“A essência de uma comunidade de países é cooperar e olhar no mesmo sentido”

A Prime Yield está presente em Angola, Portugal, Brasil e Cabo Verde e continua a crescer. Recentemente integrou a Gloval e Nelson Rêgo, CEO da Prime Yield garante que o balanço até agora é “muito positivo”.

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A Prime Yield é uma empresa especializada na realização de estudos, consultadoria e avaliação de bens, fornecendo, através dos seus serviços, ferramentas que servem de suporte e apoio à tomada de decisão dos seus clientes. De que serviços falamos?

A Prime Yield presta um leque completo de serviços nas áreas de avaliação de ativos, consultoria e research, com uma forte especialização no setor imobiliário. No âmbito da avaliação de ativos, a empresa está preparada para desenvolver avaliações quer a bens tangíveis quer intangíveis. Além da avaliação de imóveis nos mais diversos segmentos e para as mais diversas finalidades (concessão de crédito, transações de investimento, gestão de fundos de investimento…), dispomos ainda de equipas altamente qualificadas na avaliação de empresas, de máquinas e equipamentos, inventariação de imobilizado, arbitragem em processos de arrendamento, bem como avaliação de patentes ou marcas. Destaco ainda a nossa crescente especialização no segmento de Non-Performing Loans (o chamado crédito malparado) para o qual dispomos de um AVM inovador que permite avaliar portfólios completos, de forma rápida, rigorosa e eficiente. Este é um setor onde as avaliações dos ativos são ainda mais cruciais para a determinação do preço e do risco das transações.

Marcam presença em vários países lusófonos (Angola, Portugal, Brasil e Cabo Verde). Apesar de pontos em comum, como a língua, todos os países são diferentes entre si. Como descreveria o vosso nível de atuação em mercados tão díspares? 

Na Prime Yield temos uma política de atuação assente em dois pilares base que norteia a nossa presença multi-lusófona. Por um lado, atuamos de acordo com um conjunto de standards e certificações internacionais (como os padrões do RICs no caso das avaliações) que aplicamos, sem exceção, a todos os mercados onde estamos presentes, garantindo, assim, um nível de serviço de elevada qualidade comparável. Por outro lado, fazemos questão de ter uma presença efetiva em cada país, o que nos permite um conhecimento real do mercado local e da sua cultura. Ou seja, estamos próximos dos nossos clientes e conhecemos as especificidades de cada mercado, garantindo um nível de serviço de padrões internacionais.

Atualmente, qual é o panorama nos investimentos imobiliários? Qual é a situação específica vivida em Portugal e Angola? 

Portugal atravessa um momento de grande vitalidade no investimento imobiliário, encerrando 2018 com um volume recorde de transações acima dos 3.000 milhões de euros. A qualidade dos imóveis no país é um fator de atração dos investidores, mas também a crescente projeção internacional do mercado português como um destino sólido, de baixo risco e retornos ainda interessantes têm contribuído para trazer mais capital estrangeiro para este segmento. 2019 deverá ser um ano novamente forte para este mercado. Em Angola, o sector permanece impactado pela atual conjuntura económica, caraterizada por juros elevados, dificuldade no financiamento e instabilidade cambial, com um reflexo claro no desequilíbrio entre a oferta e a procura e na consequente pressão em baixa de preços e rendas. Não obstante, os imóveis continuam a ser considerados um investimento seguro e bastante atrativo face à desvalorização cambial. É de frisar que, mesmo num cenário de adversidade económica, o imobiliário terá sempre uma base sólida. Por isso, mesmo no contexto atual, é visto como um investimento de proteção e de baixo risco, sobretudo para quem pretende aplicar as suas poupanças num cenário de elevada desvalorização cambial que afeta outras classes de ativos de investimento.

A par disso, 2019 já promete ser um ano de alguma retoma para o mercado imobiliário, pois não só a Economia está a dar sinais de melhoria, como se deram alguns passos de relevo para estimular o investimento externo, nomeadamente a alteração na lei do investimento privado. Acresce ainda que o mercado imobiliário mantém-se como um sector onde existe um enorme potencial de desenvolvimento, pois continua a existir deficit de habitação e necessidade de diversificar geograficamente nas áreas de turismo e retalho, entre outras carências. Este potencial tem estado em stand by nos últimos anos, mas existe e, com certeza, vai voltar a evidenciar-se à medida que o crescimento económico se consolide.

