“AMBICIONAMOS UMA PRESENÇA MAIS FORTE EM PORTUGAL E NO CONTINENTE AFRICANO”

“A Asseco PST está presente nos países da CPLP numa ótica de longo prazo. O desenvolvimento do capital humano nestas várias geografias é uma preocupação nossa de sempre”, afirma Daniel Araújo, CEO da Asseco PST, que em entrevista à Revista Pontos de Vista deu a conhecer um pouco mais de uma marca que é hoje um player de relevo na criação de soluções tecnológicas aplicadas à banca.

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A Asseco PST (Portuguese Speaking Territories) é uma empresa de Tecnologias de Informação. Porquê a escolha na especialização de desenvolvimento de software bancário?

Esta escolha está relacionada com a génese da empresa, na Madeira, decorrente da convicção de um grupo de profissionais na importância decisiva que as tecnologias de informação começavam a ter no setor financeiro. Neste caminho de três décadas fomos aprofundando o know how e conhecimento nesta área até nos tornar-nos no referencial atual na criação de soluções tecnológicas aplicadas à banca.

Com 30 anos de experiência no setor, a Asseco PST é uma empresa de referência nos espaços de língua portuguesa onde está presente. Qual é o balanço que faz destes anos de atividade?

O balanço é claramente positivo. A empresa cresceu de forma consistente, alargou a sua oferta de produtos e iniciou cedo a sua internacionalização, privilegiando a aposta nos países de língua oficial portuguesa. Há mais de duas décadas que somos uma empresa tradicionalmente exportadora, em que mais de 80% da nossa faturação provém do exterior. É uma tendência que vai seguramente manter-se.

Opera presentemente em oito países de três continentes. Valorizam a proximidade ao cliente, através das filiais em Portugal, Angola, Moçambique e Cabo Verde. Que tipo de soluções tecnológicas inovadoras é que são desenvolvidas para cada mercado financeiro onde atuam?

As nossas soluções têm a particularidade de serem bastante flexíveis e apresentarem uma estrutura modular. Isto permite-nos responder, com rapidez, aos desafios de um banco moderno com a introdução de soluções tecnológicas de última geração, bem como satisfazer as especificidades pedidas por cada cliente, seja na banca de retalho, na banca de investimento, no microcrédito ou em instituições de crédito. Na verdade, estamos habituados a desenvolver software que tenha em conta as particularidades de cada mercado financeiro e as exigências de cada cliente, com um acompanhamento local permanente e um grau de satisfação muito elevado na avaliação time-to-market.

Como descreve cada mercado financeiro? Quantos clientes têm em cada um?

Tendo a atividade repartida por diversas geografias, falamos de mercados em estádios de desenvolvimento diferentes. Portugal é o nosso mercado de origem, onde temos 12 instituições financeiras como clientes. Angola é o mercado com o maior peso nas operações: dos mais de 60 bancos do nosso portefólio, temos 23 em Angola, o que representa um pouco mais de 80% do mercado total. Em Moçambique temos também uma posição relevante, com 8 bancos que são suportados pelo software da Asseco PST, representando 45% do mercado. Cabo Verde é um mercado mais pequeno, mas onde temos dez clientes, enquanto nos restantes países atuamos sobretudo a partir de Portugal, fazendo deslocar regularmente gestores e técnicos para acompanhar os projetos em curso.

Para além da Banca, trabalham para outro tipo de setores? Quais?

O nosso foco é a banca digital, em que as soluções da Asseco PST permitem fazer a gestão integrada e completa de um banco em todas as suas vertentes, desde processos de concessão de crédito, cartões de débito a plataformas de mobile e internet banking. Mas com a integração da empresa na multinacional Asseco Group, um dos maiores fornecedores europeus de software, abriram-se novos horizontes. Além do setor bancário, o grupo desenvolve também soluções para empresas de telecomunicações, energia, setor público e serviços de saúde. A diversificação de produtos e mercados são hoje dois eixos estratégicos importantes da nossa atuação.

A companhia está focada no desenvolvimento de novos produtos tecnológicos como na prestação de uma gama variada de serviços, tanto para mercados maduros como para emergentes?

Não obstante sermos fortes nos países de expressão portuguesa, temos já presença em mercados anglófonos, como a Namíbia e Malta. A atual ligação à casa-mãe, na Polónia, também nos abre as portas do leste europeu. Temos alguns projetos concretos nestas geografias que queremos aprofundar. Por outro lado, ambicionamos uma presença mais forte em Portugal e no continente africano, sendo este um compromisso mantido no seio do Asseco Group.

As origens da Asseco PST remontam a 1988, no Funchal. Como é que se deu a expansão da empresa para Portugal continental e outros países PALOP?

Após a sua criação, os fundadores da empresa estiveram dois anos a desenvolver de raiz a sua primeira solução de gestão bancária. O primeiro cliente foi ganho no Continente através de uma recomendação da Universidade Católica que apostou na nova solução, após um levantamento da oferta existente no mercado. A primeira incursão pelos mercados africanos surgiu logo de seguida. Estamos em Angola desde 1990, altura em que nasceu o primeiro banco comercial que optou pelo sistema de core bancário da empresa. Em Cabo Verde e São Tomé e Príncipe estamos presentes desde 1992, também associados à primeira instituição financeira dos respetivos países. Moçambique surge logo no ano seguinte.

Em que sentido é que a Asseco coopera e contribui para o crescimento da vertente da CPLP?

A Asseco PST está presente nos países da CPLP numa ótica de longo prazo. O desenvolvimento do capital humano nestas várias geografias é uma preocupação nossa de sempre. Criámos, por exemplo, uma academia de formação em tecnologias de informação, a Asseco Academy, com o objetivo de certificar novos profissionais com competências no setor financeiro. A academia já opera em Angola e Moçambique e, a prazo, estará noutros mercados. Por outro lado, somos igualmente ativos na cooperação através das câmaras de comércio das quais somos associados.

Considera que a cooperação bilateral entre Portugal e os países integrantes da CPLP no domínio financeiro deveria ser mais fomentada? E considera que existem aspetos que têm de ser aperfeiçoados?

O reforço da cooperação entre os países da CPLP é desejável e mutuamente vantajoso. A área financeira não é exceção. O setor bancário está em transformação, tanto em Portugal como noutros mercados mais emergentes. Há sempre questões regulatórias que carecem de ser aperfeiçoadas e ganhos que é preciso conquistar ao nível da eficiência, rapidez e segurança das operações bancárias, ao mesmo tempo que se procura garantir uma maior comodidade para o cliente bancário que atua nos vários mercados.

A Asseco PST foi distinguida este ano com um prémio internacional pela IBS Intelligence na categoria CRM para o setor bancário. Em que consiste este prémio e qual a sua importância?

A IBS Intelligence é a principal fonte de informação e de análises independentes em tudo o que se relaciona com tecnologias financeiras. Esta organização destacou a Asseco PST como líder na IBSI Sales League Table 2019, que funciona como um barómetro de vendas para os fornecedores de soluções tecnológicas aplicadas à área bancária. O prémio reconhece o nosso desempenho na implementação de soluções na categoria CRM Systems e CRM Platforms. A sua importância advém do facto de aquele barómetro ser utilizado pelos bancos para selecionarem os seus parceiros tecnológicos.

De que forma este reconhecimento constitui um selo de reputação e solidez perante clientes, parceiros e colaboradores?

A distinção reforça o prestígio da empresa, ajudando a solidificar a nossa imagem como player de referência nos vários mercados. É igualmente um estímulo para todos os colaboradores que diariamente se empenham para superar os desafios mais exigentes.