Segundo dados do website IoT Analytics, registaram-se mais de 17 mil milhões de dispositivos conectados em 2018, sendo que entre estes estão 7 mil milhões dispositivos de IoT (Internet of Things), número que exclui smartphones, tablets, laptops e telefones fixos. Já em 2020, estima-se que o número de dispositivos IoT suba para 20 mil milhões e em 2025 para cerca de 22 mil milhões.

O crescimento destes dispositivos tem impacto no dia-a-dia de pessoas, que aderem cada vez mais a veículos e casas conectadas, e de empresas, que têm de adaptar os seus processos e por vezes modelos de negócio aos novos paradigmas da tecnologia.

Segundo a IDC, empresa líder mundial na área de market intelligence, advisory e eventos para os mercados das Tecnologias de Informação e Transformação Digital, o IoT será o principal catalisador de desenvolvimento para o país a curto prazo. Contudo, a consultora prevê que apenas 30% da economia portuguesa estará digitalizada em 2021, o que será um número baixo quando comparado com a previsão da digitalização da economia a nível mundial, que atingirá os 50%.

A transformação digital em Portugal

O estudo Maturidade Digital das Empresas em Portugal, realizado pela NovaSBE Center for Digital Business & Technology em parceria com a EY em outubro de 2018, indica que a transformação digital é um processo demorado: embora 41% das empresas garantam ter iniciado o seu processo de Transformação Digital há mais de 5 anos, apenas 35% afirmam ter um nível avançado de implementação nas novas tecnologias.

O mesmo estudo refere que 75% das empresas que participaram explicam existir uma grande aposta na implementação dos processos de marketing digital e redes sociais nas suas organizações. Do universo de empresas inquiridas, 65% aposta em cloud computing, 61% em big data e analytics e pouco mais de 50% em IoT.

Estas novas tecnologias têm vindo a ganhar cada vez maior importância no mercado de trabalho digital, e com o avanço tecnológico surge a necessidade de mais recursos especializados. O relatório The State of Application Development 2019 da Outsystems indica que 51% das organizações portuguesas investiram no crescimento das suas equipas de desenvolvimento de software em 2018.

Contudo, nem todas as necessidades são colmatadas e mais de 60% das empresas auscultadas no estudo da NovaSBE / EY reconhecem não ter habilitações e conhecimentos digitais adequados, o que pode gerar um aumento da procura pelo talento em Portugal. Esperamos assim assistir nos próximos anos a um aumento da contratação de colaboradores especializados e a um crescimento da aposta das empresas na formação de recursos já contratados.

O consumidor no centro

A Transformação Digital vem também mudar a forma como os negócios olham para todo o processo de venda e o papel do seu consumidor. Enquanto anteriormente se baseava todo o planeamento de produto e de venda em ideias generalizadas e não comprovadas sobre os consumidores, existem hoje em dia um conjunto de metodologias, que incluem o UX Design e a utilização de Big Data para se chegar a conclusões com base em factos, que permitem decisões mais fundamentadas e adaptações das empresas em tempo real.

Marta Lousada, E-commerce & Digital Manager da Sephora Portugal, afirmou durante o Expo Fórum Digitalks Lisboa 2019 que 93% das vendas de retalho em Portugal continuam a ser nas lojas físicas, mas mais de metade (63%) são influenciadas por touchpoints digitais antes da compra.

Sabemos ainda que o consumidor português passa cerca de 6h38min por dia online, das quais cerca de um terço (2h27min) é passado em mobile. Estes dados, disponíveis no relatório Digital 2019 criado pela Hootsuite e We Are Social, são complementados com a informação de que mais de 7 milhões de portugueses (69% da população total) utilizam a internet via mobile.

“Os consumidores têm novos hábitos e a transformação digital tem muito a ver com isso. Não é apenas porque chegaram tecnologias novas, é também porque os consumidores mudaram a sua forma de escolha: no passado a seleção de um produto ou serviço tinha muito a ver com preço e disponibilidade, mas hoje em dia está a ganhar cada vez mais importância a experiência”, refere André Carvalho, Partner da Spark2D e da Tangível.

