Rogério Santos, Director-Geral Rentokil Initial Portugal

Estávamos em 1948, com memória viva da Segunda Guerra Mundial. A primeira utilização em grande escala do DDT tinha sido em 1941, na região da Birmânia, pelos ingleses, durante a invasão japonesa, para o combate ao dengue e à doença mais antiga e mortal de sempre: a malária. A eficácia do DDT na protecção dos soldados contra os mosquitos, vectores destas doenças, revelou-se extraordinária. Pensa-se que milhões de vidas foram salvas. Os efeitos secundários da sua toxicidade, acumulados no ser humano, noutros seres vivos e no ambiente estavam longe de ser conhecidos ou ser preocupação, na iminência de vida ou morte.

Felizmente, graças à magnífica evolução do Pensamento, organizado em forma de Ciência (apesar dos pesares), graças à enorme acumulação de Conhecimento e Experiência (que, cada vez mais acredito, são sinónimos), salvar vidas nos nossos dias não tem um reverso de medalha tão nefasto e doloroso.

Se, a meados do século passado, a OMS pensava erradicar a Malária com pulverizações de DDT, hoje estamos muito longe de pagar tão alto preço para controlar esta ou outras doenças.

De acordo com a Organização «Malaria No More»[1], a cada 2 minutos, morre uma criança com malária, doença que afecta quase meio milhão de pessoas por ano. É avassalador. Tanto como pensar que basta tão pouco para salvar cada uma dessas vidas. Um estudo publicado este mês na Revista Lancet[2], atribuiu ao ano de 2050 o ano da erradicação da malária. Objectivo possível mas contestado[3] pelo facto de partir do pressuposto, não garantido, que existirão os fundos financeiros previstos para o combate e a Prevenção.

As armas que temos hoje ao nosso alcance são valiosas. A Prevenção é uma delas.

Esta palavra, que tanto se ouve, depois de notícias como a dos incêndios de Pedrógão há dois anos, depois de atentados terroristas, é a chave para muitas questões ligadas à Saúde e Segurança. Sabemos disso. Mas… Se sabemos que 80% das infecções, no ser humano, são transmitidas pelas nossas mãos, porque não lavamos (bem) as mãos mais regularmente? Se sabemos que o Mosquito é o animal que mais mortes causa em todo o planeta, porque não nos protegemos preventivamente? Se sabemos que uma mosca traz consigo mais de 3.000 bactérias, porque nos permitimos conviver com elas?

O risco é muitas vezes invisível. Por isso são tão importantes as campanhas de sensibilização. Por isso é tão importante a Prevenção e o Controlo de Pragas urbanas. Numa escala mais macroscópica, desafio qualquer pessoa a levantar uma tampa de esgoto na cidade de Lisboa e não encontrar imediatamente baratas. O problema agrava-se no Algarve e na Madeira, pelo clima mais quente e húmido, onde encontramos, não raras vezes, baratas a voar, de dimensões consideráveis.

Vivemos num Mundo de constantes e rápidas mudanças: do clima, dos hábitos, da tecnologia. A Investigação e o Desenvolvimento permitem-nos oferecer soluções que acompanham novos paradigmas: a resistência de baratas a produtos que há poucos anos eram eficazes, espécies de mosquitos que se deslocam para o norte da Europa, aparecendo em novas geografias, restrições nas concentrações e variedade de substâncias activas dos produtos biocidas disponíveis, o crescimento e mobilidade das populações, etc.

O desenvolvimento, no nosso Centro de Ciência em Crawley, UK, da tecnologia na luz LED de forma a que esta seja mais atractiva para as moscas do que a luz UV convencional, por exemplo, permitiu-nos criar um Insectocaçador altamente eficiente, de baixo consumo energético e não tóxico. A possibilidade de monitorizar em tempo real roedores ou outros infestantes 24/7 e acompanhar os relatórios no nosso telemóvel é, sem dúvida, mais uma aplicação do mundo Digital ao serviço da Saúde.

São apenas dois exemplos do que referi, sobre a grande mais-valia em que acredito: a supremacia do ser humano, com uso da sua inteligência ao serviço de um convívio salutar da sociedade no seu ecossistema, em constante adaptação e respeito pelo Planeta Terra. ▪