No entanto, é em 2016 que o ISEL conhece um novo ciclo e inicia um processo de crescimento ímpar, do qual o atual presidente do ISEl, professor Jorge Mendes de sousa, e a vice-presidente de relações externas, professora Lúcia Fernández-Suárez, se orgulham.

 

 

Biografia

Jorge Sousa, presidente

Jorge Alberto Mendes de Sousa tem 48 anos e foi eleito presidente do Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL) para o quadriénio 2016-2020. É licenciado e mestre em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (Instituto Superior Técnico) e doutorado em Economia (Nova SBE).

Em 1998 iniciou as funções no ISEL, onde possui a categoria de professor coordenador na Área Departamental de Engenharia Eletrotécnica de Energia e Automação (ADEEEA), da qual foi presidente no período 2014-2016. É coordenador do Grupo Disciplinar de Sistemas de Energia, do Grupo de Investigação em Sistemas de Energia, tendo iniciado e coordenado a pós-graduação em Engenharia e Gestão de Energias Renováveis (EGER) e o programa ISEL Energy Week.

No domínio científico, é investigador integrado do INESC-ID e membro do seu conselho científico, tendo sido investigador associado do MIT/Center for Energy and Environmental Policy Research no período 2008-2011.

Os seus domínios de investigação centram-se na área dos sistemas de energia, nomeadamente energias renováveis, mobilidade sustentável, mercados de energia e gestão de risco, usando abordagens essencialmente centradas em modelação e simulação numérica.

Antes de ingressar na carreira académica desempenhou funções na EDF – Electricité de France (Clamart/Paris), na EDP – Eletricidade de Portugal (Labelec) e no INTERG – Instituto da Energia.

É membro fundador e vice-presidente da Associação Portuguesa de Economia de Energia (APEEN), membro da Ordem dos Engenheiros, da Ordem dos Economistas e membro da direção do IEEE/PES em Portugal.

Como Presidente do ISEL está fortemente empenhado e comprometido com o desenvolvimento da instituição de forma a torná-la líder mundial na abordagem aos desafios societais do terceiro milénio.

Biografia

Lucía Fernández-Suárez, vice-presidente

Lucía Fernández-Suárez tem 47 anos e é vice-presidente do ISEL para as Relações Externas desde 2016. Natural das Astúrias, é também professora coordenadora com nomeação definitiva na Área Departamental de Matemática (ADM) do ISEL. Licenciada em Matemática pela Universidade de Santiago de Compostela (Espanha) e detentora de um  D.E.A. em Matemática pela Université des Sciences et Tecnhologies de Lille (França), obteve o doutoramento europeu em Matemática em 1998, nessas universidades, na área de Geometria e Topologia.

Atualmente, desenvolve investigação na área de Topologia Algebraica. Neste âmbito realizou estadias de investigação na University of Rochester (EUA), no Fields Institute (Canadá) e na Université Catholique de Louvain-La-Neuve (Bélgica). Iniciou a sua carreira docente em 1995 como professora assistente na Faculté Livre des Sciences de Lille (França). De 1996 até 1998 trabalhou também como professora assistente na Université des Sciences et Technologies de Lille.

Em 1999 começou o seu percurso em Portugal, sendo professora auxiliar do departamento de Matemática da Universidade do Minho. Desde março de 2011 que é professora coordenadora com nomeação definitiva na Área Departamental de Matemática (ADM) do ISEL, lecionando habitualmente unidades curriculares na secção de Álgebra. Participou em quatro projetos de investigação internacionais (três pela FCT e um pela GRICES/CNRS), tendo sido investigadora responsável em dois deles. É acérrima defensora da divulgação da matemática, tendo pertencido à direção da Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM), entre 2008 e 2014, e organizado, nesse período, diversas “Tardes da Matemática – SPM” que percorreram Portugal de Norte a Sul.

Engenharia do futuro

O ISEL é uma instituição pública que iniciou em 1974 o seu percurso no ensino superior. Depois de um trajeto complexo e com três fases bem vincadas na sua história, é hoje uma referência no ensino da engenharia em Portugal.