A questão dos testes de usabilidade ganha uma grande dimensão e impacto no mercado atual, e é por isso que a Tangível criou um Laboratório de UX no LISPOLIS, em que realiza testes com utilizadores reais. “O Laboratório é constituído por duas salas e um conjunto de equipamentos de teste, câmaras e outras tecnologias para registar tudo o que o utilizador faz. Por exemplo, se estivemos a trabalhar num browser, interessa-nos perceber o movimento do rato e os cliques, porque isso pode dar-nos pistas sobre hesitações, por exemplo, interessa-nos gravar tudo o que o utilizador diz, para onde olha, linguagem corporal, expressões faciais, entre outras, porque a partir da observação, do diálogo, daquilo que o utilizador está a fazer e do seu comportamento gestual e corporal, podemos inferir muitas coisas”, clarifica André.

Empresas como Santander, SIBS, Critical Software, Médis, Cetelem, ANACOM e a Worten são já clientes da Tangível e percebem a potencialidade e o benefício da utilização de testes de usabilidade, uma vez que é através destes que conseguem inferir como podem melhorar continuamente as suas soluções para o utilizador final, ao obterem uma perceção real, adquirida através da observação, do funcionamento dos seus produtos do lado do consumidor.

Humanizar a transformação

É importante envolver as pessoas no processo de transformação, uma vez que qualquer mudança gera alguma apreensão, nomeadamente por parte dos colaboradores das empresas.

“A envolvência das pessoas no processo de transformação atinge dois grandes objetivos: por um lado, garante que a solução endereça um problema real das pessoas, que são o principal ativo da organização; por outro lado, reduz e em muitos casos elimina quase por completo a carga de um processo de gestão de mudança associado a iniciativas de transformação”, explica Tiago Perdigão, Business Devil & CEO da Fractal Mind, empresa especialista em processos de gamificação que tem vindo a ajudar as empresas portuguesas como a Worten a alcançar os seus objetivos internos ao envolver os colaboradores. “Se a solução foi construída pelas pessoas, não lhes está a ser imposto, há uma noção de ownership que deriva da participação no processo, aquilo a que chamamos o efeito IKEA”, complementa.

No caso da WortenWinners, plataforma que fomenta a motivação da força de vendas através de uma lógica de jogo que permite a criação de missões e atribuição de prémios aquando do alcance dos objetivos, Tiago explica que transformou por completo a experiência dos colaboradores. “Na Worten, a gamification permitiu o aumento do feedback e transparência, assim como oportunidades de reconhecimento e recompensa para os outliers. A introdução de mecânicas de jogo para a operação, não só a tornou mais gratificante, com +80% dos colaboradores satisfeitos com o novo processo, como impactou positivamente os resultados, gerando um aumento de 6% de vendas por colaborador ao abrigo da experiência gamificada, face ao grupo de controlo”, revela.

A Gamification é um mercado em grande expansão em Portugal e no Mundo. Segundo dados do Mordor Intelligence, o mercado global de gamificação foi avaliado em US $ 5,5 bilhões em 2018, e estima-se uma taxa de crescimento anual composta de 30,31% ao longo do período 2019-2024. As vantagens da gamificação das empresas são cada vez mais difíceis de ignorar: a capacidade de envolver colaboradores e clientes, de obter feedback, de funcionar numa lógica de cocriação, de reconhecer esforços, de promover a competição saudável, de motivar, de oferecer autonomia aos colaboradores e de criar um novo mundo de ‘jogo’ que vem trazer algo de disruptivo à rotina.

“A gamification é elemento diferenciador neste tipo de processos por uma simples razão: poucos fenómenos despertam emoções tão fortes quanto os jogos”, indica Tiago. “A utilização de mecânicas de jogo fornece às organizações uma ferramenta para despertar as emoções que mais movem os seus colaboradores, gerando a motivação necessária para as mudanças comportamentais que suportam os processos de transformação”, remata.

Opinião de Cíntia Costa e Pedro Rebordão, marketing e comunicação do Lispolis