As Termas Romanas de São Pedro do Sul, fechadas há 70 anos, renasceram

Foi inaugurada a reabilitação do edifício conhecido como a Piscina de D. Afonso Henriques, após obras de quase 2 milhões de euros. Abre agora a visitas, para já gratuitas.

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Fonte LUSA

Chamam-lhe a Piscina de D. Afonso Henriques, porque o rei ter-se-á aqui restabelecido. Mas também apenas Banho ou Caldas de Lafões. Conta com 2000 anos de história e há 70 que o monumento estava encerrado. Esta quarta-feira, após uma longa reabilitação, o complexo das ruínas romanas termais em São Pedro do Sul voltaram a abrir-se.

O projecto envolveu um investimento de mais de 1,8 milhões de euros. “É a maior obra cultural a nível de toda a região centro, e quando falo em região centro é de Lisboa até ao Douro”, comentou, citado pela Lusa, o presidente da Câmara Municipal de São Pedro do Sul, Vítor Figueiredo.

“O que temos aqui é único a nível nacional, não existe mais nada parecido com isto”, sublinhou o autarca, acrescentando tratar-se de “um dos complexos termais de origem romana mais importantes e bem conservados dos existentes no país, com uma utilização contínua ao longo de 2000 anos”.

Terá sido construído no século I d.C. e, entre as suas várias vidas mais recentes, chegou a servir para a instrução primária e depósito de materiais, recorda a autarquia em comunicado, “mas o descuido e progressivo abandono levou à sua rápida degradação, sobretudo após o desabamento provocado pelas cheias no Vouga em 1995”.

O complexo, monumento nacional classificado desde 1938, já é visitável, tendo por agora entradas gratuitas. Perto do final do ano, altura para que está prevista a inauguração de um centro interpretativo com “peças encontradas no decorrer da obra” (moedas, barros, utensílios termais), deverá “ter entradas pagas”, confirmou Figueiredo.

“É um tesouro nacional do ponto de vista arqueológico e histórico”, referiu a ministra da Cultura, Graça Fonseca, durante a cerimónia de inauguração do monumento reabilitado. A responsável sublinhou que o investimento “superior a 1,8 milhões de euros contou com financiamento privado e público, do município e do Governo, e com apoio da comunidade europeia”.

Entre os episódios registados no local está a estadia de “diversos monarcas que frequentaram e protegeram” as termas, salientou a ministra. Nomeadamente, reza a história e lembra-se na ficha do monumento no site da Direcção-Geral do Património Cultural, Afonso Henriques, que deu o nome a uma das referências do monumento, a piscina, que terá frequentado após fractura sofrida na Batalha de Badajoz, em 1169.

Fonte LUSA