Luís Marinho Falcão e Nuno Amaral Frazão, respetivamente Creative Mindshaker e Business Mindshaker da Mindsetters

A Mindsetters foi edificada para desafiar pessoas, empresas e mentalidades, de forma a que novas respostas inspirem organizações sustentáveis e com mais sentido. Neste sentido, qual tem sido o trajeto da marca em Portugal e de que forma tem contribuído decisivamente para a promoção de mudanças positivas no universo empresarial?

Nuno Amaral Frazão (NAF) O trajeto em si é, antes de mais, ainda demasiado curto, pois nascemos em março deste ano e, com apenas seis meses de atividade, seria leviano e pretensioso da nossa parte falar em “contributo decisivo”. Mas deixando esse ponto bem claro, o que podemos afirmar é que impactámos já – direta e pessoalmente – mais de 30 empresas de Norte a Sul do país e que, em todas elas, o que sentimos foi uma vontade muito forte para abraçar a mudança, uma sede enorme de descobrir novos caminhos e, acima de tudo, algum alívio por existir alguém disposto a ajudar as pessoas, do CEO ao rececionista, a percorrer esse caminho de mudança com menos ansiedade e dores, por verem na nossa oferta uma abordagem objetiva e orientada para pessoas e resultados.

Vivemos numa fase evidente de transformação digital, sendo que nunca os gestores se depararam com tantos e tão complexos desafios, desde a concorrência global até aos novos comportamentos totalmente digitais. A questão é, de que forma é que a Mindsetters preconiza um papel de acompanhamento e apoio aos empresários no momento de lidar com todas as dinâmicas referentes a estes desafios digitais?

Luís Marinho Falcão (LMF) Fala-se imenso em “transformação digital”, mas a tendência generalizada é a de reduzir este fenómeno ao plano técnico e estrutural das empresas, à adaptação das próprias empresas aos avanços tecnológicos exponenciais que se sucedem e se prevêem.Nós acreditamos que as empresas vencedoras são feitas de pessoas. Até porque as que não conseguirem dar a devida importância às pessoas – dentro e fora da empresa – não vão sobreviver de todo, por falta da visão estratégica que reforce a proposta de valor, fidelização de clientes e retenção de talento.Assumindo esta premissa, o verdadeiro desafio da transformação digital não é tecnológico. É cultural. É de mudança de mentalidades no seio das empresas. É conseguir que todos – do CEO ao rececionista – encarem os avanços tecnológicos como oportunidades de crescimento e libertação, e não como ameaças à posição e emprego pessoal, ou abalo desnecessário do conforto quotidiano.

A Mindsetters surge como um catalisador de mudança das mentalidades na empresa. De forma descontraída, positiva e envolvente, intervimos junto de chefias e equipas para abrir horizontes, questionar preconceitos e ideias pré-concebidas, estimular novas formas de pensar e de sentir a transformação digital. Surgimos antes da tecnologia, abrindo as cabeças para os aspetos positivos que ela pode trazer – e muitas vezes os olhos para as ameaças e perigos a evitar.

Sente que hoje o empresário luso tem maior consciência e recetividade para todos os quadrantes relacionados com os desafios digitais e as suas vicissitudes e mesmo importância no sucesso da sua marca?

NAF Sim e não. O que constatamos é a existência de uma extrema desigualdade nessa consciência e recetividade, tanto entre empresas e setores, como mesmo no interior de cada empresa. Não basta ter toda a empresa equipada com a mais alta tecnologia, ou ter dois ou três visionários na equipa, para conseguir vencer. É preciso que a empresa como um todo entenda os novos comportamentos digitais, as novas gerações e suas idiossincrasias próprias, os novos pontos de contato entre o cliente e o provedor de produtos ou serviços. Antes mesmo de abrir atividade na empresa, percorremos o país de Norte a Sul, durante quase um ano, contactando com empresários e suas equipas, dos mais diversos setores. Concluímos o seguinte: regra geral (principalmente ao nível da indústria a Norte do Tejo), as empresas estão muito bem equipadas e altamente digitalizadas ao nível da produção. Portugal produz com qualidade de nível mundial em quase todos os setores. No entanto, no que concerne ao “Go to Market”, a maioria continua a viver e atuar como fazia no século passado. A sua presença online é fraca, amadora, ou simplesmente descurada, o marketing é rudimentar ou inexistente, a consciência de que o mercado é realmente global e que os nossos clientes podem servir-se do que quiserem, quando quiserem, onde estiverem, é inexistente. Isto para não falar da mais absoluta ignorância quanto ao comportamento do novo consumidor – que também é o procurement officer das grandes empresas, em B2B.

