“O povo moçambicano é muito humilde, sabe colher os bons exemplos “

Manuel Pereira, Administrador do Grupo C. Mondego, esteve à conversa com a Revista Pontos de Vista. De raízes portuguesas mas totalmente devoto a Moçambique, o nosso interlocutor aborda as questões mais pertinentes que o país está a viver e que visão considera a mais acertada para que um dos maiores países africanos se erga.

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O Grupo C. Mondego

O Grupo C. Mondego é atualmente um conglomerado de empresas, de capital exclusivamente moçambicano, que desenvolve a sua atividade, desde 1998, em todo o território nacional resultando da vontade férrea do seu fundador,  Manuel Pereira, que quis replicar, em Moçambique a vasta experiência que adquiriu em projetos desenvolvidos em diferentes países.

“O conhecimento profundo no mercado moçambicano, a garantia de qualidade dos nossos parceiros e a confiança dos nossos clientes, são os pilares fundamentais da nossa empresa”.

Sediado em Maputo, o Grupo C. Mondego, com um capital social de 100.000.000,00 MZM (Cem Milhões de Meticais), dispõe de um edifício de escritórios próprio na Marginal e um estaleiro central na Matola, atua em diversas áreas, com destaque para a construção civil, imobiliária, agricultura, turismo, indústria metalúrgica, indústria de cerâmica, indústria de extração e transformação de pedras ornamentais e suporte a projetos de oil & gas, atividades estas para as quais contribui com cerca de mil postos de trabalho, maioritariamente ocupados por colaboradores moçambicanos.

Sendo a construção civil, obras públicas, estradas e pontes e a imobiliária, as atividades primordiais desenvolvidas pelo Grupo C. Mondego, a coberto do Alvará de 7ª Classe, com todas as categorias e subcategorias, evidenciam-se, como as suas principais realizações, construção de complexos universitários, procuradorias provinciais, edifícios comerciais e residenciais, escolas e instituto de magistério primário, direções e delegações provinciais, instituições bancárias, mercados municipais, estradas terraplanadas e aquedutos, silo auto e pavilhões gimnodesportivos em todo território nacional.

“«Qualidade, Rigor Ética e Profissionalismo» é o lema que tem presidido às nossas realizações do passado e que queremos projetar, com acrescida proficiência, nas nossas realizações futuras.

O Grupo C. Mondego, S.A. é claramente reconhecido pelo facto das suas atividades se estenderem a todo território nacional e de se identificar, profundamente, com a história, tradições e alma moçambicana de bem-fazer”, diz o empresário.

“Alem do Grupo C. Mondego, Manuel Pereira acumula funções na FME E CTA.

É Presidente na FME ( Federação Moçambicana de Empreiteiros) e ainda Vice-Presidente da CTA (Confederações das Associações Económicas de Moçambique) no Pelouro da Construção”.

Eurafrican forum 2019

Um constante alinhamento com o Estado para uma maior e sólida construção de Moçambique é a base em que Manuel Pereira acredita para que Moçambique saia de vez da crise que decorre no país desde 2015 e que evolua.

O administrador do gigante grupo esteve em Lisboa para o evento em que Portugal e Moçambique assinaram 13 acordos de cooperação. A assinatura destes acordos foi feita no final da IV Cimeira Luso Moçambicana, no Palácio Foz, em Lisboa, sob a presidência do chefe de Estado de Moçambique, Filipe Nyusi, e do primeiro-ministro de Portugal, António Costa.

Os governos português e moçambicano assinaram acordos que preveem, por exemplo, a prorrogação de uma linha de crédito de 400 milhões de euros até 2020, protocolos na saúde e apoio a regiões moçambicanas afetadas por ciclones.

Para a reconstrução das regiões afetadas por ciclones em Moçambique, tal como antes já tinha sido anunciado pelo primeiro-ministro, António Costa, durante o fórum económico que antecedeu esta cimeira, os governos português e moçambicano assinaram um memorando que envolve cerca de 1,5 milhões de euros, sendo o fundo gerido pelo Instituto Camões.

Este fundo será constituído por verbas provenientes do Orçamento de Estado e de doações de entidades públicas (como autarquias) e privadas. Financiará, através de concurso, projetos de Organizações Não Governamentais (ONG) e será desenvolvido ao longo dos próximos três anos.

“Enquanto Presidente da FME, empresário e pessoa, acredito que temos a responsabilidade de trabalhar com o Estado e uma outra responsabilidade de ajudar as empresas menos evoluídas”.

Por outro lado, a empresa que tem mais áreas agregadas como construção de obras públicas, imobiliária, agricultura, agropecuária e até gás emprega cerca de 900 colaboradores e apenas um português. Como para muitas outras, os últimos tempos não têm sido fáceis tendo levado muitas empresas à falência. Manuel Pereira acredita que em 2025 o panorama seja já favorável. “A expectativa é que em 2025 Moçambique esteja numa situação confortável. Somos 28 milhões de habitantes com um subsolo para explorar. Temos que ter esperança”.

Em plena recessão, com o FMI no país e, com isso, a suspensão dos apoios financeiros a Moçambique em 2016, na sequência da revelação de empréstimos não declarados por empresas estatais da ordem de 2,2 mil milhões de dólares, que tornaram a dívida pública insustentável e por haver indícios de corrupção, Moçambique está neste a sair do período mais complicado.

Portugal e Moçambique

Com uma costela portuguesa, Manuel Pereira conta que as empresas portuguesas são vistas e recebidas sempre com grande alegria pelos moçambicanos e que representam o sinónimo de conhecimento para Moçambique. “Quando sabemos que uma empresa portuguesa queremos ajudá-la porque sabemos que isso vai ser bom para o país. Sabemos que vamos aprender com elas”.

“O povo moçambicano é muito humilde, sabe colher os bons exemplos. A ambição desmedida não faz parte de Moçambique. As pessoas em Moçambique só querem viver bem”.

Cerca de 70 empresários fizeram parte da comitiva que o Presidente Filipe Nyusi trouxe até Lisboa para trabalhar a diplomacia entre os dois países. O que se traduz num esforço uma vez que nos últimos anos as relações comerciais entre Portugal e Moçambique sofreram.

5 milhões de  euros

O Grupo C. Mondego está a chegar a Portugal e com ele investimentos na ordem dos cinco milhões de euros numa primeira fase. A abertura da nova sucursal está prevista para setembro e será na Figueira da Foz.