É o representante da República Federal da Alemanha em Portugal, tendo assumido oficialmente as suas funções em setembro 2016. Como têm sido estes anos em Lisboa? Qual é a sua impressão sobre Portugal?

Os portugueses destacaram-se pela sua hospitalidade e cordialidade desde que cheguei. A cerimónia comovedora e digna que acompanhou a entrega da minha missiva de acreditação ao Presidente da República, estabeleceram também desde logo a forma e o tom característicos para o meu trabalho. Ao tomar posse em Lisboa, a questão que dominava os media era a das sanções no contexto do procedimento por défice excessivo. Agora, após uma performance impressionante da economia portuguesa, encontramo-nos numa situação completamente diferente. O Governo alemão, em várias ocasiões, expressou o seu louvor em relação aos enormes progressos que os nossos amigos portugueses conseguiram, após os sacrifícios árduos que fizeram para superar a crise. Olhando para trás, nem quero deixar de referir igualmente as minhas viagens que enriqueceram substancialmente a minha visão de Portugal. Até hoje continuo a descobrir novas facetas fascinantes do vosso belíssimo país.

Portugal e a Alemanha mantêm tradicionalmente uma relação estreita de amizade em termos políticos, económicos e culturais. Atualmente, como descreveria a relação entre os dois países?

Foi um belo testemunho da nossa amizade que dentro de um prazo de apenas 12 meses, Portugal contou recentemente com as visitas do Presidente Federal Frank-Walter Steinmeier, da Chanceler Angela Merkel e do Ministro das Relações Externas Heiko Maas além do Vice-chanceler e Ministro das Finanças Olaf Scholz. No dia 22 de maio em Berlim, os dois governos assinaram um “plano de ação” com o intuito de desenvolver posições comuns e identificar projetos conjuntos dentro do quadro europeu. Um enfoque particular está em tópicos como a digitalização, a política industrial e uma Europa social e sustentável. Uma tal cooperação reforçada facilitará igualmente o desenvolvimento de um programa conjunto no âmbito do Trio de Presidências da UE para 2020-21.

Que objetivos comuns diria que as duas nações partilham?

Tradicionalmente, Portugal e Alemanha estão entre os apoiantes mais empenhados da integração europeia. Assim, como europeus realistas, podem dar um contributo importante para a União. Sabemos que os nossos cidadãos, independentemente de onde vivem, esperam que o modelo europeu seja preservado e desenvolvido, servindo como garante da nossa liberdade e prosperidade bem como do equilíbrio social.

É defensor do multilateralismo. De que forma acredita que a Europa lida com este conceito? O que tem sido feito neste âmbito?

Para todos os desafios que enfrentamos – económicos, ambientais e de migração, por exemplo – não há ninguém na Europa que consiga lidar com essas questões com sucesso apenas em base nacional. Precisamos então de respostas europeias. Aliás, o multilateralismo é a própria essência da integração europeia, ou seja: temos um projeto que tem algo a oferecer para o nosso mundo dominado por conflitos. Quem senão a União Europeia poderá estabilizar a ordem multilateral baseada em regras?

E Portugal, que posição assume neste contexto?

Mais do que nunca, na Alemanha contamos com os portugueses do nosso lado: um povo convictamente pró-europeu com que partilhamos a visão de uma Europa soberana, segura e assente em valores democráticos. Até porque só unidos, conseguimos fazer valer com sucesso os nossos interesses e valores num mundo globalizado! E só unidos será possível defender com êxito a liberdade dentro e fora da Europa!

Sobre investimento empresarial, o que tem de melhor Portugal a oferecer à Alemanha e vice-versa?

Um fator importante para os investidores alemães é a confiança que se instalou, graças às nossas excelentes relações económicas de longa data. Eles valorizam, igualmente, a estabilidade política, a paz social e o elevado nível de segurança pública, assim como a boa formação dos licenciados no ensino superior português – enquanto os custos laborais se mantêm relativamente baixos. Além disso, portugal tem cada vez mais a oferecer no sector das tecnologias inovadoras. É impressionante o desenvolvimento de soluções de software, para todo o tipo de aplicações no sector dos serviços e na indústria. Na alemanha segue-se atentamente essa evolução que, de fato, já trouxe vários investimentos de destaque para cá.