C-DAYS: Especialistas em cibersegurança reunidos no Porto

A quinta edição da Conferência C-Days, organizada anualmente pelo Centro Nacional de Cibersegurança – CNCS, realizou-se nos passados dias 26 e 27 de junho, no Centro de Congressos da Alfândega do Porto, tendo sido, uma vez mais, um evento de enorme relevância, e que contou com quase um milhar de profissionais do setor que ficaram a par das últimas novidades e evoluções no que concerne a cibersegurança.

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780 participantes, perto de 80 conferencistas, 47 sessões, 28 parceiros, mais de 15.500 visualizações em redes sociais, cobertura por 12 OCS e 50 pessoas do staff. Isto são apenas números, mas que exemplificam e bem a dimensão e a relevância do evento e que ano após ano tem marcado uma nova forma de estar e, acima de tudo, um novo paradigma assente em três pilares: pessoas/tecnologias/processos.

Foram diversos os momentos de atenção no C-Days, mas o mais marcante e relevante passou pelo lançamento do Quadro Nacional de Referência para a Cibersegurança, que, segundo Lino Santos, Coordenador do Centro Nacional de CIbersegurança, “era algo que define o que deve ser realizado para o presente e futuro”, comprometendo-se, com a sua equipa, a continuar a trabalhar e a apresentar ferramentas sobre o “como deve ser realizado”, afirmou, lembrando que este foi também um certame que “chamou” a comunidade mais jovem, especificamente nas sessões mais técnicas. “Foi uma surpresa e demonstra o interesse dos mais jovens para este tema, o que é bom pois precisamos deles para melhorar a capacidade do nosso país”, salientou Lino Santos.

Lisboa, Coimbra e agora a Invicta, ou a cidade do Porto. Esta tem sido a filosofia do CNCS, ou seja, de apostar numa política de descentralização e assim levar todas as ideias, ferramentas e instrumentos, iniciativas e players a todo o país. “A escolha da cidade do Porto, correlacionada com o tema das pequenas e médias empresas, perspetivava ma forte afluência e foi isso o que aconteceu. Tivemos um público bastante diverso, muitas pessoas da área técnica, mas também pessoas da administração local, de pequenas e médias empresas, e dirigentes da administração pública, o que significa que alcançamos o nosso objetivo que é transformar esta conferência anual num ponto de encontro nacional de referência na área da cibersegurança”, salienta.

Um dos principais focos desta edição, é que a mesma centrou-se mais no universo das PME’s, que, no fundo, são aquelas que mais «sofrem» com todas estas novas dinâmicas da Cibersegurança, da Transformação Digital e das Novas Tecnologias, sendo fundamental que se antecipem problemas que eventualmente possam surgir. “Se pensarmos que a cibersegurança é um tema algo difuso e de difícil compreensão, é natural que as grandes empresas, com os recursos e com a capacidade que têm, beneficiem de uma maior aptidão para responder aos desafios que enfrentam do que as pequenas e médias empresas. Nesta “guerra de recursos escassos”, que são os profissionais de cibersegurança, as pequenas e médias empresas são consideradas o elo mais fraco, são aquelas que vão ter mais dificuldade em encontrar soluções e recursos para os apoiar no seu processo de transformação digital, que vai acontecer mais cedo ou mais tarde”.

Mas, e como é que se antecipam esses eventuais obstáculos e problemas? “Atualmente, existem falta de recursos e de profissionais especializados nesta área. A forma de antecipar o problema é dando referenciais e dizendo exatamente às pequenas e médias empresas o que devem fazer e quais são as melhores práticas, e depois ajudá-las a saber como implementar essas mesmas práticas e a seguir esses mesmos referenciais. Este é um trabalho conjunto entre a academia, o Governo e o setor privado, até porque a fase da sensibilização para a cibersegurança já foi ultrapassada, por isso é que nesta conferência demos enfoque ao passo imediatamente a seguir: e então? O que é que devo fazer?”

Venha a edição de 2020. Onde será? Neste momento a mesma começará a ser trabalhada em meados de Setembro, sendo que o local ainda não foi escolhido para voltar a reunir a grande comunidade de cibersegurança, mas que será, mais uma vez, um enorme sucesso.