Em Lisboa, a realidade é diferente, vive-se muito dos conceitos e tendências “da moda”, existe um esforço hercúleo nas grandes empresas para promover a mudança, mas, regra geral, ela não verte nem é acionada para todos os quadrantes da empresa. E principalmente, não se cuida como se deveria cuidar da própria cultura da empresa. Atenção, que existem honrosas exceções! Aliás, todas as generalizações são perigosas (incluindo esta), apenas estamos a transmitir o que sentimos nos casos mais gritantes que observámos.

É legítimo afirmar que a dificuldade das empresas no que concerne à transformação digital não é tanto devido a barreiras tecnológicas, mas é mais ao nível cultural e de mentalidade?

LMF Sem sombra de dúvida. Aliás, basta observar o comportamento geral das pessoas na sua vida privada, para concluir que não existem barreiras tecnológicas reais que não possam ser ultrapassadas; a questão é mesmo de mentalidades, de resistência natural à mudança. Fazemos muitas vezes um teste simples: propomos uma pequena mudança na atuação, num método, regra ou comportamento na empresa; mudarmos de gabinete ou secretária, por exemplo, explicando a vantagem dessa mudança. Todos concordam com ela. A seguir anunciamos que é já para amanhã. De imediato, ninguém pode, porque têm “um relatório para entregar”, ou têm uma “consulta inadiável”, ou têm “que ir buscar os miúdos à ginástica”.

Todos acreditamos que a mudança é necessária. Mas poucos estamos dispostos a fazer o esforço que às vezes ela implica. É também no desmontar destas barreiras artificiais, de forma positiva e consensual, que a Mindsetters atua.

De que forma é que a Mindsetters intervém para ajudar os empresários nesta mudança de paradigma?

NAF Nem de propósito, acabámos de falar disto. Tentando explicar mais concretamente, temos três tipos de intervenções, mas todas passam por uma fase de discussão e diagnóstico. Detetados os desafios principais que o empresário enfrenta, podemos recomendar uma das nossas “Business Solutions” – frameworks e metodologias sólidas e amplamente testadas que fomos buscar ao Reino Unido, à Austrália e aos Estados Unidos, implementando-as na empresa e colhendo os resultados, que são quase sempre imediatos e totalmente mensuráveis; ou podemos concluir que a mudança de mentalidades necessária implica numa ou mais intervenções em formato de workshop junto de equipas de liderança (ou de outras mais generalizadas) na empresa; ou então, ao detetarmos que o maior desafio se encontra no “Go to Market”, podemos atuar temporariamente como o departamento de marketing da empresa, em regime de outsourcing.

Mas há aqui um ponto essencial: se o empresário em questão não se encontrar, por si só, em ciclo de mudança, nunca conseguiremos ajudá-lo, seja de que forma for.

Um dos vossos lemas passa pela expressão: Toda a mudança é inútil sem um novo mindset. O que significa realmente esta filosofia e de que forma é que a mesma é importante para construir uma experiência que promova a fidelização do talento e, consequentemente, o futuro e a sustentabilidade das empresas?

LMF Toda a dinâmica de uma empresa é determinada pela sua cultura, pelas mentalidades reinantes. Tomemos um exemplo tão simples e tão fácil de visualizar como duas confeitarias/pastelarias iguais, uma ao lado da outra, com esplanadas do mesmo tamanho: A primeira tem mais empregados e uma oferta mais variada, mas o serviço é lento, os empregados vivem insatisfeitos e estão sempre a rodar, os pedidos são confundidos ou mesmo esquecidos com frequência e os empregados discutem com os clientes diariamente. A segunda, consegue servir mais rapidamente os seus clientes com menos empregados, atende toda a gente com um sorriso e, com uma frequência surpreendente, emprega antigos colaboradores do estabelecimento do lado, que se comportam e trabalham com uma atitude totalmente diferente.