Implantado num campus com 60.000 m2 na freguesia de Marvila, o ISEL conta atualmente com 11 licenciaturas, 11 mestrados complementados com pós-graduações e laboratórios com tecnologia avançada que apoiam as atividades de ensino, pesquisa e desenvolvimento do ISEL.

Daqui resulta a extensa rede ISEL da qual todos se orgulham: os cerca de 4000 alunos, 369 professores, 110 colaboradores dos serviços administrativos, antigos alunos e as empresas parceiras.

Uma das prioridades estratégicas do Acordo de Parceria do Portugal 2020 traduz-se na necessidade de qualificar as infraestruturas de Investigação e Inovação, i.e., centros tecnológicos, centros de transferência de tecnologia, institutos de novas tecnologias, parques de ciência e tecnologia, bem como de incubadoras de empresas de base tecnológica, com o objetivo final de promover uma atuação cada vez mais próxima e orientada para as necessidades efetivas do tecido empresarial português.

Com parcerias de sucesso com o tecido empresarial e com instituições públicas, o ISEL assume um papel de relevo no Ensino Superior — e também no país — no que se refere à transferência de conhecimento científico e ao trabalho desenvolvido em prol da comunidade.

Percorra connosco o campus do ISEL ao longo desta reportagem e conheça alguns dos inúmeros – e não menos importantes – projetos e iniciativas que convertem esta singular organização numa verdadeira instituição de engenharia do futuro.

ISEL ENERGY WEEK

A Semana da Energia é uma iniciativa do ISEL que conta já com a sua 4.ª edição e que pretende, durante uma semana, organizar atividades dirigidas aos alunos dos 10.º, 11.º e 12.º anos, mas também aos estudantes do ensino superior da área de engenharia, a docentes do ISEL e a quadros de empresas parceiras.

O ISEL Energy Week terá lugar de 8 a 12 de julho e inclui diversas visitas a instalações ligadas à área de energia, incluindo energias renováveis. Os participantes do ISEL Energy Week são integrados em cinco equipas que realizam diversas atividades ao longo da semana. Cada equipa tem uma composição mista de professores, colaboradores das empresas parceiras, alunos do secundário e alunos do superior. No último dia será anunciada a equipa vencedora, em função do seu desempenho.

ISEL ALIVE

O ISEL Alive, que vai entrar na sua 7ª edição, é um curso de verão destinado aos jovens do ensino secundário que pretendem escolher uma carreira na área da engenharia. Durante cinco dias é-lhes prestada toda a informação sobre os diversos cursos de engenharia e licenciaturas que o ISEL tem para oferecer: Engenharia Biomédica; Engenharia Civil; Engenharia Eletrónica, Telecomunicações e Computadores; Engenharia Eletrotécnica; Engenharia Informática e Computadores; Engenharia Informática e Multimédia; Engenharia Informática, Redes e Telecomunicações; Engenharia Mecânica; Engenharia Química e Biológica; licenciatura em Matemática Aplicada à Empresa; e licenciatura em Tecnologias de Gestão Municipal.

ALUMNI

Com mais de 50.000 ex-alunos, o ISEL privilegia a proximidade dos seus alumni, reconhecendo a sua importância na divulgação da instituição junto das entidades empregadoras e da sociedade em geral. “O processo de construção não faz sentido sem vocês, os antigos alunos”, sustenta Jorge Mendes de Sousa.

No ano passado teve lugar o primeiro Encontro Alumni ISEL, que promoveu o reencontro de várias gerações de estudantes com o objetivo de estimular uma ligação intergeracional entre os alunos e construir uma visão partilhada sobre as áreas de engenharia.

Aqui foram destacados projetos de alumni de diversas áreas de engenharia que, através do seu desempenho profissional, têm ajudado a prestigiar o nome do ISEL.

