Que padrões são estes que têm contribuído para o crescimento e consolidação da marca?

A Broll Moçambique, de direito Moçambicano, é participada pela Broll Property Group, que gere cerca de 41 milhões de m2 em propriedades, em 15 países africanos, a maior empresa de serviços imobiliários pan-africana. Adicionalmente representa em exclusivo a Cushman & Wakefield, para África. A atividade transfronteiriça é alicerçada na adoção de melhores práticas internacionais e no seguimento dos standards de indústria, por exemplo as regras do RICS. Adotámos desde início estes princípios de governação e impusemo-nos a obrigatoriedade de auditorias financeiras anuais, pela PWC, e gestão da qualidade, de modo a demonstrar a nossa integridade e independência no negócio imobiliário. Estes comportamentos potenciaram o acesso aos clientes corporativos. O nosso foco é nos serviços imobiliários corporativos, e isso obriga-nos a evoluir com uma rapidez acima da média, com colaboradores num nível de especialização que nos diferencia.

A Broll Property Group, juntamente com as suas subsidiárias africanas, agregam valor a inúmeros investidores e negócios em toda a África Subsaariana. Qual é a visão do grupo e, logicamente, a visão da Broll Moçambique?

A Broll não limita a sua participação apenas ao negócio, mas tem em conta a criação de empregos qualificados e oportunidades em África. Enquanto negócio estabelecido neste continente, a visão é a de se posicionar, não como o melhor dos piores globalmente, mas de estar e participar a par dos grandes intervenientes no setor. A Broll Moçambique partilha esta ambição, atuando num país onde o imobiliário dá os primeiros passos. O nosso caminho é apenas mais longo. Somos uma força para a ação. Partilhamos a paixão por novas ideias. Somos aventureiros, mas especializados nas nossas atividades. Somos mentes inquiridoras, adoramos as nossas pessoas, e pomos o nosso cliente primeiro.

Que mais-valias apresentam junto dos vossos clientes de forma a acrescentar valor aos seus negócios?

Ao especializarmos neste segmento, trazemos a experiência que nos coloca muito à vontade quando assessoramos os nossos clientes nas regras que se aplicam. Quando estabelecemos e aconselhamos estratégias de comercialização. Quando demonstramos o nosso conhecimento profundo do mercado. Quando gerimos e operamos as propriedades criando diferenciação que potencia negócio, quer para os investidores quer para os ocupantes dos espaços. A nossa presença assenta num quadro de profissionais com experiência e com presença em Moçambique com muitos anos de atividade no setor imobiliário.

Acumulamos um vasto conhecimento da legislação em vigor, de procedimentos contabilísticos e financeiros, experiência na montagem de operações de estruturação financeira de imóveis, incluindo o funcionamento de fundos imobiliários e operações em bolsa. Igualmente no dia a dia das operações dos imóveis, da manutenção à gestão das expectativas dos ocupantes dos edifícios e da maneira como potenciam o seu negócio neste ou naquele espaço imobiliário. Somos responsáveis pela gestão dos principais Centros Comerciais como o Baia Mall, e de alguns dos mais avançados edifícios de escritórios como o Platinum, um investimento português, ou o MBT. Trabalhamos para clientes internacionais, empresas como a ExxonMobil, ou a BHGE.

Para investidores internacionais como a Actis. Para quase todos os bancos que operam em Moçambique, algumas seguradoras e empresas locais que detém portfólios imobiliários a necessitar de otimização como a TMCEL. Trabalhamos com dezenas de Prestadores de Serviços nacionais e internacionais. Os nossos clientes têm obrigações muito claras relativamente aos imóveis que detém ou onde se estabelecem. Estão sujeitos a regulamentação e conformidade internacional que ajudamos a observar. É isso que fazemos e é esse o valor que aportamos aos nossos clientes.

Qual tem sido a estratégia da Broll Moçambique para relançar o mercado imobiliário moçambicano?

