PCA; Banco Unico; Antonio Correia

No próximo mês de Agosto, o Banco Único comemora oito anos de existência, sendo, portanto, um marco importante no percurso da instituição. Ao longo destes anos, quais têm sido as maiores mudanças na mesma e de que forma é hoje o Banco Único um verdadeiro pilar financeiro em Moçambique?

É verdade! Celebrar oito anos de existência é de facto uma data assinalável na história de sucesso que tem sido o Banco Único, tendo ainda mais valor, porque ao longo deste período, tivemos de enfrentar várias adversidades, sobretudo, enormes mudanças macroeconómicas e regulamentares, tendo, por isso, sido obrigados a ajustarmo-nos constantemente.

Ao longo destes 8 anos, talvez a mudança mais vincada que tivemos que ultrapassar tenha sido a crise económica que afectou o nosso País, numa altura em que o Banco estava ainda em construção. Quando desenhamos e iniciamos o nosso projecto, não podíamos prever que a situação macroeconómica do país se pudesse deteriorar tanto. Desenhámos o nosso projecto em 2010, e abrimos ao público em Agosto de 2011, apenas 12 meses depois de começar o projecto, e um projecto desta dimensão e complexidade, como é um Banco; nessa altura e até 2014, Moçambique crescia o seu PIB a níveis de cerca de 7% ao ano. Nada previa uma quebra tão elevada, alguns anos depois. Adicionalmente, temos em meados de 2014 a alteração accionista, quando passámos a ter como accionista maioritário o 4º maior Banco sul-africano – o Nedbank. Esta mudança acartou consigo outro nível de exigência. Não só tivemos de passar por uma paragem do investimento e uma fase de Due Diligencie, como em 2016 a passagem à maioria do Capital pelo Nedbank Group, traz a obrigação de cumprimento das regras não só do regulador nacional como também do regulador Sul-africano. Mas o facto de termos passado a ser uma subsidiária de um grupo robusto como o Nedbank Group, também nos conferiu uma capacidade e solidez que não tínhamos até à sua entrada.

Igualmente desafiante, foram algumas alterações na gestão de topo que aconteceram ao longo destes oito anos. Ainda que a posição de CEO, ocupada por mim desde Março de 2015, tenha mantido alguma estabilidade em termos de liderança e visão, a verdade é que as alterações inesperadas ocorridas sobretudo em 2017 e 2018 acabaram por abalar um pouco a nossa organização internamente.

Ainda assim o Banco Único é hoje uma referência no mercado financeiro nacional, facto que muito nos orgulha e acima de tudo nos motiva para seguir o rumo traçado, para sermos cada vez mais um Banco robusto, com um enorme foco numa gestão sustentável que segue as melhores práticas bancárias internacionais.

Sendo hoje um player de enorme representatividade, de que forma é que o Banco Único tem vindo a promover serviços e produtos que respondem às verdadeiras necessidades dos vossos clientes?

Desde a nossa origem que o Banco Único se posicionou como um Banco relacional e inovador, com enorme foco em se ajustar às necessidades dos seus Clientes, mas acima de tudo não conformado, demonstrando diariamente que desenvolve esforços para evoluir na sua capacidade de resposta às verdadeiras necessidades dos nossos Clientes. Acreditamos que os nossos Clientes sentem esse esforço diário. Aliás só isso justifica, o reconhecimento que o mercado tem demonstrado em relação ao nosso conceito e à forma como abordamos o mesmo, o que nos tem vindo a permitir a conquista, não só de novos Clientes e de novos negócios

Igualmente demonstrativo deste reconhecimento tem sido os mais de 30 prémios que vários meios da especialidade internacionais que ganhámos ao longo destes oito anos, a título de exemplo no ano passado ganhámos mais uma vez, a distinção de melhor Banco de Moçambique pela Revista The Banker do Grupo Financial Times, que é uma espécie de Óscar da Banca Mundial.

Como é que a inovação em produtos e serviços têm sido fundamentais na evolução e no desenvolvimento da instituição? Essa dinâmica inovadora e diferenciadora é um caminho que se faz diariamente?

Num mercado bastante concorrencial, a inovação tem sido um dos pilares para o nosso sucesso, para a conquista do mercado e para o desenvolvimento e crescimento do Banco Único. Esta inovação aliada a altos níveis de serviço tem caracterizado um posicionamento diferenciador, que tem sido crucial para o nosso crescimento e sucesso, através da conquista de novos clientes e expansão do nosso Balanço. Mas reforçando a resposta anterior, esta dinâmica está no nosso ADN, está em tudo o que fazemos e no modo como nos relacionamos com todos os stakeholders. Mas sobretudo, acredito que o nosso factor distintivo, juntamente com os produtos e serviços que criamos, está na nossa atitude consistente, com principal destaque para o desempenho das nossas equipas, que têm sido fundamentais para o desenvolvimento e crescimento do Banco.

