É licenciado em Engenharia Agronómica, doutorado em Agronomia, é docente na Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Bragança e em 2018 assumiu o cargo de presidente do IPB. Fale-nos um pouco sobre o seu percurso.

Devo todo o meu percurso profissional ao Instituto Politécnico de Bragança. Desde setembro de 1986 docente na área disciplinar de Economia Agrária e Sociologia Rural e investigador do Centro de Investigação de Montanha, com interesses científicos em torno das Políticas Agrícolas e Desenvolvimento Rural.

Em cargos de Direção desde 1999, até 2005 como Presidente do Conselho Diretivo da Escola Superior Agrária e desde julho de 2006 Vice-Presidente do Instituto Politécnico de Bragança. Em julho de 2018 assumi o cargo de presidente do IPB.

Enquanto presidente do IPB, como descreve o papel da instituição no ensino superior português?

Desde a sua origem, o IPB sempre se afirmou como uma instituição de vanguarda, marcando o rumo da evolução do sistema de ensino politécnico em Portugal. Inicialmente, estabelecendo como principal prioridade a capacitação científica do corpo docente e indexando a progressão na carreira a padrões exigentes de qualificação, o IPB foi acumulando um capital científico notável, que permitiu afirmar uma intensa atividade de investigação científica, claramente vinculada à instituição e à região, mas simultaneamente de elevado impacto internacional.

O IPB mobilizou-se, depois, em torno de um bem definido objetivo de internacionalização, constituindo-se progressivamente como a mais internacionalizada das instituições de ensino superior em Portugal. Também neste domínio, o IPB definiu um rumo que veio, mais recentemente, a tornar-se uma prioridade nacional e um objetivo perseguido pela maioria das Instituições de Ensino Superior (IES) portuguesas. A liderança que o IPB afirmou neste domínio permite-lhe manter a capacidade de atração de estudantes e investigadores estrangeiros, consolidando-se como uma instituição fortemente internacionalizada em todos as vertentes da sua atividade.

O IPB tem, agora, capacidade para se notabilizar como uma instituição de referência europeia e mundial, no contexto das Universidades de Ciências Aplicadas, concretizando projetos inovadores que integrem o ensino, incluindo planos de estudos e práticas pedagógica inovadoras, a investigação aplicada e a cooperação com empresas e organizações, em particular, através de programas mobilizadores, laboratórios colaborativos, parcerias estratégicas e laboratórios vivos, numa comunidade de aprendizagem multidisciplinar e multicultural.

No âmbito da mobilidade internacional, além do tradicional Erasmus, possuem parcerias com entidades de ensino de países de língua oficial portuguesa. E em termos de números, como tem sido a adesão a este programa?

A cooperação com Universidades e outras instituições do espaço lusófono tem sido uma prioridade do IPB, envolvendo todos os países de expressão portuguesa. Múltiplos projetos têm vindo a ser concretizados, desde o apoio ao desenvolvimento de algumas instituições de ensino superior (p.e. em Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Leste), à mobilidade de alunos, docentes e pessoal administrativo, à realização conjunta de projetos de formação e de investigação, bem como outros projetos de apoio ao desenvolvimento.

O IPB tem vindo a consolidar uma plataforma internacional de dupla diplomação envolvendo vários países de todo o mundo. No espaço lusófono destaca-se a parceria com a UTFPR: atualmente 33 projetos de dupla diplomação, num acumulado de 349 teses de mestrado em coorientação (desde 2014/2015); 45 publicações indexadas WoK/SCOPUS em coautoria e 87 comunicações em conferências em coautoria.

Destacam-se igualmente os projetos de dupla diplomação com o CEFET/RJ e CEFET-MG: 50 desde 2016/17, bem como com outras IES brasileiras, acumulando 84 estudantes em projetos de dupla diplomação de licenciatura e mestrado desde 2016/17.

Fora do espaço lusófono afirmam-se os projetos de dupla diplomação envolvendo 14 países da Europa de Leste, Norte de África e Ásia Central, incluindo sete mestrados e uma licenciatura do IPB, acumulando 161 estudantes internacionais recebidos para dupla diplomação, desde 2015/16.