De onde vem essa diferença? Do topo. Na primeira há um empresário de baixo nível, que vai duas vezes por dia buscar dinheiro e gritar com os empregados; na segunda há um empresário nas trincheiras, a lutar ombro a ombro com os colaboradores, dirigindo-os com firmeza, mas (aparentemente) de forma humana e orientada para o serviço ao cliente. Esta abordagem transborda para uma cultura própria de cada empresa, que retém talento e clientes. E isto é universal nas empresas, independentemente do setor ou do estado de avanço tecnológico.

Business Thinking; Skills Building; Marketeering. Estas são três dinâmicas protagonizadas pela Mindsetters e que funcionam como um catalisador para a mudança positiva. Qual a relevância de cada uma das mesmas e como é que se complementam com o desiderato de auxiliar as empresas/empresários?

NAF Ponhamos, por agora, de parte, aquilo a que chamamos de Marketeering, uma vez que nasce de necessidades muito concretas e pontuais, em empresas onde por vezes não se tem justificado um departamento de marketing estruturado e permanente, lacuna que conseguimos preencher pela vasta experiência que os partners da Mindsetters têm nesta área.

Business Thinking representa a base para tudo o resto, o alicerce de cuja solidez depende todo o edifício da empresa. Os alicerces de hoje têm necessariamente que ser evolutivos, porque a empresa construída em cima de um modelo de negócio sólido, mas imutável, dificilmente irá sobreviver. É essa a principal característica – e desafio – dos tempos que vivemos. Não há lugar para a complacência, é necessário questionarmos permanentemente se o negócio que temos hoje terá futuro e, para o ter, como teremos que evoluir. Para ajudar os empresários que se mostrem conscientes disto (os outros, como já referimos, não são ajudáveis), temos uma série de soluções – frameworks e metodologias – importadas e adaptadas para a nossa realidade, bem como uma coleção de módulos de intervenção em workshops concebidos para dinamizar a mudança de mentalidades e a abertura à mudança, em vetores tão diversos como o alinhamento estratégico de toda a empresa ou o desbloqueio da gestão inter-geracional.

Skills Building passa por uma abordagem – e um insight – diferentes: as maioria das pessoas sabe fazer o seu trabalho muito bem, ou não estaria na posição em que está. O que fazemos é trazer para a empresa competências novas, que não estariam normalmente presentes no seu horizonte, mas que serão necessárias e úteis para este ciclo de mudança. Entender o que se passa nos bastidores da internet e como essa realidade pode ser utilizada em proveito da empresa, por exemplo; ou como conciliar objetivos de negócio, objetivos de marketing e objetivos comerciais, entendendo e aceitando a sua necessária convivência e interconexão na empresa. Estas dinâmicas combinam-se da forma mais natural possível, organicamente, da mesma forma como despertar para a necessidade de comer peixe fresco e aprender a usar uma rede ou uma cana de pesca leva a que, naturalmente, essa pessoa acabe a pescar.

Quais os principais desafios da marca para o futuro? Como pretendem continuar a desafiar pessoas, negócios e mentalidades no vindouro?

LMF Apenas um: nunca parar de evoluir. Usamos uma boa parte do nosso dia a dia a estudar tendências, correntes de negócio e tecnologias. Em apenas 6 meses, reformulámos já duas vezes toda a nossa oferta. Com cada empresa em que intervimos, aprendemos pelo menos tanto como, espero, o know-how que partilhamos.

Continuaremos sempre a desafiar pessoas, negócios e mentalidades “até que a voz nos doa”, pois o mundo em que vivemos não nos dá qualquer sinal de desaceleração na mudança, pelo contrário. E se um dia parar de mudar, acho que iremos todos aprender a pescar.

Para quem não conhece, escolher a Mindsetters, é?

NAF Encontrar gente “crescida” e experiente, com quem se podem discutir abertamente os desafios que nos preocupam e nos tiram o sono enquanto empresária(o), na certeza de que a nossa independência, seriedade e discrição vai ajudar a chegar a soluções práticas e pragmáticas, com resultados palpáveis, neste percurso de evolução empresarial. Não é uma resposta simples, mas é eficaz.