De que forma é que Portugal e as suas instituições têm sido parceiros importantes no percurso do Banco Único? É importante que existam relações de cooperação entre os países e instituições que façam parte do espaço CPLP?

Sabe que se não fossem duas empresas portuguesas a investir em nós, hoje não haveria Banco Único. Por isso, sim! As instituições portuguesas foram absolutamente cruciais para aquilo que é o Banco Único, através da GEVISAR, uma parceria entre o Grupo Amorim e o Grupo Visabeira, dois dos maiores Grupos Portugueses e que decidiram investir no Banco Único e assim no mercado Moçambicano

Paralelamente uma parte bastante considerável dos nossos parceiros de negócio é portuguesa. E acredito que isto é fruto da enorme vantagem que é estarmos integrados na CPLP, falarmos a mesma língua e em geral termos a mesma cultura. Todos estes aspectos, aliados às excelentes relações políticas e empresariais entre os países da CPLP têm sido muito importantes no desenvolvimento do Banco.

No passado dia 4 e 5 de julho realizou-se EurAfrican Forum 2019, uma plataforma de discussão que se sustenta no poder das diásporas vai ligar pessoas, cidades, regiões e continentes, reunindo pessoas influentes e estabelecendo laços entre Europa e África. Que impacto tem este género de eventos e de que forma é que temos de retirar ensinamentos dos mesmos para o futuro?

Têm um enorme impacto! Primeiro porque servem para alinharmos vários aspectos a nível de negócios, cooperação e desenvolvimento. Depois porque tenho de concordar com o Presidente da Direcção do Conselho da Diáspora Portuguesa, Filipe de Botton quando este afirma que “Em África, o céu é o limite. Há oportunidades para tudo e todos…”. As oportunidades de investimento em Moçambique são inúmeras e temos um enorme potencial de futuro e uma localização de excelência na região. Podemos até usar o nosso caso como exemplo, como prova de como o mercado de Moçambique é atractivo com a entrada do 4º maior banco sul-africano no nosso capital. Por isso digo que Moçambique tem um enorme potencial em vários sectores ou áreas de actividade, quer seja nos recursos naturais, na agricultura, no turismo, nas infra-estruturas, entre outros, e isso, naturalmente, tem um potencial de atracção muito elevado de novos investidores. Mas para sermos efectivamente atractivos temos de dar resposta positiva a uma série de riscos e desafios, temos de dar maior atenção aos desafios que temos e todos conhecemos na melhoria significa dos factores que influenciam a melhoria do “Doing Business”.

É legítimo afirmar que o Banco Único é hoje um player que tem contribuído e muito para o crescimento do país?

Sem dúvida! Não só porque somos um dos maiores Bancos a operar em Moçambique, mas também porque temos tido um papel importante no apoio económico através da concessão de crédito, o que naturalmente ajuda no financiamento à economia. Porque temos contribuído para uma crescente bancarização do país e consequente crescimento do sector, bem como uma maior modernização da Banca. Porque temos crescido em termos de número de Colaboradores, gerando a cada ano mais postos de trabalho. Porque temos implementado uma estratégia de 360º direccionada às Pequena e Médias Empresas, com programas de formação para desenvolvimento e capacitação das PME´s – programa de TV PME+ e Academia PME+, dado que é precisamente neste segmento que acreditamos que está a resposta às necessidades do país no futuro próximo, nomeadamente em termos de empregos. Temos tido uma palavra no Investimento em infraestruturas, através da nossa sede e da abertura de balcões já em oito cidades do país. Ou por exemplo, nos lucros que temos tido nos últimos quatro anos e impostos que pagámos. Mas podia continuar aqui a enumerar mais uma quantidade de impactos reais que temos dado ao crescimento de Moçambique.

Quais são os grandes desafios do Banco Único para o futuro?

São vários, mas posso destacar alguns, como continuar a manter o nosso ADN e os nossos valores, ao mesmo tempo que crescemos e expandimos. Conseguir manter o foco na inovação de produtos e na qualidade do serviço, num mercado cada vez mais concorrencial e com cada vez com mais players, não só Bancos, mas também a concorrência das operadoras de telefonia móvel e das FinTechs.

Conseguirmos manter a nossa capacidade de nos ajustarmos e respondermos às necessidades do mercado, a cada momento. A nível interno e em termos de Recursos Humanos continuarmos a manter uma equipa motivada, talentosa e com enorme entrega ao Banco, ao mesmo tempo que cresce e que tem enormes desafios com o mesmo, e disso devemo-lo aos nossos Colaboradores a quem agradeço. E por fim, continuar a crescer e a ganhar negócios, ao mesmo tempo que respondemos rigorosamente às inúmeras alterações regulamentares que têm vindo acontecer nos últimos dois anos.