Nuno Viegas

As 15 start-ups vencedoras dos InnoStars Awards 2019 foram selecionadas de entre 116 concorrentes de países do Centro, Leste e Sul da Europa que integram o esquema de inovacao regional – Regional Innovation Scheme (RIS) -, um programa Europeu que pretende apoiar as regiões que têm níveis mais moderados de inovação do que outros países europeus no que diz respeito ao desenvolvimento de inovação no setor de saúde e outros setores.

No grupo distinguido, além das cinco empresas oriundas de Portugal, encontram-se duas start-ups da Polónia, duas da Hungria e duas da Letónia, uma da República Checa, uma da Lituânia, uma de Itália e uma da Roménia.

As start-ups vencedoras vão receber financiamento, mentoria individual durante quatro meses e têm ainda a oportunidade de participar em dois bootcamps na Europa. O EIT Health InnoStars também proporciona aos vencedores do prémio encontros com potenciais clientes, investidores e parceiros. Após o programa de quatro meses são escolhidos dez finalistas para o pitch final do InnoStars Awards, em novembro, onde estarão a concurso três prémios, correspondendo a um financiamento adicional de €25.000, €15.000 e €10.000.

O programa InnoStars Awards está aberto a micro e pequenas empresas, spin-offs e start-ups que já tenham um protótipo ou um produto mínimo viável -Minimal viable product (MVP). Todos os concorrentes têm de pertencer a países do RIS, onde se concentra um forte talento tendo em conta o crescente número de candidaturas qualificáveis.

“Temos excelentes equipas científicas a nascer em Portugal, nos países do Mediterrâneo e na  Europa de Leste”, afirma Nuno Viegas, Business Creation Manager do EIT Health InnoStars.” O InnoStars Awards proporciona fundos às start-ups desses países que lhes permite validar as suas soluções de saúde, formação sobre como criar um plano de negócio e é ainda uma oportunidade de entrar em contacto com investidores e chegar a mentores especialistas noutras regiões da Europa, que podem partilhar a sua rede e experiência”, acrescenta.

Vencedores InnoStars Award 2019

B-CULTURE: start-up portuguesa que desenvolve modelos de tecido humano in-vitro em 4D para testar medicamentos. Oferece uma solução eficiente e ética para screening e validação dos compostos e implantes para as industrias farmacêutica, dentária e biomédica.

BrachyDOSE: equipa lituana de experientes engenheiros e cientistas que oferece uma ferramenta de controlo de qualidade de tratamento para cancro que permite um tratamento mais eficaz e personalizado. Os seus produtos são feitos para oncologistas que procuram precisão e os melhores resultados possíveis em tratamentos de radioterapia.

BRIGHT – Beyond Research and Information Graphics for Health and Technology: uma empresa portuguesa inovadora que desenvolveu o projeto Serious Games for Health, que ajuda os doentes a gerir a sua doença e promove a adesão à terapêutica.

Femyo: empresa romena criada com o objetivo de reduzir em metade a taxa de mortalidade infantil e no parto. A empresa quer alcançar este objetivo através da construção da primeira organização de gestão digital da saúde na Europa, para garantir que todos os subscritores dão as melhores condições de vida às crianças.

HydrUStent: start-up portuguesa focada no desenvolvimento de dispositivos médicos inovadores baseados em necessidades médicas, que junta uma equipa altamente capacitada com diferentes percursos, da medicina à engenharia e ciência dos biomateriais. A empresa está a desenvolver uma tecnologia de teste portátil, wireless e menos invasiva na área da urologia, que permite a monitorização contínua e a longo prazo das pressões intra-urinárias. Isto impacta positivamente a vida dos doentes, ao reduzir o desconforto associado a este tipo de testes, atualmente realizados apenas em ambiente médico.

InoCure: empresa de bionanotecnologia da República Checa que fabrica soluções para a indústria farmacêutica e de ciências da vida. O produto DifMATRIX é a primeira membrana ativa de cultura de células 3D que permite testes pré-clínicos mais rápidos, confiáveis e éticos.

InSimu Patient: esta inovação húngara é uma aplicação móvel que permite aos alunos praticar com doentes simulados. A app ajuda os estudantes de medicina e os médicos a ganhar experiência clínica com a tomada de decisões para tratar os doentes virtuais em situações simuladas. Imitando todos os possíveis aspetos do diagnóstico da vida real, a InSimu muda a forma como os jovens médicos pensam e aprendem.

Mosaic Software Srl: start-up inovadora nascida em Itália centrada na transformação da investigação clínica pelo foco numa abordagem centrada no doente e em tecnologias digitais de vanguarda. A sua plataforma PatchAI é a primeira plataforma cognitiva para recolha e análise preditiva de dados do doente em ensaios clínicos, incorporando um assistente virtual baseado em inteligência artificial, que imita conversas humanas empáticas para envolver e motivar os doentes e aumentar a adesão ao protocolo.

Mhydrogel: start-up química sediada na Letónia que oferece lentes de contacto terapêuticas para salvar a visão depois de uma lesão ocular química.

OASIS Diagnostics SA: empresa polaca de tecnologia médica que desenvolve o ONIRY, um dispositivo médico não-invasivo utilizado para um diagnóstico rápido e robusto de lesões no esfíncter anal provocadas pelo parto, usando um modelo de machine learning. Este exame pode ser benéfico para qualquer mulher que tenha passado por um parto vaginal.

Sineko: empresa húngara cujo software GRAID pretende revolucionar a telerradiologia transfronteiriça ao traduzir relatórios radiológicos. O GRAID é um assistente de relatórios sinóticos que permite aos profissionais de saúde não apenas criar relatórios médicos estruturados de alta qualidade, mas também traduzir facilmente todo o relatório para vários idiomas com apenas um clique. A plataforma melhora a eficiência e a qualidade da documentação médica e estimula o internato e a educação terapêutica do doente, ao mesmo tempo em que prepara o caminho para a conversão automática de imagem de Inteligência Artificial (AI) para texto.

SurgeonMate: tecnológica portuguesa focada no desenvolvimento de solução técnicas que visam melhorar as condições de trabalho dos prestadores de saúde. Desenvolveram e patentearam uma solução têxtil para ser usada pelos profissionais prestadores de cuidados de saúde enquanto trabalham em locais onde o frio é problemático e existe uma fonte potencial de desconforto.

TimeUp: equipa portuguesa que trabalha no desenvolvimento de um dispositivo médico que pode ser usado para monitorizar e detetar a presença de bactérias na urina, alertando profissionais de saúde sobre o potencial desenvolvimento de uma infeção.

UVera: start-up polaca que pela inovação e abordagem interdisciplinar quer apresentar uma solução para proteger a pele contra todo o espectro de radiação solar UV. A sua missão é criar produtos naturais e seguros para proteção UV, associando-se uma redução do impacto ambiental negativo no planeta.

Vigo: start-up sediada na Letónia que desenvolve um guia de reabilitação que usa inteligência artificial para ajudar as pessoas a recuperar mais rapidamente e de forma mais eficiente de um AVC ao proporcionar orientação terapêutica, assistência prática e ferramentas baseadas na terapia cognitivo-comportamental, através de um interface de smartphone.