Susana Lopes da Costa, Moçambique e Angola Country Manager da Sagaci Research

A Sagaci Research é assumidamente um dos principais players do mercado moçambicano, fornecendo serviços para diversos setores de mercado. No sentido de contextualizar o nosso leitor, de que forma é a Sagaci Research tem vindo a contribuir para gerar valor aos seus clientes?

A Sagaci Research é a uma empresa de pesquisas de mercado líder em África, que fornece aos seus clientes informação hiper granular e insights, recolhidos em mais de 30 países do continente, incluindo Moçambique e Angola. A Sagaci Research é uma empresa de pesquisa focada apenas em África, com know-how específico neste continente, o que se reflete, quer nas abordagens e metodologias adaptadas que aplicamos, quer no enquadramento das análises que fazemos. Fornecemos aos nossos clientes informação que espelha a realidade dos mercados africanos, identificando oportunidades de negócio ou de crescimento. Temos experiência nos setores chave e emergentes no continente, o que constitui uma mais valia nas nossa análises e orientações. Fornecemos dois tipos de informação: resultados de pesquisas desenhadas à medida das necessidades de um cliente específico e publicações de relatórios e bases de dados sobre consumo, retalho e as principais indústrias, numa base regular. Estes últimos estão sempre diponíveis e constituem um ótimo ponto de partida ou de atualização de temas genéricos de grande interesse.

Através da informação que recolhemos, apoiamos uma ampla variedade de clientes: empresas multinacionais líder, empresas de consultoria e investidores. O nosso objetivo é fornecer informação que lhes permita tomar as melhores decisões e com maior retorno. Seja no que diz respeito a novos ou atuais negócios. Hoje somos, para muitos clientes de renome, os seus “olhos” e “ouvidos” em África, mesmo quando não estão fisicamente presentes, o que acontece com frequência.

São uma empresa de inteligência de mercado que presta serviços para indústrias de bens de consumo, telecomunicações, serviços financeiros, agricultura, entre outros. De que forma é que perpetuam este fornecimento de informação aos vossos clientes sobre os consumidores e sobre o mercado para avaliar as oportunidades e formular planos de desenvolvimento e estratégias?

O nosso modelo de trabalho baseia-se em algumas especificidades que mostram a forma como damos resposta à necessidade de informação por parte dos nossos clientes:

Apostamos em equipas locais conhecedoras da realidade em cada país, que treinamos intensivamente a nível técnico. Todas as nossas equipas de campo são apoiadas por meios tecnológicos, sendo toda a recolha eletrónica. Isso permite que, diariamente, toda a informação fique disponível a nível central, onde procedemos a análises de qualidade. Nos escritórios centrais (Nairobi, Cairo e Barcelona), dispomos de técnicos especializados em diferentes métodos de análise e em diferentes setores, que analisam os dados e adicionam o nosso pensamento estratégico, com vista a gerar os melhores insights para nossos clientes

Combinamos assim o entendimento local com a experiência internacional, apoiados por tecnologia de ponta, quer durante os processos, quer na preparação e entrega dos outputs. Temos o controlo total de todo o processo, sem sub-contratações em nenhuma fase. Este nosso modelo de trabalho aplica-se em todos os países onde operamos, o que nos permite:

Cobrir o continente com os mesmos standards de execução, permitindo comparabilidade em estudos multi país Uma resposta ágil, flexível e rápida, em consonância com o que exige o dinamismo dos mercados em África.

Da sua experiência e conhecimento, qual é atualmente o potencial de crescimento de Moçambique?

O país continua a enfrentar desafios de várias naturezas, quer sociais, quer económicos, mas o potencial é grande.

