos dedicar mais tempo à área relacionada com o microscópio e técnicas complementares, nomeadamente a genética do cancro, a base da Patologia Molecular”, explica.

Desde 2003, desenvolvem-se trabalhos de Investigação Científica em áreas diversas da Anatomia Patológica e com aplicação da Patologia Molecular, particularmente relacionados com Patologia Pulmonar e Digestiva e Patologia Experimental, reconhecidos com prémios nacionais e internacionais.

“Em 2004 fomos bafejados com a Patologia Molecular. Iniciámos a colheita de ADN de pequenos fragmentos de biopsias incluídos em parafina (e a biopsia liquida atual), começando uma nova fase à qual chamamos de terapêutica personalizada, ou seja, hoje algumas alterações genéticas presentes nas células tumorais ou nas células de doenças degenerativas / inflamatórias são passíveis de serem bloqueadas por fármacos, aumentando a sobrevivência e qualidade de vida dos doentes”, refere Lina Carvalho.

Relembra também que foi, na altura, um forte desafio assumir a direção de um Instituto com um número elevado de estudantes e pronto para ser dinamizado. “Com uma herança bastante enriquecedora do Professor Renato Trincão desenvolvemos um serviço que alargámos à comunidade, introduzindo o serviço de Patologia Molecular. Foi uma altura em que tivemos de, simultaneamente, dinamizar os laboratórios, adquirir equipamentos novos, cativar alunos e patologistas, instituir os laboratórios de Patologia Molecular e lecionar. Investimos, como é missão da universidade, nos testes diferenciados, nos serviços à comunidade médica e também na investigação, para a Universidade e para os Hospitais”, acrescenta a nossa entrevistada.

Com as portas abertas para os investigadores de outras áreas e para os pedidos de design e desenvolvimento de projetos, Lina Carvalho admite que o IAP – PM não tem tempo para dizer que “existe”. A este trabalho complexo acresce as parcerias e a relação estreita com a indústria farmacêutica. “A indústria farmacêutica aproxima-se bastante de nós, sendo mantida uma colaboração estreita entre os médicos e a indústria farmacêutica para a obtenção de respostas laboratoriais em atualização constante, para inclusão de resultados nos relatórios de Patologia Molecular, nas publicações e na divulgação de resultados em congressos nacionais e europeus”, realça, dando ênfase ao papel do IAP – PM e à sua integração universitária.

Os desafios, esses, passam ainda pela exigência da indústria farmacêutica, da medicina e dos centros de investigação no que diz respeito à inovação e às novas tecnologias para esta demanda da transferência de conhecimento científico. “Existe uma mudança de paradigma em termos de diagnóstico. Hoje temos de prestar um serviço de medicina personalizado, pois para além do diagnóstico das patologias temos de dar informação que seja importante para a decisão terapêutica e para uma terapêutica direcionada.

Para isso, para continuarmos a desenvolver um trabalho de excelência com resultados de excelência, temos de investir constantemente em novas tecnologias e em tecnologias cada vez mais diferenciadas, mas que acarretam custos elevados, para além de pessoas com formação e conhecimento integrado”, diz-nos Vítor Sousa do grupo de trabalho do IAP – PM.

A Anatomia Patológica é, de facto, uma das áreas mais importantes da medicina, na charneira com a clínica. Com visibilidade discreta, utiliza conhecimentos das mais diferentes áreas para estudar uma doença e fazer um diagnóstico que traz grandes implicações para a vida de um doente, para um prognóstico ou para o tratamento mais adequado. Todas as especialidades precisam de interagir com a Anatomia Patológica, pois qualquer intervenção que seja necessária num doente precisa de diagnóstico e definição de prognóstico/terapêutica, suportados nos relatórios emitidos pelos Médicos Anátomo – Patologistas.