Acresce ao investimento imobiliário direto, o enorme potencial de investimento que representa o setor de Non-Performing Loans (crédito malparado), sobretudo, os que têm imóveis como garantia. Em Portugal esse é um mercado que está a ficar muito forte – mais de 8.000 milhões de euros terão sido transacionados em 2018 – e em Angola pode vir a ter um potencial muito interessante. Aliás, parte da nossa estratégia para este mercado é também o reforço da aposta na vertente da otimização da base de dados e track record de informação, algo fulcral para a apropriada valorização dos ativos que são colaterais de crédito dos bancos do sistema financeiro Angolano, no cenário atual em que a presença do FMI é uma realidade, o que conduzirá inevitavelmente a exercícios de AQR como os que foram levados a cabo noutros Países e onde a Prime Yield teve oportunidade de desenvolver o seu trabalho.

Enquanto agente económico do setor imobiliário, de que forma explica o contributo da empresa e a sua importância no universo CPLP?

Todo o projeto da Prime Yield assente numa matriz de desenvolvimento focada no espaço lusófono, com uma abordagem, como já referimos, que é totalmente independente para cada país, mas assente em standards comuns. Este é o nosso ADN e o seu grande resultado é proporcionar aos nossos clientes ferramentas para que analisem operações nas diversas geografias com o mesmo critério, mas sempre com um conhecimento das especificidades de cada país. Este é também o espírito da CPLP – ter uma linha comum de cooperação com respeito pelas respetivas culturas-, o qual nos orgulhamos de cultivar.

Acredita que havendo uma maior cooperação entre os países lusófonos, seja em termos burocráticos ou legislativos, os negócios seriam mais “fáceis”? 

A cooperação é sempre um caminho desejável, e obviamente mais eficiente, para o desenvolvimento económico. A essência de uma comunidade de países é cooperar e olhar no mesmo sentido e esse é um caminho em permanente construção.

Os Real Estate Investment Trusts (REITs) estão a chegar a Portugal, o que torna o mercado imobiliário ainda mais dinâmico. Mas e desvantagens, existem?

Pelo contrário. Trata-se de um tipo de instrumento de investimento que abre não só uma via alternativa para investir em imobiliário como poderá ter a capacidade de atrair investidores que até agora não estavam presentes em Portugal ou apenas tinham feito negócios pontuais. É um tipo de veículo conhecido de investidores globais e que valorizam dispor de meios semelhantes e comparáveis para investir nos mercados onde estão presentes.

Lançaram o “Guia de Investimento para SOCIMIs e Sigis”-um guia de investimento dirigido aos investidores que pretendem integrar este tipo de veículos na Península Ibérica -. Poderia falar-nos sobre a aplicabilidade e funcionamento do mesmo?

 Podemos dizer que, se em Portugal, o mercado das SIGIs conseguir estabelecer-se com um dimensão de cerca de um terço de Espanha, que é a proporção existente atualmente entre o volume de investimento imobiliário comercial nos dois mercados (de €11,8 mil milhões vs €3,5 mil milhões) poderemos estar a falar de um universo de cerca de 25 cotadas para uma capitalização bolsista acima dos  €7 mil milhões. Ter um regime equiparável nos dois países que é conhecido dos investidores internacionais é uma vantagem. Mesmo com as respetivas nuances e os ritmos próprios de cada país, ser permitido investir através de sociedades imobiliárias cotadas em ambos os países pode abrir o mercado a uma nova vaga de investimento pan-ibérico. Ou seja, atrair investidores com estratégias integradas que olham para este território como um todo. Isso será muito benéfico quer para Portugal, que é visto como um mercado mais emergente em termos europeus e que pode, assim, ganhar mais escala; quer para Espanha, que compete com outros mercados de grande consolidação e pode conquistar novos investidores. O nosso propósito com este Guia é, precisamente, fornecer uma ferramenta prática e útil que, de forma rápida, mostre aos investidores quais as principais caraterísticas dos REITs em cada país e onde estão as principais oportunidades imobiliárias.

Há quase um ano que a Prime Yield se integrou na Gloval. Que balanço é possível fazer desta operação até ao momento?

 Muito positivo. Desde logo, passámos a estar integrados num ambicioso projeto que visa a liderança, pela qualidade dos serviços prestados, nos mercados onde opera. O grupo Gloval resulta da agregação de um conjunto de empresas ligadas à avaliação de bens, consultoria imobiliária e de engenharia  ( Valtecnic; VTH; Ibertasa; Vt asset; Oco; Prime Yield), nascendo com um “track record” assinalável, traduzido em números que merecem destaque: de forma agregada, o grupo tem uma equipa com mais de 1.000 profissionais; mais de 5 milhões de avaliações realizadas e mais de 70 anos de experiência acumulada.

Assim, esta nossa integração tem sido uma oportunidade única de sermos parte de uma empresa sólida, capitalizar e aprender com o seu know how, e, além disso, expandir os nossos serviços noutros mercados. A Grécia e a Espanha são, para já, apenas algumas destas novas geografias que estamos preparados a abordar, mas outras virão.