Do ponto de vista do consumo e do consumidor assiste-se ao crescimento de uma classe média (maioritariamente jovem) com um perfil muito interessante e atrativo para as marcas. Este movimento faz com que seja premente acompanhar e antecipar as suas necessidades. Por outro lado, a dinâmica do retalho está a evoluir, o que também carece de um diagnóstico constante, como forma de compreender e antecipar tendências e oportunidades. Vemos grandes empresas, por exemplo na área do grande consumo, a reforçarem a sua presença em Moçambique e a aumentarem a sua operação a nível local. Para além de que, a esperada retoma da indústria de exploração de recursos naturais, traz consigo reais oportunidades, com impacto em diversos setores, e cria um clima de maior confiança e todo um quadro mais favorável para a economia

Existem oportunidades que devem de ser mais exploradas? É possível traçar uma evolução desta atividade ao longo dos anos?

Sim, há muitas áreas por explorar ou a carecerem de uma maior exploração do ponto de vista do research. Mas isso irá acontecer com o próprio crescimento do mercado e com a sua maior maturidade. Depende mais do mercado do que das empresas fornedoras de informação.

Quando os mercados crescem e se tornam importantes, os investidores dão-lhes atenção e Moçambique está na mira de muitas empresas multinacionais à espera da estabilidade necessária para muitas apostas. Nessa conjuntura, irão certamente aparecer também muitos players locais e regionais e, nesse sentido, a previsão do crescimento da nossa atividade é boa. A informação de qualidade, disponível em tempo real, vai ser uma vantagem competitiva.

No âmbito da vossa dinâmica, qual a importância das novas tecnologias e da inovação no sentido de capitalizar, ainda mais, a vossa orgânica e consequentemente as valias para os vossos clientes?

Tecnologia e inovação são chave para nós. Mas sempre numa perspetiva do que faz sentido em Àfrica, adaptado a África. Sabemos, por exemplo, que a recolha de informação feita cara a cara com o entrevistado é ainda muito relevante no contexto africano. Assim, continuamos a privilegiar esse modo de recolha vs, por exemplo, paineis online, muito mais usados em mercados mais desenvolvidos. Contudo, desde sempre que utilizamos a tecnologia nessas recolhas, mas ao nível dos instrumentos que usamos para as fazer – os tablets. O nem sempre acontece, ainda hoje, nos mercados desenvolvidos.

Na área do retalho temos investido de sobremaneira em tecnologia de ponta para, por exemplo, mapear os pontos de venda existentes nas principais cidades em África. Dados desta natureza são imensos, mas, ao nível do output, dispomos dessa informação em plataformas interativas que permitem aos nossos clientes olharem diretamente para mapas e dados (apresentados de forma intuitiva) que lhes permitem retirar informação de forma fácil e operacionável.

Apesar de atuarem em diversos setores de mercado, existe algum que tenha maior preponderância no vosso volume de negócios?

Temos particular experiência em bens de grande consumo, mas também cobrimos a banca/ setor finaceiro, telecomunicações, o setor industrial, agricultura, retalho e distribuição, imobiliária, farmacêutica, instituições governamentais e ONG, entre outros. Na nossa perspetiva, considerámos adequado agrupar as áreas de estudo em três grandes categorias, que correspondem ao nosso âmbito de trabalho: Entendimento do consumidor, Entendimento do canal (distribuição) e Dimensionamento e análise dos mercados.

Os estudos de consumidor têm maior preponderância no trabalho que desenvolvemos sendo que, fazemos estudos de diversos tipos, entre os quais: análises aprofundadas de perceção e uso de categorias e marcas; estudos de caracterização e segmentação do consumidor; estudos de satisfação; mystery shopping; estudos de imagem, posicionamento e trackings de marcas; testes de novos conceitos/ produtos/ embalagens; estudos de apoio ao desenvolmento da comunicação e medição do seu impacto. Os estudos de distribuição são também uma área forte para nós e fundamentais para o êxito dos nossos clientes, dada a elevada fragmentação na estrutura da distribuição.

