“O cimento YETU está pronto para fazer parte do quotidiano de todos os países da CPLP”

Emanuela Bernardett Afonso Vieira Lopes, Presidente do Conselho de Administração da FCKS, em entrevista, fala sobre o crescimento da empresa e do cimento que fabricam: “hoje já não é possível falar-se em cimento em Angola sem mencionar o seu cimento de superior qualidade, Yetu”. Saiba mais.

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O cimento é um dos materiais mais utilizados na construção civil devido à sua grande aplicabilidade. A FCKS foi fundada em 2003, numa época em que Angola tinha apenas duas fábricas de cimento com capacidades insignificantes diante de uma demanda considerável e crescente. Como descreveria o crescimento e consolidação da empresa no país até aos dias de hoje?

A FCKS, como bem disse, foi fundada em 2003, depois de muitos anos de pesquisa e prospeção para comprovar a existência das principais matérias-primas que garantissem a produção de cimento. Em 2008 iniciou a construção da fábrica. O seu comissionamento teve lugar em Fevereiro de 2014. Desde então a Fábrica de Cimento do Kwanza Sul, FCKS, tem progressivamente garantido exponencialmente o seu segmento de mercado. Em Angola começou por conquistar o mercado centro-sul tendo já adquirido uma parte do mercado de Luanda. A sua marca Yetu está já disseminada por todo o país estando também a ser comercializada em países vizinhos. Felizmente hoje já não é possível falar-se em cimento em Angola sem mencionar o seu cimento de superior qualidade, Yetu, propriedade da FCKS, garantia dos padrões mais conceituados do globo.

Mesmo em tempos de crise, nomeadamente quando houve uma desvalorização da moeda, o cimento foi dos poucos produtos que não terá sofrido alterações significativas. Porquê?

Acreditamos que em Angola todos os setores de atividade têm sido afetados e a indústria cimenteira não é exceção. O período de crise que começou em 2015 está a ter uma influência muito negativa na demanda de cimento em Angola, como é óbvio. É bem patente a retração da construção civil no país. Como exemplo, em 2014 a procura total do produto era de 4,9 milhões de toneladas e em 2017 baixou para 2,5 milhões, uma redução de cerca de 50%. Essa desaceleração da comercialização do produto doméstico teria sido mais catastrófica se não fosse proibida a importação de cimento nos últimos anos.

Dentro dos valores que perpetuam, o ambiente é um aspeto muito considerado. Qual é a vossa atuação nesta temática?

Toda a indústria deve respeitar os requisitos que defendam a preservação do ambiente e a FCKS não foge à regra. Exploramos calcário, argila e sílica e todo o tratamento está de acordo com as regras e normas padronizadas. Por outro lado, tratando-se de uma fábrica de cimento de via seca não tem emissão de gases poluentes à atmosfera.

Em 2015, o Governo angolano proibiu a importação de cimento. Considera que esta foi uma decisão vantajosa? Porquê?

Com certeza. Se a capacidade instalada de Angola é superior a 8 milhões de toneladas/ano e o consumo de pouco mais de 5 milhões de toneladas/ano, na altura não fazia qualquer sentido empregar meios financeiros que pudessem ser utilizados em outros sectores. De notar que presentemente o consumo nacional é de apenas cerca de dois milhões de toneladas/ano.

Da vossa futura carteira de clientes existem intenções de exportar para países tais como o Japão, a Finlândia ou Portugal, ou ainda outros países de expressão oficial portuguesa?  

Devido à alta qualidade do cimento da FCKS, já foi solicitada a exportação do cimento Yetu por vários países, entre os quais a RDC, S. Tomé e Príncipe e Namíbia. Para outros países isso não foi possível na altura devido aos elevados encargos alfandegários e aduaneiros. No entanto, acreditamos que as nossas autoridades estejam atentas a esse constrangimento e que em benefício da almejada diversificação da economia encontrem meios seguros para que essa situação seja ultrapassada.

Acredita que, pela língua comum aos países pertencentes à CPLP, os negócios são concretizados de forma mais direta ou isto é uma ilusão?

Existem vários fatores que contribuem para que o negócio tenha benefícios mútuos para o vendedor e o comprador. No entanto, fazendo parte de uma comunidade é provável que possam vir a existir acordos que facilitem os procedimentos. A FCKS está atenta e caso esse desiderato seja transformado em realidade o cimento Yetu está pronto para fazer parte do quotidiano de todos os países da CPLP.

No ano passado tiveram problemas na produção devido à falta de combustível, paralelamente, a banca também vos dificultou pela falta de divisas. Em que escala este tipo de problemas afetou a FCKS?

A fábrica ainda não tem energia elétrica da rede e isso leva-a a consumir cerca 400 toneladas de Heavy Fuel Oil (HFO). No entanto, devido a interesses estranhos à mesma foi forçada à uma paralisação ao longo de seis meses por aumento drástico do preço do combustível, HFO. A falta de divisas é um problema que afecta a generalidade do país, mas a FCKS acredita que essa situação poderá ser ultrapassada com o apoio de quem de direito.

Quais são, neste momento, as prioridades da empresa a curto-prazo?

De momento, as prioridades da FCKS são:

  • Ter energia elétrica da rede nacional, pois desse modo irá diminuir consideravelmente os custos de produção;
  • Ter a possibilidade de maior expansão nos mercados nacional e internacional, com base em taxas para o benefício da nossa economia;
  • Sendo produtor excedente de clínquer de qualidade, fornecer esse produto ao mercado nacional de modo a que outras cimenteiras deixem de o importar, para que as divisas do país possam ser empregues em setores de maior prioridade.

Neste momento, que projetos têm em curso e que merecem destaque?

Existem, de facto, projetos ambiciosos, os quais aguardam por momento oportuno.

O setor do cimento mostrou ser capaz de se adaptar a todas as situações e com a contínua produção apesar de todos os obstáculos. Que análise faz sobre a posição que o sector tem vindo a marcar ao longo do tempo?

Num país como Angola, com recursos naturais para a produção de cimento tanto de via seca como de via húmida, essa indústria é estratégica para o seu desenvolvimento. O mercado doméstico está a fazer face a algumas dificuldades devido à crise, mas essa fase transitória dará lugar ao ressurgir de novas necessidades do produto. No entanto, tendo em conta as necessidades além-fronteiras esse segmento terá de ser devidamente explorado.

Fábrica de cimento

A Fábrica de cimento do Kwanza-Sul, tem capacidade para produzir 4.200 toneladas por dia de Clinker e 5.600.000 toneladas/dia de cimento Portland, num total de cerca de 1.4 milhões de toneladas de cimento por ano.  O Cimento Yetu é o único cimento integralmente produzido em Angola.

A FCKS produz dois tipos de Cimento:

Cimento Portland de calcário

CEM II /A-L 32.5 N | CEM II /A-L 42.5 N

Fábrica de clinker

Com a capacidade instalada de 4200.000 toneladas por dia. PROCESSO: (i) A Argila, o Calcário e a Areia são triturados, doseados e entram no forno de queima a 1450 Cº, transformando os três componentes em Clinker. (ii) O Clinker, após ser formado no forno rotativo entra no resfriador. Esta fase do processo tem uma dupla finalidade: resfriar o clinker e recuperar a energia em forma de calor para o processo de fabrico, representando uma menor utilização de combustíveis e redução de custos. (iii) O Clinker após resfriado é transportado em esteiras mecânicas até ao silo de estocagem onde aguarda a sua utilização no processo de moagem de cimento.