O PAPEL DE CEO NA IMPLEMENTAÇÃO DE SOLUÇÕES DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NAS ORGANIZAÇÕES

Na sua essência, o papel de um(a) CEO centra-se sempre em três planos fundamentais para as organizações: estabelecer a visão, que consiste num “caminho” inspirador para o futuro; saber orientar e motivar todos os seus colaboradores nessa direção estratégica, identificando as novas competências necessárias para que essa transformação seja possível. E, por fim, garantir a existência de recursos financeiro que permitam capacitar a organização para concretizar essa visão estratégica, criando valor de forma crescente e sustentada ao longo do tempo.

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Paula Adrião - CEO K1 Digital

A implementação de soluções de Inteligência Artificial, e em bom rigor de qualquer das tecnologias que compõem a denominada quarta revolução industrial (4IR), requer da liderança de topo uma ainda maior participação em cada um destes três planos, uma vez que que o impacto destas tecnologias na organização, muito mais do que uma mera e assimilável evolução tecnológica, vai produzir uma transformação do seu modelo de negócio, proporcionando uma mudança incontornável na forma como as pessoas trabalham e o tipo de competências de que necessitam para aportar (mais) valor nas tarefas que desempenham, colocando desta forma o segundo plano (das competências) em evidência.

A Inteligência Artificial dá já hoje aos indivíduos e organizações, a oportunidade de trabalhar de forma mais eficaz e produtiva em busca de melhores resultados, devendo ser um tema relevante (de ação) na agenda dos CEOs e por este motivo, deverá partir do CEO e de toda a liderança o recurso a estas tecnologias, dando visibilidade a toda a estrutura dos seus benefícios, sob o risco de não tirar partido de vantagens competitivas importantes face à concorrência, nem de beneficiar do potencial da surpreendente transformação digital em curso, a nível global.

Da observação de casos de sucesso da introdução destas tecnologias em diversos setores, a sua implementação tem o forte envolvimento e condução da liderança de topo da organização de forma a “fazer acontecer” não só o desenvolvimento tecnológico (implementar as soluções e melhorar continuamente) mas a capacitar e, principalmente, incluir o capital humano de forma alinhada e integrada a esta evolução.

Nesta nova época é essencial que os CEOs identifiquem e incluam na sua organização perfis com conhecimentos cada vez mais abrangentes, para consolidar e fazer continuamente evoluir as equipas de alto desempenho, ao ritmo acelerado a que progridem estas tecnologias. Deverão também incutir na organização um conceito de “equipa alargada” que permita englobar parceiros, especialistas externos e investidores, de forma a tirar partido de diferentes perspetivas e experiências e liderar a evolução nestas áreas emergentes.

Os novos modelos operacionais significativamente mais produtivos de automação inteligente que a chamada quarta revolução industrial proporciona, permitem que o mundo do trabalho seja já hoje repartido entre colaboradores humanos, com capacidades próprias, intrínsecas, não replicáveis e imprescindíveis às organizações e soluções tecnológicas avançadas que potenciam e suportam em grande escala o trabalho humano, permitindo de forma comprovada aumentar a produtividade para vários processos de carácter intensivo, e gerar maior valor, auxiliando os colaboradores humanos com recomendações baseadas em modelos preditivos de alta eficácia, em tempo real, de forma a tomar a decisão correta, no momento preciso. Mas sem dúvida é a gestão de topo e o/a CEO o principal mobilizador destas grandes mudanças.

Em 2019 vimos já estas novas tecnologias estenderem-se surpreendentemente às necessidades de cada setor de negócio e a processos transversais. Um dos exemplos mais representativos da atenção dada à implementação de automação inteligente pela gestão de topo de organizações líderes na área de inovação, são os modelos de previsão de vendas (e exportações, identificando também potenciais mercados alvo), de previsões de desempenho de todo o ciclo produtivo, desde logo eliminando potenciais impactos de disrupções na produção, falhas na entrega de matérias primas ou de equipamentos, de tratamento automático de encomendas por análise de comportamento anterior e uma mais eficiente gestão de stocks baseada nestes modelos preditivos. A capacidade de prever antecipadamente e dar a melhor resposta é sem dúvida uma vantagem competitiva de grande valor (ou de sobrevivência) para qualquer organização.

No topo destas capacidades, outro facto relevante é a evolução rápida da qualidade da interação entre estas tecnologias e nós, humanos. A utilização de dashboards sofisticados em que as principais métricas do negócio são já construídas dinamicamente e disponibilizados através da recolha automática por interação inteligente com o utilizador, da informação proveniente das suas questões, do seu perfil e ações, combinando o resultado da análise do comportamento de um grande volume de perfis e funções similares, é já uma realidade. São exemplos de instrumentos verdadeiramente relevantes de gestão operacional e financeira que estão a configurar-se cada vez mais de maior usabilidade para os vários níveis da organização. Indo um pouco mais longe, por tradução de linguagem natural e a partir de dados não estruturados, estas tecnologias podem recolher os pedidos do utilizador (em qualquer formato) e dar a melhor resposta, com o mais elevado grau de precisão.

E não podemos esquecer também o impacto da Inteligência Artificial e destas novas tecnologias na atividade dos próprios CEOs que vão beneficiar de insights sobre a organização e os mercados em que atua e da identificação de padrões até agora invisíveis ao limitado olho humano, permitindo a tomada de melhores decisões. Já sobejamente reconhecida a importância da utilização das novas tecnologias de Machine Learning e Inteligência Artificial que disponibilizam atualmente capacidades de processamento de grandes volumes de informação para análise preditiva, o que permite com um maior grau de certeza em relação aos modelos tradicionais estabelecer objetivos mais aderentes a cenários futuros, explorar todo o potencial de negócio, monitorizar permanentemente o seu desempenho através da capacidade de análise do comportamento dos mercados e das variáveis económicas, dos segmentos de clientes, do desempenho operacional e financeiro, do estado do clima e da cultura organizativa, entre outros, podendo a organização agir/reagir de forma eficaz.

Certamente todas estas capacidades não estão apenas ao alcance das maiores organizações. Na verdade, têm-se comprovado que as empresas mais recentes têm uma vantagem real sobre os incumbentes quando se trata de adotar tecnologias como a IA, outra realidade relevante com que os/as CEOs terão com que se debater e será certamente da sua responsabilidade a condução bem sucedida nesta nova era tecnológica onde se anteveem enormes possibilidades para as empresas e a sociedade.