Bem me quer, mal me quer. Porque uns partem e outros ficam

As empresas assumem o recrutamento como um momento-chave na vida da organização, porque destes processos surgirão novas pessoas, que asseguram a continuidade e o crescimento e deixam o seu rasto à sua passagem, como é desejável.

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Outra constatação óbvia é o facto de, não obstante as empresas defenderem e batalharem por uma entidade própria, que passa por construir um espaço onde os colaboradores se sentem bem, estas mesmas empresas são, para uns, o melhor local do mundo, e para outros, um verdadeiro calvário.

Não se trata de nenhum fenómeno estranho de mutação. Estas diferenças residem no facto de serem as pessoas que constroem as organizações. Tornou-se há muito tempo evidente que os motivos por que umas pessoas partem e outras ficam, umas são felizes e outras vivem num calvário, residem nas diferentes formas de Gestão dentro da mesma organização.

Os Gestores, Chefes, Managers, Patrões, enfim, os Decisores, marcam toda a diferença. Preocupa-me saber que existem empresas onde a Gestão de Pessoas é exercida por aqueles que tocaram no Poder por via de uma promoção devida a excelentes performances em funções anteriores, e lhes é pedido que tomem decisões para as quais não estão nem foram preparados.

Se existe o estigma do desgoverno, é em cenários Dantescos como este que os encontramos, criando traumas, inseguranças, desencantos em pessoas que, noutro contexto fariam toda a diferença, por vezes de modo tão óbvio que se tornam ameaças aos pequenos tronos que proliferam dentro das organizações.

No sentido de perceber o estado da arte no seu interior, uma grande organização desenvolveu um estudo durante 10 anos para identificar o perfil do Gestor Ideal. E, sem grande surpresa, as conclusões tocam no que parece ser tão evidente. Tudo começa e termina na forma como as pessoas exercem o seu poder sobre os outros.

Sem grandes surpresas este estudo mostrou que as competências técnicas são menos relevantes quando comparadas com o peso da Inteligência Emocional, sendo esta constatação válida não só para Managers, mas para todos os elementos da organização.

De modo resumido, os Gestores que fazem a diferença nas organizações, que são seguidos pelas suas equipas não por obrigação, mas porque conquistaram o Respeito e o Reconhecimento, têm a capacidade de oferecer um bom coaching; não resolvem os problemas, mas conduzem à sua resolução.

As pessoas necessitam de ter espaço para tomar decisões, autonomia para correr riscos (ponderados) e até para cometer erros. Assim se discute o que foi feito e assim se aprende a fazer melhor. Ao Manager cabe a responsabilidade de reunir toda a informação retirada desta forma de estar em equipa.

Ao serem discutidos os procedimentos, é fundamental que todos os colaboradores sintam a tranquilidade psicológica de saber que ninguém irá usar o poder para punir, menosprezar, ofender a sua dignidade enquanto pessoas. Neste ambiente tranquilo, as pessoas sentirão o peso e o stress inerentes à sua atividade profissional e o constrangimento de algo que não correu bem. Há que rapidamente retomar, fazer de novo.

Comunicação, a base fundamental para uma melhor produtividade e focalização nos resultados, ao partilharmos a mesma visão e objetivos. Assim, discute-se performance de modo claro e aberto, em discurso direto. Todos sabem o que se passa e a todos é dada a responsabilidade por tal.

Um bom Manager não tem que saber fazer tudo, mas tem que perceber como tudo acontece. Isto significa que tem que ter as competências técnicas para identificar as dificuldades e os desafios dos seus colaboradores. Assim, ter uma Visão Global da organização é fundamental para ser respeitado por todos.

Quando é chegada a hora, o Líder toma decisões, ponto final. Sem ser impulsivo, tem certezas baseadas no seu saber e experiência, nos factos que o rodeiam e nas opiniões de outras pessoas.

E são pessoas com este perfil de respeito pelos outros, uma capacidade inigualável de comunicar, a segurança e o saber que sustentam uma visão global das organizações, que diariamente inspiram os outros, os fazem querer permanecer nas empresas e ser um dia os novos Líderes.

Miguel Coelho, Country Manager da Procare Health Portugal