Há cada vez mais obesos à procura de cirurgia. Em junho, mais de dois mil doentes aguardavam intervenção

Maior facilidade de acesso à primeira consulta e maior financiamento dos hospitais justificam aumento da procura. Nos primeiros seis meses do ano já foram realizadas mais de mil operações.

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LUSA

Há cada vez mais doentes obesos à procura de cirurgia em Portugal. De acordo com dados avançados esta quarta-feira pelo Jornal de Notícias, em junho deste ano havia 2176 obesos à espera para serem operados. Este número constitui um aumento de 61% face ao mesmo período do ano passado. Desde 2016, o número de cirurgias realizadas também tem vindo a aumentar. Até junho deste ano, já foram realizadas 1269 operações.A razão deste aumento da procura das cirurgias deve-se ao maior acesso à primeira consulta para o problema da obesidade e às novas regras de financiamento dos hospitais para as cirurgias. Contudo, o tempo médio de espera para consulta é longo (entre 500 e 550 dias, cerca de um ano e meio), bem como o tempo médio que os doentes aguardam para serem operados (nove meses).

O Hospital de S. João, no Porto, é o que realiza mais cirurgias nesta área. Ao JN, o diretor do Centro de Responsabilidade Integrada de Obesidade deste hospital faz um balanço muito positivo dos primeiros seis meses do ano. John Preto destaca o maior número de primeiras consultas face a 2018 e diz que os tempos médios de espera também já melhoram desde o último ano.

A bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento, destaca a importância do acompanhamento dos obesos por parte dos nutricionistas, mas fala em falta de profissionais nos hospitais: “Anteriormente e posteriormente à cirurgia é necessário um acompanhamento por parte do nutricionista. (Mas) não há nutricionistas suficientes nos hospitais para poderem fazer o seguimento”, diz em declarações à Rádio Observador

Alexandra Bento explica que foi aberto um concurso para colocar 40 nutricionistas nos hospitais, número que a bastonária considera insuficiente: “A ordem dos nutricionistas tem vindo a dizer ao Ministério da Saúde para aumentar este número, para dobrar, de 40 para 80”. O aumento de nutricionistas é “uma emergência nacional”, afirma a bastonária, que destaca ainda a necessidade de maior investimento.

Fonte: Agência Lusa