Esta é uma área em que temos investido substancialmente e hoje contamos com uma das maiores bases de dados de lojas de retalho em África com mais de 500.000 pontos de venda identificados em 40 cidades do continente, aos quais fizemos cerca de 200.000 visitas nos últimos 12 meses, para verificação da presença de categorías, marcas, formatos, recolha de preços, entre outros.

No âmbito da CPLP, de que forma é que têm contribuído para o crescimento de relações entre players pertencentes a este espaço da CPLP?

Somos membros de várias câmaras de comércio, quer em Moçambique, quer em Angola. Este vínculo tem sido muito útil no desenvolvimento de iniciativas conjuntas que promovem a notoriedade das empresas, parcerias e formas de cooperação. E isto acontece, quer entre empresas locais, quer entre empresas locais e portuguesas.

Para além disso, a parceria com empresas relevantes que possam complementar o nosso trabalho de pesquisa com outros serviços, de certa forma associados, como por exemplo, empresas de publicidade e consultoria, tem sido também promovido por nós e tem-se revelado uma mais valia, quer para as empresas envolvidas, quer para os nossos clientes, ao poderem encontrar, desse modo, serviços mais integrados.

A vossa aposta ao nível de clientes/parceiros passa também por empresas de génese internacional? Se sim, de que forma é fundamental para as mesmas conhecerem as vicissitudes do mercado em Moçambique para singrarem?

Sim. Como referi, muitos dos nossos clientes são empresas multinacionais e estrangeiras. Moçambique, tal como Angola é, para muitos clientes, um mercado de aposta preferencial ou piloto em alguns projetos/ investimentos. Conhecer o mercado nestes países (os consumidores, a concorrência, a distribuição…) é determinante para que as empresas definam ou adaptem as suas estratégias para o país.

A África “são muitas Áfricas” e, cada país, tem as suas especificidades (por vezes muito desconhecidas e surpreendentes para empresas que estão fora do contexto). Conhecer estas especificidades e, acima de tudo, estar muito aberto ao seu entendimento, sem conceitos ou quadros pré-definidos, é fundamental para o sucesso das estratégias dessas empresas. E nós somos o intermediário ideal para conseguir isso.

Sente que essa necessidade tem aumentado por parte de empresas locais e de cariz internacional?

Em Moçambique a necessidade do conhecimento do mercado aumenta, ainda que lentamente, sobretudo por parte das empresas locais. Viemos de um contexto relativamente recente de escassez de bens, em que o trabalho de marketing era, por não necessidade, inexistente. Hoje já não é assim. Com uma dinâmica de mercado diferente (aos poucos mais competitiva em muitas categorias) e com um consumidor em crescimento (que importa monitorar ao todo o tempo) o conhecimento do mercado e a informação, em primeira mão, será decisivo para quem pretender estar na liderança. E as empresas começam a compreender isso.

O que podemos continuar a esperar por parte da Sagaci Research para o futuro?

A Sagaci Research é a empresa de pesquisa com maior presença em África e queremos continuar a reforçar essa nossa posição e acompanhar o crescimento dos mercados. Continuaremos a desenvolver a nossa operação onde já nos encontramos e entraremos noutros países que sejam relevantes para os nossos clientes. Continuaremos a desenvolver a nossa missão, em que nos propomos a fornecer serviços de market research desenhados especificamente para o mercado africano, sempre com standards internacionais em mente. A qualidade de execução será sempre algo de que não abriremos mão, bem como manteremos sempre um apertado controlo em todo o processo de recolha, independentemente de qual seja a técnica de recolha que usemos. E continuaremos a apostar fortemente nas nossas equipas locais. Temos atualmente cerca de 120 colaboradores de diversas nacionalidades e backgrounds, espalhados pelo continente.

O que é comum nesta equipa é que partilhamos todos a paixão por África e por conhecer as suas especificidades e acompanhar o seu desenvolvimento económico e social. Esse espírito irá sempre fazer parte da nossa essência.