“O IEFP TEM TIDO UM PAPEL DECISIVO AO PROPORCIONAR OPORTUNIDADES”

De que forma é que o IEFP tem tido um papel decisivo no domínio da obtenção de competências profissionais para jovens e adultos? Paulo Feliciano, Vice-Presidente do Conselho Diretivo do IEFP, Instituto do Emprego e Formação Profissional, abordou esta temática e outras, assegurando que a instituição irá prosseguir a sua missão de promover formação e aprendizagem ao longo da vida.

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A 4ª edição da Semana Europeia da Formação Profissional realizou-se em Helsínquia (Finlândia), de 14 a 18 de outubro, organizada pela Comissão Europeia, com o intuito de inspirar e promover a descoberta de talentos através da Educação e Formação Profissional (EFP). Quão importante é que se continue a promover estas efemérides em prol da formação profissional?

As Semanas Europeias da Formação Profissional têm demonstrado como a EFP pode ser determinante na vida das pessoas. E, dessa forma, têm contribuído para aumentar a sua a atratividade junto dos jovens, dos adultos, das empresas e da sociedade em geral. Este é um contributo de grande importância porque, como sabemos, a formação profissional tem uma relevância grande para promover a competitividade, a empregabilidade e a coesão social nos Estados-Membros e na Europa como um todo.

Que análise perpetua da Formação Profissional em Portugal? Sente que hoje estamos num patamar mais elevado relativamente a um passado recente?

Sem dúvida. Todos os estudos e estatísticas apontam nesse sentido. Por exemplo, o Education and Training Monitor 2019 dá conta de aproximadamente 40 mil novos estudantes nas vias profissionalizantes de nível secundário, em 2017, o que corresponde a 40,7% da totalidade de jovens nesse nível de ensino. Além disso, são cada vez menos os jovens, entre os 18 e os 24 anos, a abandonaram precocemente a escola (11,8% em 2018, contra 30,9% em 2009) e a taxa de participação dos adultos (entre os 25 e os 64 anos) em atividades de aprendizagem ao longo da vida aumentou de 6,4%, em 2009, para 10,3% em 2018. São progressos muito consideráveis realizados num curto período. O Sistema de Aprendizagem, por exemplo, tem dado mostras de um enorme potencial em combinar as aspirações dos jovens que querem construir o seu futuro aprendendo uma qualificação reconhecida pelo mercado de trabalho e as crescentes expetativas das empresas que procuram talento para dar resposta aos exigentes desafios que hoje enfrentam.

Qual foi o papel do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) neste cenário positivo ao nível de formação profissional?

O IEFP tem tido um papel decisivo ao proporcionar oportunidades para que muitos jovens e adultos consigam completar a sua qualificação e obter competências profissionais necessárias para o seu ingresso ou reingresso no mercado de trabalho. Para os que já se encontram no mercado de trabalho, o IEFP tem vindo a proporcionar condições para que reforcem a sua empregabilidade e sejam capazes de fazer face às mudanças que ocorrem, cada vez mais repentinamente, no mercado laboral.

Sente que o ensino e a formação profissional atuais podem e têm contribuído para garantir, em Portugal e na Europa, as competências que vão ao encontro das necessidades do mundo em constante mudança?

Este ajuste é uma tarefa difícil e sempre inacabada, porque as competências que hoje são consideradas essenciais rapidamente vão dando lugar a outras. Mas é um esforço permanente, sempre presente na ação do IEFP, que tem levado à criação de instrumentos e mecanismos para que o desenho do perfil profissional de uma qualificação e dos programas formativos correspondam, o mais possível, aos requeridos pelas empresas quando os formandos completam o seu ciclo de formação.

Hoje a inovação e a denominada transformação digital têm perpetuado um legado de mudanças e alterações em praticamente todos os setores, oferecendo, portanto, novas oportunidades. Na senda da formação profissional, como tem o IEFP apostado fortemente na dinâmica da inovação, em novas competências e profissões?

Perante os desafios e a incerteza do futuro, o IEFP tem apostado em reforçar a diversidade e atualidade das suas respostas formativas, garantindo a complementaridade entre as componentes de base e tecnológicas da formação mas sem esquecer o que nos distingue enquanto humanos, que tem sobretudo a ver com a nossa criatividade, capacidade de empreender e interação social. Destas preocupações faz parte, também, toda a realidade do digital.  Por essa razão tem investido fortemente nesta componente, contribuindo para a melhoria das competências digitais da população, no quadro da Iniciativa Portugal INCoDe.2030.

“Discover Your Talent!” foi o mote da campanha e o tema deste ano da Semana Europeia da Formação Profissional foi “Educação e formação Profissional para todos – Competências para a Vida”. Que comentário a estas duas designações?

Estas designações refletem a relação que existe hoje entre talento e competências. O talento que é hoje requerido não é algo de inato, que adquiramos à nascença. É antes o que advém das competências, conhecimentos e aptidões que cada qual acrescenta ao longo das suas vidas através das múltiplas aprendizagens que faz.