“Com a rede de alumni começámos a ter noção da projeção internacional do ISEL”, explica o presidente. u

FIT – Future Internet Technologies

O FIT é uma iniciativa recente e conjunta de docentes do ISEL que partilham o objetivo de dinamizar a inovação e a transferência tecnológica para a sociedade em geral, promovendo as competências técnicas e científicas existentes no ISEL em áreas que refletem a experiência e conhecimento dos seus membros. Destacam-se as competências em cidades inteligentes, internet das coisas, sistemas de transportes inteligentes, comunicações críticas, redes celulares móveis, bem como toda a componente de analítica de dados associada a estas áreas. A iniciativa conta já com um número relevante de parcerias que visam dinamizar projetos de I&DT nas suas áreas de interesse. Brevemente, o ISEL vai assinar um protocolo com a Câmara Municipal de Lisboa (CML) que se traduz na aplicação da Inteligência Artificial, Aprendizagem Automática, Big Data e outros processos aplicados aos dados que surgem de múltiplos sistemas IT internos e externos à CML, permitindo extrair nova informação para suportar o apoio à decisão preditiva em relação a problemas na cidade. Em suma, o objetivo é melhor sentir a cidade, em tempo real, e transformar essa informação ao serviço do cidadão.

Professor Nuno Cruz

“O FIT não é necessariamente um projeto. Poderá ser visto antes como um grande conjunto de projetos que envolveu pessoas de diversos grupos que se juntaram e formaram o FIT. Vieram de áreas diferentes para a criação de projetos de alguma dimensão.

Estamos neste momento a apoiar a Câmara Municipal de Lisboa (CML), que está a construir uma plataforma de cidade inteligente através da sua especificação e validação.

No início, a CML reuniu os requisitos funcionais e nós os requisitos não funcionais, assim como os desafios tecnológicos e boas práticas.

O município de Lisboa pretende com este projeto criar uma monitorização constante do que se passa nas ruas, sem ter ninguém a vigiar (cumprindo as diretivas ligadas à privacidade) e de forma a agir rapidamente perante incidentes. O projeto integra múltiplas fontes de informação, nomeadamente câmaras de vigilância espalhadas pela cidade, onde são automaticamente detetados diferentes tipos de incidentes, e a informação passa a ser gerida numa sala onde estão despachadas as forças e meios de segurança que vão ocorrer ao evento identificado. Neste momento está a ser projetada a sala física onde as equipas permanentes vão “sentir” a cidade.

Na vertente internacional, o FIT também já colabora em projetos que vão testar a aplicabilidade das novas redes 5G aos veículos autónomos, como o 5G-MOBIX e o C-STREETS, assim como criar corredores rodoviários onde a comunicação com veículos e outros intervenientes será possível (V2X).

Exportar conhecimento ao serviço da comunidade é o principal objetivo da equipa FIT. Alunos e docentes são bem-vindos a participar.”

 

Formula Student

A Formula Student é a mais prestigiada competição de engenharia universitária. É disputada anualmente em vários circuitos de Fórmula 1 espalhados por todo o mundo.

Na Formula Student é desenvolvido um veículo monolugar que vai a competição. Existem duas classes, 1 e 2, sendo que na classe 2 o veículo vai a competição em projeto (protótipo), enquanto que na classe 1 a equipa tem de construir o veículo e competir com o mesmo. Para além das provas de verificação das boas práticas de engenharia, existem também provas de teste do veículo. Podem participar veículos a gasolina, elétricos e autónomos.

“Com um excelente desempenho, o primeiro veículo desenvolvido pelos nossos alunos foi de motor de combustão interna. No ano passado foi desenvolvido um veículo de motor elétrico que em 2017, na FSUK e em classe 2, trouxe para casa o prémio de primeiro lugar em Business”, diz-nos Jorge Mendes de Sousa, acrescentando também ter conhecimento de alunos que escolhem formar-se no ISEL devido à atratividade do projeto Formula Student.

“Esta é uma associação sem fins lucrativos, um projeto académico formado por alunos que gostam de automobilismo e com um projeto em comum: construir um carro de competição. Este ano é elétrico e feito a pensar no ambiente.

Esta associação está aberta a qualquer aluno do ISEL que queira participar. Neste momento somos 23, todos de engenharias diferentes e unidos para projetar um carro de competição.

