CRUZ, AMARAL & ASSOCIADOS, SROC, LDA

Edificada em finais de 2013, a CRUZ, AMARAL & ASSOCIADOS, SROC, LDA tem vindo a perpetuar um legado importante no meio, sendo hoje um player sobejamente conhecido e reconhecido. No sentido de contextualizar junto do nosso leitor, como carateriza o percurso da sociedade ao longo destes seis anos?

A sociedade resultou da cisão de uma outra SROC e da “fusão” de vontade de crescer na auditoria. Fruto da qualidade do serviço prestado, temos conseguido um contínuo crescimento neste mercado, o que tem vindo a possibilitar o alargamento da nossa equipa, tornando-a multi-disciplinar e flexível, e o abraçar de novos projetos e desafios, mantendo como core business a auditoria financeira, mas atuando também nos mercados de consultoria financeira e fiscal.

O Fórum Lisboa, foi palco, do XIII Congresso dos Revisores Oficiais de Contas. Com a temática “Auditoria – Novos Caminhos”, o Congresso, englobará assuntos relacionados com o desenvolvimento das Novas Tecnologias, cibersegurança e globalização. De que forma é que estas questões são importantes para o setor?

Na era em que estamos, o interesse destas matérias é transversal a qualquer setor. Veja-se a recente regulação da proteção de dados. No caso concreto da auditoria, é um desafio que se coloca à auditoria tradicional, onde o uso das novas tecnologias subjacentes aos sistemas de informação e a desmaterialização dos documentos tem vindo a aumentar, a proteção e segurança de dados e comunicações torna-se primordial, de forma a assegurar a disponibilidade, a integridade e confidencialidade da informação.

De que forma é que a OROC trabalha para que a Auditoria esteja na frente dos percursos apresentando soluções e respostas para problemas em constante evolução e mudança?

A OROC é o organismo profissional de todos os auditores, com poderes de regulação e atribuições de interesse público, responsável pelo controlo de qualidade de parte dos mesmos (para outros o controlo é feito pela CMVM). Nestes termos, ela tem um papel decisivo na formação direcionada aos ROC e seus colaboradores, de modo a que sejam absorvidas as dimensões normativas, técnicas e deontológicas da atividade e incorporada a acelerada evolução tecnológica.

Considerando que estamos em tempos de volatilidade e mudanças constantes na realidade económico-financeira global, é papel da auditoria fortalecer as organizações e ajudar a desenvolver as economias?

Sim, o principal desígnio que se coloca aos auditores é o de contribuir ainda mais para a confiança nas organizações e consequentemente nos mercados, criando assim circunstâncias de negócios mais favoráveis e transparentes que permitam às economias desenvolverem-se com maior solidez.

De que forma é que a Auditoria investe em práticas que possam diminuir riscos atuais e futuros de empresas privadas ou de entidades públicas?

A auditoria constitui um pilar de confiança para os agentes económicos. Dispor de contas auditadas é um desiderato elementar para uma legal e saudável prestação de contas dos gestores juntos dos seus stakeholders e do mercado em geral. Exemplo disto, e recorrendo da história, alguns escândalos financeiros abalaram a confiança dos mercados, questionando o papel dos auditores no exercício das suas funções. Os procedimentos de auditoria não garantem em absoluto (mas sim a um nível aceitável) que as demonstrações financeiras possam estar isentas de distorções materiais (lembre-se que são usadas técnicas de amostragem). Assim, para reforçar a confiança nos mercados, diminuindo os riscos das empresas privadas ou de entidades públicas, a Auditoria tem investido em regulamentos e normativos para o exercício da sua profissão bem como da sua supervisão, com o objetivo de minimizar o risco de auditoria, evitando situações comprometedoras do futuro das entidades auditadas.

Aos ROC é exigido mais proatividade e prospetividade por parte das entidades auditadas? É expectável que o auditor vá além da emissão da Certificação Legal das Contas a que estão obrigados pela via regulamentar?

Sim, o velho tema do “expectation gap” dos utilizadores da informação auditada (stakeholders).  Atualmente, a expectativa passa por auditores que incorporem inteligência de negócios e tecnologias às suas obrigações, cada vez mais regulamentadas, indo muito além das análises retroativas às demonstrações financeiras. Veja-se, a título exemplificativo, a adoção de modelos distintos de relatórios de auditoria (consoantes as situações a auditar e os normativos contabilísticos aplicados), a classificação em Entidades de Interesse Público e Entidades de Não Interesse Público e consequentes procedimentos de supervisão, são uma consequência das exigências dos stakeholdes.

“Caminhar Juntos” é um lema. Assumem este lema como uma estratégia? Que desafios é que os ROC se comprometem a assumir no futuro?

Sim, sem dúvida, ainda mais num cenário de globalização. Caminhar juntos com todos os agentes com responsabilidades na qualidade de informação, tal como referiu o bastonário da OROC. Caminhar juntos implica prosseguir um fim – a qualidade da auditoria ao serviço da sociedade. Quanto aos desafios para o futuro, eles passam essencialmente pelo alargamento de competências, dadas as novas abordagens do trabalho suportadas por tecnologia e a crescente exigência regulatória da profissão.