Reabilitação urbana: “Não podemos esquecer que nas cidades vivem pessoas e culturas”

Com a crescente tomada de consciência da importância da reabilitação dos núcleos urbanos, a Reabilitação Urbana tem ganho cada vez mais terreno. Neste sentido, a Revista Pontos de Vista esteve à conversa com Filipe Dourado, Branch Manager da S&P Clever Reinforcement Iberica, para nos falar sobre este setor e sobre um dos líderes mundiais em tecnologias de reforço de estruturas com materiais compósitos, a S&P.

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Em primeiro lugar, reabilitar é muito mais do que tornar bonito, correto?

É um facto, reabilitar vai muito para além do aspeto estético. Diria mesmo que reabilitar é na sua essência um ato de intervir de forma inteligente em que a estética é uma parte importante, mas nem sempre a que comanda as decisões. É no integrar das várias vertentes de um projeto de reabilitação e no equilíbrio de todas áreas do conhecimento, quer seja o conhecimento técnico e de materiais, o histórico e arquitetónico, a integração paisagística e outros, que se encontra a chave de uma reabilitação responsável.

Como é que deve ser encarada, portanto, a reabilitação urbana em Portugal?

Tenho olhado para a reabilitação urbana com um misto de contentamento, esperança, mas também muita preocupação. Contentamento por ver finalmente as nossas grandes cidades, que tinham efetivamente edifícios muito degradados, de “cara lavada”. É notória e evidente que as ruas estão mais bonitas, que os edifícios estão ocupados e a vida voltou aos centros urbanos das grandes cidades com uma pujança e vitalidade nunca vista. Esperança pois me parece que o mercado da reabilitação, alavancado pelo crescimento do interesse imobiliário e turístico, se encontra estável e com previsões de crescimento para os próximos anos.

Com muita preocupação,  vejo também que estamos muitas vezes esquecer que reabilitar é essencialmente adotar estratégias de intervenção que levem ao aumento da resiliência dos edifícios.  Não é “fachadismo” ou aumento de áreas uteis e de vãos para usos mais condizentes com os interesses económicos. Estamos muitas vezes a negligenciar a ameaça de uma catástrofe com efeitos devastadores em Lisboa por exemplo, onde pouco ou nada se tem feito de forma estratégica e organizada na reabilitação sísmica dos edifícios. Vejo também com alguma preocupação a desmotivação na reabilitação dos nossos monumentos históricos e edifícios de valor patrimonial, embora se tenham feito algumas intervenções nos últimos anos, existe ainda muito por fazer. Não esquecer já agora, que as nossas infraestruturas também fazem parte do urbanismo, e aqui parece-me claramente que se não se tem investido o suficiente.

Como é que a própria S&P encara a reabilitação?

A S&P desenvolve materiais inovadores para reforço de estruturas, materiais compósitos de elevadas prestações quer mecânicas quer de durabilidade. Nesse ponto de vista vemos a reabilitação urbana como o promover as condições necessárias para a resiliência estrutural e durabilidade dos edifícios e estruturas em geral. Esta área tem que começar a ser olhada como uma impreterível necessidade e não apenas como um negócio imobiliário.

Nos centros das cidades a grande aposta é hoje a reabilitação urbana. Qual tem vindo a ser o papel da S&P nesta demanda?

Temos vindo a ajudar projetistas a especificar soluções mais amigas do ambiente, por exemplo recorrendo a materiais de reforço leves, de alta resistência, pouco intrusivos e praticamente imutáveis,  aproveitando ao máximo as estruturas existentes. Nos edifícios antigos ou de valor patrimonial temos conseguido promover soluções que reabilitam sem desvirtuar, que aumentam a capacidade de carga sem comprometer a resiliência dos edifícios face as ações sísmicas, por exemplo.

De que forma a S&P tem procurado manter a diferença neste mercado? Para além da inovação que outros fatores devem sobressair?

A S&P tem participado em diversas ações técnicas de divulgação e esclarecimento, quer sejam seminários técnicos, formações ou participações em cursos Universitários de pós-graduação. Temos também uma presença assídua na discussão normativa técnica e organizações do setor, como o Gecorpa ou a PTPC, onde estes temas e preocupações são abordados e discutidos

Portugal oferece um dos melhores incentivos fiscais à reabilitação urbana. Mas são suficientes ou adequados para estimular a reabilitação urbana?

Tem vindo a melhorar, mas nunca é suficiente quando olhamos para as necessidades. Como disse, devia já existir um programa sério de incentivos à reabilitação sísmica dos edifícios nas zonas de risco como a grande Lisboa e Algarve.

Depois de muitos anos de construção nova, a reabilitação urbana é agora o setor que está a gerar milhões. Que desafios podem advir deste boom no setor?

O maior desafio é manter este interesse do mercado em conjunto com outros interesses mais nobres, que são os de todos nós. De facto, não consigo dissociar a reabilitação num horizonte mais amplo, histórico, arquitetónico, segurança, paisagísticos e urbanísticos, etc. Não podemos esquecer que nas cidades vivem pessoas e culturas. Parece-me que este é o maior desafio, manter o mercado a funcionar por si, o que é sempre necessário, mas apelar a outros valores de integração de politicas que resolvam efetivamente alguns problemas graves que ainda existem.

Sistema de reforço FRP

Reforço estrutural com compósitos em fibra

 

Reforço de Asfalto

Reforço de pavimentos com grelhas pré revestidas de betume oxidado

 

 

S&P ARMO-System

Solução com malhas de carbono e argamassas especiais para projeção

 

FX-70 System

Sistema de Proteção e Reparação Estrutural

 

 

Reparação e proteção de betão

Soluções de argamassas, resinas e pinturas para a reabilitação de estruturas