A Formula Student é uma mais-valia porque é um espaço em que a teoria ganha vida e põe os alunos em contacto com o mundo do trabalho. Não existe um horário fixo, aquilo que é pedido é que cada aluno disponibilize um mínimo de cinco horas semanais e que cada um trabalhe quando pode. Esta é uma competição de engenharia e existem júris da área cujo objetivo é aplicar o que se aprende nas aulas e o que é esperado no mundo do trabalho. Este ano, a equipa participará nas competições em Itália e na Alemanha. Há dois anos ganhámos o prémio “Best Business Presentation” no Reino Unido por termos tido uma boa performance na hora de “vender” o nosso carro. Este ano queremos o prémio máximo e é para isso que estamos a trabalhar”.

Evolução cronológica:

2013-2014

Projeto

do IFS01

Projeta-se o primeiro carro da equipa, o IFS01.

O conceito desenvolvido é o de um veículo a combustão que tem como principais características a leveza, fiabilidade e simplicidade.

A equipa participa na competição de Silverstone de 2014 em classe 2, classe de projeto, onde termina em terceiro lugar.

2014-2015

Construção do IFS01

Após o excelente resultado obtido em classe 2 em Silverstone e altamente motivada, a equipa inicia a construção do IFS01.

Nesse ano compete-se com o protótipo em Barcelona, tendo havido uma resposta muito positiva dos júris. O IFS01 destaca-se como o melhor carro de 1.º ano na competição.

2015-2016

IFS01 EVO

O ano é dedicado a implementar melhorias no IFS01 a vários níveis.

Na competição Formula Student Czech Republic 2017 nota-se um desempenho consideravelmente superior do IFS01.

2016-2017

Projeto

do IFS02

É um ano em que a ambição continua a guiar os objetivos coletivos ao projetar-se o primeiro carro elétrico da equipa, o IFS02.

Os objetivos são bastante semelhantes ao do IFS01, focando-se na leveza, fiabilidade e simplicidade.

2017-2018

Construção do IFS02e

Após o excelente resultado obtido em classe 2 em Silverstone e altamente motivada, a equipa inicia a construção do IFS02e.

O protótipo é levado a competição em Barcelona, tendo havido uma importante resposta dos júris.

2018-2019

IFS02e EVO

O ano é dedicado a implementar melhorias no IFS02e a vários níveis.

 

Oficina Digital (ODI)

“Esta é uma oficina onde os alunos podem concretizar projetos mas é sobretudo um espaço de intercâmbio, partilha de conhecimento científico e de engenharia. Temos várias impressoras 3D, em que os alunos imprimem objetos que desenharam, ferramentas manuais, material de eletrónica, tudo num mesmo espaço aberto e acessível para a concretização de projetos e ideias.

Este maker space é dedicado à comunidade MAKER do ISEL e é catalisado pelo professor Tiago Charters Azevedo que é um membro muito ativo nesta comunidade. Os interesses são dos mais variados e vão desde a fabricação digital, à impressão 3D, à robótica eletrónica educativa, robots autónomos e interativos ou computação física.

Neste momento temos uma equipa de dez alunos regulares e professores. Todas as semanas vamos tendo alunos novos. É uma oficina interdisciplinar e é esta interdisciplinariedade, que normalmente não está presente em muitos projetos no ensino superior, a característica e a razão principal da existência da Oficina Digital do ISEL: colaborar e fazer coisas em conjunto podia ser o nosso lema”.

 

Rúben Costa e Silva, Presidente da Direção da AEISEL

Este ano serão assinalados os 20 anos desde a Declaração de Bolonha, que deu início a uma revolução no ensino superior dentro da União Europeia, permitindo quebrar barreiras de mobilidade para os estudantes das instituições da UE e com o objetivo de elevar a competitividade internacional do sistema de ensino europeu. Desde então, foram escassas as alterações levadas a cabo no âmbito de evoluir e reformar o ensino superior na Europa, priorizando investimentos nos demais setores.

O tempo para repensar e reconstruir as metodologias de ensino em Portugal urge, sendo necessárias medidas que se baseiem em novas abordagens e que façam uso das mais recentes tecnologias didáticas. O próprio estreitar de diferenças entre os dois subsistemas públicos, universitário e politécnico, deveria ser um ponto de partida, onde seria importante definir um sistema universitário progressivamente mais ligado à investigação divergindo do politécnico, mais próximo da realidade corporativa. Não incentivar e reforçar estas diferenças, leva-nos a equacionar a existência destes dois subsistemas simultaneamente, dado que, por exemplo, os doutoramentos nos politécnicos já são um assunto de debate.