Promover a mobilidade internacional como parte integrante do percurso de formação dos estudantes do IPB é, igualmente, um forte objetivo. Em 2017/18 estavam em vigor mais de 200 acordos bilaterais com 24 países europeus; 270 Estudantes Erasmus+ recebidos e 333 enviados; 210 Docentes/Staff Erasmus+ recebidos e 93 enviados. Assegurou-se um financiamento de 638,6 mil Euros para mobilidade Erasmus+

Destaca-se também a mobilidade no domínio dos estágios e da promoção da empregabilidade. O projeto “NOW Portugal Consortium – Internships for Employability”, para gestão de estágios na Região Norte e no Espaço Europeu, permitiu enviar 208 estudantes no âmbito deste Consórcio em 2017/18.

Deve notar-se que os programas Erasmus estão disponíveis tanto para alunos portugueses como alunos do espaço da lusofonia, que podem assim beneficiar de uma dupla experiência internacional.

O que procuram os alunos oriundos de países constituintes da CPLP em Portugal?

O IPB destacou-se na atração de estudantes estrangeiros, apostando simultaneamente nos países de expressão portuguesa e em estudantes não falantes do português, através da oferta de ciclos de estudos em língua inglesa. Os resultados obtidos colocaram a instituição num patamar de destaque a nível nacional e internacional. O IPB é hoje uma instituição multicultural, onde cerca de um terço dos seus estudantes possuem nacionalidade não portuguesa, de 70 países diferentes.

Este ambiente internacional e multicultural é claramente hoje uma imagem de marca do IPB, muito valorizada também pelos estudantes da CPLP. Neste ambiente, os alunos podem ter uma experiência internacional enriquecedora, estudando em português, mas tendo simultaneamente a oportunidade de aperfeiçoar o domínio do inglês, tendo em conta o ambiente internacional onde ficam imersos.

Por outro lado, a segurança das cidades da região, a excelente qualidade de vida e o ambiente acolhedor, são favoráveis ao crescimento da comunidade internacional. De entre as várias iniciativas emblemáticas de acolhimento dos estudantes internacionais, pode destacar-se a participação de equipas de diversas modalidades em torneios nacionais e regionais, em particular a equipe de futebol de onze da Associação de Estudantes Africanos do IPB, que participa nos campeonatos nacionais sénior (Associação de Futebol de Bragança – Divisão de Honra) e taça de futebol, ou ainda a existência de um espaço inter-religioso, onde todas as confissões podem realizar as suas orações e celebrações religiosas. Todas estas iniciativas evidenciam o ambiente multicultural que se vive no IPB.

Por outro lado, o que tem Portugal de melhor a oferecer a estes alunos?

Portugal é, principalmente, a cultura portuguesa. Uma das mais fortes e estáveis do Mundo. Sobretudo porque se baseia no respeito pelos outros, na tendência natural dos portugueses para se relacionarem com os que são diferentes, aprendendo e negociando com eles, mas nunca perdendo a sua identidade. Portugal é também a língua. Uma comunidade em crescimento, de cerca de 275 milhões de falantes espalhados por todo o mundo.

Acresce que Portugal é dotado de um conjunto de atributos que o torna um dos países mais atrativos do mundo: um país seguro, culturalmente vibrante, com um nível de serviços públicos elevado e um excelente ambiente natural.

Conjugado com este conjunto de atributos, Portugal dispõe de um sistema de ensino superior que está entre os melhores do mundo e com capacidade excedente face à procura interna. Pode, portanto, afirmar-se como um dos setores exportadores do país, atraindo estudantes internacionais. Esta “exportação” de formação superior é altamente virtuosa, na medida em que, para além do efeito económico direto, tem um efeito multiplicador muito elevado, seja na atração de mão-de-obra qualificada, investimento, ou na criação de um capital de confiança associado à formação de elites presentes em vários países do mundo.

O fator língua é uma das grandes vantagens para estes estudantes. Que outras existem?

A identidade cultural associada à lusofonia não se esgota, claramente, numa língua comum. Muitos outros fatores estruturam esta cultura e identidade partilhada por vários povos. Nessa medida, os estudantes da CPLP encontram em Portugal e no IPB um ambiente cultural e um sistema de valores que lhes é familiar e no qual se torna mais fácil desenvolver a sua formação académica e humana.