Focámo-nos no imobiliário existente, essencialmente projetos lançados em 2013/14, dando-lhes vida. As Torres Rani, o Baia Mall, o edifício MBT e mais recentemente o Edifício Platinum e o Centro Comercial Marés necessitavam de um parceiro especializado quer na comercialização quer na gestão. E reinventamos o mercado. Literalmente. Por exemplo no comércio em centros comerciais, desdobramo-nos em contactos com as marcas internacionais e com clientes âncora, percebemos o seu negócio e investimos em parcerias com investidores locais de modo a criarmos franchisados. O ano passado ganhamos o concurso para otimização do portfolio da TMCell e fizemos toda a gestão da primeira fase desse concurso com enorme sucesso. Com o nosso posicionamento, acedemos a clientes internacionais em instalação em Moçambique. Agora, com a confiança restabelecida no setor, com melhores indicadores económicos e com o otimismo que nunca nos deixa desistir, assistiremos à retoma do mercado Imobiliário. Felizmente muito preparados para receber novos clientes, com o nosso conhecimento efetivo do Pais e dos subsetores em que atuamos.

A vossa presença no mercado moçambicano tem crescido e, hoje, apresentam um impacto na área onde se posicionam no setor do imobiliário. No entanto, com o crescimento, a responsabilidade e os desafios serão maiores certamente. Sentem isso? Quais são os verdadeiros desafios deste setor atualmente?

Sentimos sim. Os nossos clientes confiam no nosso trabalho e exigem-nos performances que são comuns em países onde o setor está maduro e desenvolvido. Quando, por exemplo, temos a gestão total de um ativo como o Baia Mall, a nossa intervenção não envolve apenas as funções mais evidentes como os alugueres de lojas, ou a manutenção dos espaços. Implica assumirmos a responsabilidade de lidarmos com a contabilidade, as autoridades locais e os bancos financiadores. A nossa responsabilidade é inclusive para com os investidores internacionais que detém obrigações do imóvel e que esperam o rendimento projetado para o investimento que foi realizado. Estamos em todas as fases da operação.

O desafio está na identificação de quadros moçambicanos que, não tendo sido expostos a este tipo de realidade, formamos para desempenharem funções especializadas. A formação na nossa empresa é continua e em áreas como HST, Gestão de Projetos, Sistemas de Informação, Contabilidade e Finanças e nas áreas especificas do imobiliário e gestão de propriedades. Outro desafio continuo é o conhecimento do mercado, que obtemos com a interação com os nossos clientes e realizando estudos de mercado em diferentes cidades do País. O desafio de crescimento é também muito importante pois sendo o mercado muito curto, cada aposta tem de ser ganhadora com pouco ou nenhum lugar a falhas.

Com atividade em Moçambique – único país da CPLP onde operam a marca Broll – existe a possibilidade ou a perspetiva de promover a marca nos países-membros da comunidade tendo em conta que o foco da mesma é hoje promover a cooperação económica e empresarial dos países-membros?

Quando começamos este projeto, em 2014, a nossa intenção era apenas a de trazer para este setor padrões internacionais de atuação, setor onde já atuávamos e onde sentíamos a necessidade. Com o início da JV com a Broll e em parceria com a representação internacional, tornamo-nos muito exigentes com o nosso desempenho no mercado local, o que contribuiu decisivamente para o nosso crescimento. No início de junho, fomos de novo o patrocinador principal da Conferência Anual do Setor Imobiliário, MozamReal, que contou com a presença do CEO do Grupo. O desafio que nos lançou foi exatamente esse.

Sendo a Broll uma empresa de origem Sul-Africana, a penetração nos mercados Africanos de expressão inglesa é relativamente fácil, com regras de origem anglo-saxónica. A realidade tem sido diferente nos mercados francófonos e particularmente difícil nos mercados lusófonos. Poderá a Broll Moçambique constituir o núcleo a partir do qual se poderá expandir para os países da CPLP? Sim. Para a Broll Moçambique, isto constituirá uma possível expansão internacional, que até aqui não tínhamos no horizonte. Porém o nosso foco atual está ainda muito centrado no crescimento e consolidação local.