Recentemente, recebemos a notícia da redução das propinas. Apesar de ser uma notícia que nos animou, deixa a seguinte questão: é mais urgente criar uma maior oportunidade de acesso a um ensino superior desatualizado ou melhorar a sua qualidade para as gerações futuras?

 

Licenciatura em Matemática Aplicada à Tecnologia e à Empresa (LMATE)

Com um desenho inovador, a licenciatura em Matemática Aplicada à Tecnologia e à Empresa (LMATE) conta já com três anos de existência e tem na sua génese a parceria de cerca de duas dezenas de empresas que trabalharam juntamente com a Área Departamental de Matemática do ISEL para a sua constituição. As licenciaturas têm, por norma, pouca interação com as empresas, mas este modelo procura ser diferente. “As empresas foram chamadas para ajudarem a desenhar e a conceber este curso à medida das expectativas e das necessidades do mercado de trabalho”, refere o presidente do ISEL.

Os alunos têm, desde o primeiro ano, seminários onde são apresentados problemas e onde são elucidados para a aplicação da matemática na resolução dos mesmos. Alguns destes problemas são resolvidos nas aulas de disciplinas do curso, enquanto outros são temas de estágio que os alunos poderão vir a escolher, uma vez que a LMATE integra um estágio numa das entidades parceiras no terceiro ano. Os alunos desta licenciatura podem ainda personalizar a sua formação de acordo com a área em que querem trabalhar no futuro, escolhendo as várias disciplinas de opção entre as áreas da matemática, física ou engenharia de acordo com os seus interesses.

Professora Sandra Aleixo

“Este curso surgiu quando era ainda presidente da área departamental e teve origem numa vontade de fazer algo diferente. Começámos por perspetivar o que é que havia no mercado nacional e internacional sobre cursos de matemática que tivessem um diferencial e, dentro da matemática aplicada, vimos que não havia um curso com estágio integrado, ou seja, não havia um curso ligado ao mundo do trabalho e isso deu-nos a ideia de procurarmos as nossas entidades parceiras para perceber o que eles gostariam de ver integrado dentro das disciplinas, para que de algum modo os ajudasse a trabalhar melhor nas suas empresas. Foi este o ponto de partida à estruturação deste curso. Normalmente, os cursos são feitos de dentro da instituição para fora e aqui foi ao contrário. Foi pensado das empresas para dentro da sala de aula, pois o que pretendemos é criar uma maior proximidade com o ambiente de trabalho”.

 

Estudante de LMATE, Inês Rodrigues

“Quando escolhi este curso não tinha a perfeita noção de como ele seria. É mais específico do que esperava, mas está a ser uma experiência muito positiva pela vertente prática que existe e pela ligação estreita às empresas. Com isto sei que vai ser mais fácil ingressar no mundo do trabalho”.

 

Engenharia Biomédica

Com uma licenciatura e mestrado em Engenharia Biomédica, o ISEL visa formar profissionais com competências multidisciplinares em tecnologias de diagnóstico e terapêutica, aptos para uma intervenção em áreas estratégicas do mercado de trabalho da engenharia associadas à medicina e saúde em geral, e oferecer uma formação multidisciplinar e abrangente na área de interface entre a engenharia e a medicina, respetivamente, uma área de crescente procura no mercado nacional e internacional.

A criação faz-se com investigação. Daí ter sido acrescentada a este curso uma forte componente da área de investigação, a aliada do ensino superior, pois este só existe com a investigação, uma vez que somos, simultaneamente, produtores e transmissores de conteúdos.

Com o objetivo de promoção da engenharia biomédica, o ISEL fomentou a instalação de um novo laboratório de investigação e desenvolvimento (I&D) nas áreas de interface engenharia-saúde, o “Laboratório de Engenharia e Saúde (ES)”, no qual se desenvolve investigação com foco na bioengenharia aplicada à medicina.