O que eles dizem…

“As pessoas estão cada vez mais em alerta”

“Reunir todas estas pessoas do mercado é cada vez mais importante para uma partilha de experiências. A convivência permite-nos perceber a direção que o mercado está a tomar nesta componente da cibersegurança e essa direção vai no sentido da tecnologia edge, no sentido de proteger cada device por si só. Em todas estas movimentações, quando queremos ter tudo interligado entre si, precisamos de ter a perceção a este nível, a perceção da segurança a partir de todos os dispositivos que utilizamos cada vez mais. Todos sabemos que o elo mais fraco é o fator humano e quanto mais cuidado e campanhas de sensibilização existirem melhor é. A massificação destes conceitos através dos meios de comunicação social têm contribuído para isso. As pessoas estão cada vez mais em alerta” – Daniel Ferreira – Fortinet, Regional Sales Manager

“Queremos continuar a promover a cibersegurança”

“Todos os eventos relacionados com a área da cibersegurança são importantes. Infelizmente, em Portugal existem poucos. Este ano há dois eventos importantes no Porto e outro em Lisboa. São importantes para nós enquanto empresas e são importantes para a sociedade. Falta formação de pessoas, formação de jovens, mais sensibilização a nível geral, mas sobretudo a colaboradores das empresas. O CNCS tem feito o esforço bastante notável e a Redshift também tem procurado levar a cabo formações junto dos seus colaboradores. Queremos continuar a descobrir novos produtos, novas soluções e encontrar novas tecnologias para, junto com os nossos parceiros, continuar a promover a cibersegurança” – João Manso, CEO da Redshift Consulting

“As empresas são fundamentais no domínio da cibersegurança”

“Sabemos que o tema da cibersegurança é um tema que afeta muitas empresas, mas também o cidadão comum, por isso é importante que estes eventos sejam organizados em zonas distintas do país para que o tema da cibersegurança consiga chegar a todas as empresas. Podemos partilhar aqui experiências e trocar algumas impressões com clientes e parceiros, fundamental para que as empresas e os cidadãos em geral estejam mais consciencializados para os desafios relacionados com a cibersegurança. As próprias empresas assumem um papel relevante na formação e sensibilização para esta área, mas os meios de comunicação social também têm desempenhado um papel importante para alertar para os problemas relacionados com a cibersegurança que está presente no nosso dia-a-dia, quer a nível pessoal quer a nível profissional” – Pedro Leite, Country Manager da S21sec em Portugal

“A cada edição sinto que o evento está mais apelativo”

“A cada edição sinto que o evento está mais apelativo. O atual coordenador do Centro Nacional de Cibersegurança é um empreendedor, uma pessoa que sabe fazer e que sabe colocar o seu know-how ao dispor da comunidade da cibersegurança em Portugal. Isso tem vindo a refletir-se e a edição deste ano comprova que uma liderança eficaz consegue alcançar excelentes resultados.

É importante direcionar esta área para as pequenas e médias empresas porque sabemos que as grandes empresas têm equipas de TI com conhecimentos e capacidades para responder aos desafios relacionados com a cibersegurança. As pequenas e médias empresas, e sobretudo as microempresas que são a grande fatia do tecido empresarial em Portugal, não têm essa capacidade e conhecimento, por isso é muito importante alertar e dotá-los do know-how necessário para estarem atentos às fragilidades” – Luísa Gueifão, Presidente do Conselho Diretivo da Associação DNS.PT.

“Este é o trabalho que o país tem de fazer”

“Estes eventos são absolutamente críticos para a área da cibersegurança. Em Portugal temos conhecimento técnico nos centros e investigação e desenvolvimento, nas universidades e nas entidades governamentais. Não temos falta de conhecimento, o que temos falta é de reconhecimento da importância desta área por parte dos utilizadores e das empresas. Este é o trabalho que o país tem de fazer e por isso mesmo estes eventos são cada vez mais fundamentais para a promoção da cibersegurança. Estamos num caminho que se faz lentamente, não somos dos países que estão na frente no que diz respeito ao tema da cibersegurança, mas é um assunto que tem de ser tratado de forma a conciliar a segurança com o conforto do utilizador” – Pedro Paiva – Diretor de Mobilidade Empresarial da Samsung Portugal