A mobilidade internacional é importante para que se fomentem novos conhecimentos e experiências que se poderão tornar relevantes para o futuro. Acredita que esta deve ser uma vivência que todos os alunos deverão experienciar? Porquê?

A existência de uma experiência de mobilidade no percurso académico dos alunos é uma forte prioridade da União Europeia, mas também da CPLP. A AULP criou o “Programa Mobilidade AULP”, um programa de mobilidade académica que abrange exclusivamente o intercâmbio de alunos entre instituições dos países de língua oficial portuguesa e Macau.

Considerando a experiência do IPB, que supera já largamente as metas de mobilidade da União Europeia, os alunos que se envolvem neste tipo de programas têm taxas de empregabilidade mais elevadas e níveis remuneratórios mais altos. São, portanto, profissionais que desenvolveram melhores capacidades que o mercado de trabalho valoriza nos dias de hoje.

Como descreveria o papel que a IPB assume na passagem dos alunos para o mundo laboral?

Neste âmbito, o IPB desenvolve múltiplas atividades de incentivo ao desenvolvimento de capacidades empreendedoras nos alunos, de apoio à consolidação de ideias de negócio e de promoção da empregabilidade. Neste contexto é fundamental o estabelecimento de algumas parcerias que estimulem a geração de um ambiente favorável ao desenvolvimento de iniciativas empresariais. Fruto da atividade dos últimos três anos, surgiram 15 novas empresas (StartUps), acumulando um investimento inicial superior a 3 milhões de Euros e cerca de 50 postos de trabalho altamente qualificados criados diretamente. Estes valores foram, entretanto, multiplicados, fruto do crescimento destas empresas.

O IPB tem vindo a promover um acompanhamento com os seus antigos estudantes. Qual a importância desta iniciativa?

O acompanhamento dos alumni do IPB é uma prioridade. Foi desenvolvida uma plataforma que suporta a empregabilidade, mas que também permite o contacto e acompanhamento do curriculum profissional dos antigos alunos. Outras iniciativas e encontros são realizados com regularidade.

Por outro lado, os melhores embaixadores do IPB são os antigos alunos. São eles o veículo mais importante na captação de novos alunos pela mensagem favorável que transmitem da instituição.

Bragança foi considerada uma das cidades com melhor qualidade de vida, obtendo as pontuações mais elevadas nos campos da habitação, da segurança e da qualidade do meio ambiente. Estes índices têm-se traduzido em número de inscrições no IPB?

Na verdade, Bragança tem visto a sua qualidade de vida traduzida em posições de destaque nos rankings de cidades que têm vindo a ser divulgados, seja o da Ordem dos Economistas, da DECO ou da Bloom Consulting. Os indicadores ambientais, de segurança, qualificação das pessoas, oferta de serviços (nomeadamente ensino e investigação), capacidade exportadora, baixo custo de vida, entre outros, colocam sempre Bragança, bem como Mirandela, em posições de destaque.

Estes factos são, naturalmente, potenciadores da capacidade de atração de alunos internacionais pelo IPB. Sobretudo, quando são os próprios antigos alunos a demonstrar um grande nível de satisfação pela experiência que viveram em Bragança.

Como descreveria o que significa estudar no politécnico de Bragança?

Estudar no Politécnico de Bragança significa uma experiência rica e multifacetada de qualificação e de vida. Contudo, podem destacar-se alguns aspetos mais relevantes da academia IPB: uma formação inovadora e de excelência científica (comprovada pela presença do IPB entre as 20% melhores Universidades a nível mundial em todos os principais rankings internacionais), multiculturalidade, criatividade e inteligência afetiva.

Na verdade, a intensidade das relações humanas que se estabelecem no ambiente académico do IPB e o contexto de excelência científica em que os estudantes são formados, permitem imprimir aquelas características na sua formação.

O que diria aos futuros alunos da IPB que vão ler a sua entrevista?

Basicamente, diria que escolham o IPB e que sejam felizes. Na verdade, a felicidade não se promete. Porém, o carácter inovador das formações do IPB, a excelência científica da instituição e a intensidade das relações humanas criadas num ambiente próximo e multicultural, geram um contexto onde, com grande probabilidade, os nossos alunos serão felizes.