O laboratório resulta de um protocolo de colaboração entre o Instituto Politécnico de Lisboa e a Universidade Católica Portuguesa (UCP) cujo objetivo principal é servir a sociedade portuguesa através da promoção de investigação em engenharia biomédica. As suas linhas principais de ação resultaram de projetos iniciados na Faculdade de Engenharia da UCP.

O laboratório apresenta infraestruturas e equipamentos para realizar trabalho em engenharia biomolecular (como de engenharia genética), microbiologia e de engenharia de células e de tecidos e análises baseadas em eletroforese (1 e 2D), western-blotting, imunocitoquímica, cromatografia, espectroscopia (VIS, UV, IV, Raman e de fluorescência) e de microscopia ótica, de fluorescência e de infravermelho.

Cecília Calado, coordenadora do Laboratório ES, detém uma vasta experiência em projetos de I&D nacionais e internacionais e procura agora alicerçar o funcionamento do laboratório em mais parcerias, nomeadamente com a indústria farmacêutica, hospitais e outras instituições de saúde, com vista ao desenvolvimento de projetos inovadores na área da engenharia biomédica.

 

Professora Cecília Calado

“A licenciatura em Engenharia Biomédica vem complementar as restantes formações em engenharia do ISEL, promovendo-se uma área com um dos maiores desenvolvimentos tecnológicos e de maior procura de profissionais com formação superior. Por exemplo, o “Bureau of Labor Statistics” dos EUA estima um crescimento médio de procura de engenheiros biomédicos de 23% ao ano no decurso da próxima década. De forma a acompanhar esta evolução tecnológica é fulcral que os docentes associados ao curso sejam também eles promotores de inovação, seja através de investigação seja em colaboração com instituições de saúde. No meu caso, tenho efetuado pesquisa de biomarcadores para apoio ao diagnóstico médico e de desenvolvimento de plataformas de pesquisa de antibióticos e de deteção rápida de resistências a antibióticos. Exemplos de projetos que temos a decorrer no laboratório, em que estão inseridos alunos do mestrado em Engenharia Biomédica e outros de doutoramento, como o Luís Ramalhete, são: pesquisa de biomarcadores em biofluídos, como de sangue ou suor, para prever o estado funcional do rim e identificação de processos de rejeição de transplantes renais; novos métodos de deteção de ativação de linfócitos para imunodiagnósticos e imunoterapias mais eficientes.“

Estudante Filipa Pires

“Sempre gostei da área de biomédica, principalmente da área que engloba células estaminais. Com a licenciatura em Bioquímica queria alargar o conhecimento e o mestrado em Engenharia Biomédica foi a melhor alternativa”.

Estudante Rúben Araújo

“Além de ser estudante do mestrado em Engenharia Biomédica, sou Chair do Student Branch do IEEE-ISEL. O IEEE constitui a maior organização mundial de profissionais técnicos, tendo sido criado o ano passado o student branch do ISEL da EMBS (Engineering in Medicine and Biology Society). Esta associação profissional, também de engenheiros biomédicos, disponibiliza diversos contactos e oportunidades de emprego. É, sem dúvida, uma mais-valia para os estudantes de engenharia biomédica. Pessoalmente, sou licenciado e mestre em engenharia mecânica pelo ISEL, tendo trabalhado brevemente em Portugal como engenheiro mecânico na Siemens. Depois aproveitei uma oportunidade para ir trabalhar na Noruega, mais concretamente na engenharia petrolífera, após uma entrevista no ISEL proporcionada pela rede EURES. No entanto, e embora tenha adorado o trabalho de engenharia, os colegas e condições de trabalho, senti que não estava a acrescentar nada à humanidade e que algo tinha de mudar. Por isso mesmo, acabei por dar outro rumo à minha vida e acabei por aterrar na biomédica, onde finalmente posso trabalhar para o próprio lema do IEEE e “proporcionar o avanço da tecnologia em prol da humanidade”. O meu maior interesse pela biomédica está relacionado com a possibilidade de unir a parte biológica à engenharia, onde os temas de Big Data e de Aprendizagem Automática são os que mais me prendem a atenção”.

 

Licenciatura em Conservação e Reabilitação Urbana (LCRU)

A área de engenharia civil sofreu um duro golpe devido à crise económico-financeira mundial, que teve grandes repercussões na Europa. Sendo o ISEL uma instituição muito ligada à aplicação, também ele sentiu estas repercussões. No entanto, o ISEL soube contornar a situação de forma inteligente e conseguiu olhar com a devida atenção para a emergente área da reabilitação urbana.

A reabilitação urbana é uma área absolutamente incontornável na Europa e esse é, por agora, o verdadeiro desafio ao qual o ISEL quer responder prontamente.

 

Professora Carla Costa

“Em qualquer país cujo património edificado já esteja consolidado, como é o caso dos países europeus, torna-se vital reabilitar. No entanto, atualmente, a necessidade e, sobretudo, a pertinência da reabilitação decorre sob três fatores: por um lado, vivemos num país que já tem um património edificado consolidado e, por outro lado, temos consciência de que necessitamos de uma reabilitação sustentada, dando bastante importância à preservação do património cultural e histórico.

É nessa perspetiva que a reabilitação urbana foi considerada um desafio estratégico e um desígnio nacional.

Com um forte património construído é necessário, agora, mantê-lo. No entanto, reabilitar não é só manter os níveis de funcionalidade, é também adequar aos novos padrões de vida. Os padrões de vida estão a alterar-se de tal forma que precisamos de uma reabilitação adaptada às exigências e necessidades atuais.

Com a expressão do setor de conservação e reabilitação a aumentar significativamente, a perspetiva futura do setor e a empregabilidade são satisfatórias.

O peso significativo das obras de reabilitação no universo da construção nos países europeus, Portugal incluído, está associado: à elevada extensão do parque edificado nestes países, que progressivamente se degrada; às crescentes exigências dos consumidores em termos de conforto, de segurança e de utilização de novas tecnologias; à necessidade de realizar ajustamentos funcionais a novos modos de vida; e à consciência da importância de preservar construções históricas e culturais.

Portanto, o curso LCRU pretende — com base, por um lado, na experiência científica e profissional dos docentes e, por outro lado, dispondo de um plano pragmático com ênfase teórica e prática relevante na inspeção, no diagnóstico, bem como nas patologias de materiais e da construção — preparar profissionais para intervirem especificamente ao nível do parque edificado em meio urbano.

O curso LCRU pretende, também, preparar profissionais com formação superior aptos tanto para enveredarem na atividade ao fim de três anos de curso (seis semestres) no setor da reabilitação urbana como para continuarem os seus estudos de forma a obterem uma maior especialização com a realização de um mestrado na mesma área ou numa área afim”.

 

Centro de Tecnologias e Sistemas (CTS) – Polo ISEL

O CTS é o Centro de Tecnologias e Sistemas que está sediado no UNINOVA – Instituto de Desenvolvimento de Novas Tecnologias. O ISEL constitui, desde 2007, um polo de investigação do CTS, liderado pela professora doutora Manuela Vieira e que conta com oito investigadores integrados e colaboradores que trabalham na área da micro e da optoeletrónica.

Investigação Alessandro Fantoni e Paula Louro

“Somos um grupo de professores e investigadores do ISEL do departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Computadores. Uma das linhas de investigação que desenvolvemos prende-se com a tecnologia Comunicação por Luz Visível (Visible Light Communication, VLC), que utiliza a luz emitida pelas lâmpadas LED para, simultaneamente, iluminar e transmitir informação. Esta tecnologia tem diversas aplicações, tais como serviços de posicionamento e navegação ou controlo de tráfego usando a iluminação LED das infraestruturas e dos veículos. É uma tecnologia muito promissora no domínio das comunicações, prevendo-se a sua inclusão no 5G (5.ª geração de internet móvel). Esta área tem sido desenvolvida no seio do departamento e envolve alunos de doutoramento e mestrado.

Em paralelo, trabalhamos também com dispositivos biomédicos. Em parceria com outras instituições, estamos a trabalhar num projeto para o desenvolvimento de dispositivos sensores que permitam a deteção da doença insuficiência renal aguda.

A divulgação científica é realizada em conferências internacionais com publicação em revistas indexadas. O financiamento provém de projetos nacionais e internacionais em parceria com outras instituições.”