INOVAÇÃO MADE IN PORTUGAL

Portugal está na moda e são muitas as empresas de inovação estrangeiras que se fixam por todo o país, à procura de talento e de boas condições para os seus colaboradores. Contudo, muitas são também as empresas de origem 100% portuguesa que contribuem para que o tecido empresarial do país seja cada vez mais composto por ideias tecnológicas, inovadoras e escaláveis.

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LISPOLIS Cíntia Costa Pedro Rebordão

o nosso dia-a-dia, os termos startup, tecnologia e ecossistema empreendedor são comuns. Contudo, há já muito tempo que se aposta em inovação em Portugal e são inúmeras as empresas de média e grande dimensão que apostam em departamentos de Investigação e Desenvolvimento (I&D) para garantir que continuam na linha da frente nos seus setores de atividade.

No LISPOLIS, vemos essa aposta dar frutos todos os dias, com a criação de novas soluções em várias áreas de negócio. As empresas instaladas, sejam microempresas, startups, PMEs ou mesmo multinacionais, têm como fator diferenciador a capacidade de se adaptarem às novas realidades e utilizarem as tecnologias a seu favor, resolvendo problemas reais e oferecendo soluções eficazes.

A InoDev, consultora de inovação cujo foco é ajudar as empresas a despoletar e gerir a inovação, de modo a adquirirem um posicionamento estratégico diferenciador, maximizando os resultados e a rentabilidade global, tem testemunhado o avanço da inovação em Portugal.

“É visível, nos últimos anos, a crescente consciencialização das PMEs para o conceito da inovação (e da sua distinção do conceito de invenção) e da sua importância no sucesso nas empresas”, explica Telma Batista, consultora na InoDev. Refere ainda que, comparando com o panorama europeu, Portugal atingiu o melhor lugar de sempre no Ranking Europeu de Inovação e lidera agora o grupo dos países ‘moderadamente inovadores’.

“O nosso país destacou-se da média europeia em fatores como o número de estudantes internacionais de doutoramento, o registo de marcas comunitárias, a inovação não tecnológica, as inovações das empresas em produtos/processos e o nascimento de novas empresas. Isto mostra o crescente dinamismo da economia portuguesa na área da inovação”, acrescenta, indicando as Tecnologias de Informação e Comunicações, Saúde, Tecnologias de Produção, Indústrias de Produto, Tecnologias de Produção e Indústrias de Processo como principais setores onde se inova em Portugal.

A aposta na robótica

A área da robótica tem sido uma das que mais destaque ganhou nos últimos anos. Contudo, há uma empresa que já existe há quase 20 anos e que continua a dar cartas na robótica: a ID Mind. Instalada no LISPOLIS desde 2000, esta empresa spin-off do Instituto Superior Técnico tem desenvolvido vários projetos em diferentes áreas, como no Edutainment com o robô Viva instalado no Centro de Ciência Viva / Pavilhão do Conhecimento, ou no Turismo, com o FROG (Fun Robotic Outdoor Guide) que já esteve patente no Terreiro do Paço.

Trabalha ainda a área de serviço de acolhimento, com o robô LINK que indica o caminho aos visitantes do Banco Bradesco, no Brasil, e a área social, com o SocialRobot que pretende acompanhar e socializar com os idosos em lares, na Holanda. Esta empresa inovadora desenvolve projetos para vários países, quer europeus quer extracomunitários, criando inclusivamente parcerias e consórcios com outras empresas para poder chegar mais longe com os seus produtos.

Impacto na área social

O impacto na área social sempre foi um dos principais objetivos do desenvolvimento tecnológico. Resolver problemas do dia-a-dia dos humanos é um dos grandes motivos que leva equipas e empresas a apostar em novas soluções criativas.

É o que acontece no caso da mobilidade reduzida, que cada vez mais tem soluções criativas para apoiar as pessoas com dificuldades motoras a terem uma vida com mais acessibilidade. O desenvolvimento da tecnologia vem dar um grande impulso à vontade de criar mais condições para que a mobilidade seja um direito de todos.

A Accessible Portugal, empresa portuguesa instalada no LISPOLIS, foi criada com o propósito de ajudar a tornar o Turismo acessível para todos. Considerando que existe cerca de 1 milhão de pessoas com necessidades específicas e cerca de 2,5 milhões de seniores em Portugal, a apresentação de soluções inclusivas torna-se fundamental.

Esta empresa tem desenvolvido projetos com vários parceiros, incluindo o Turismo de Portugal e a Fundação Vodafone Portugal, dos quais se destaca o TUR4all Portugal, plataforma online que disponibiliza informação sobre as condições de acessibilidade nos diversos recursos turísticos como hotéis, monumentos e museus, sem esquecer os transportes (adaptados), restaurantes com casas de banho adaptadas ou ementas em braille, entre outras situações. Esta solução pode ser acedida via website ou aplicação móvel e contém informação objetiva e atualizada sobre as condições reais de acessibilidade da oferta turística.

Também a IKI Technologies está a trabalhar para tornar a vida nas cidades mais acessível para todos. Através do seu produto myEyes, é feito um mapeamento de uma zona previamente definida e criado um mapa virtual online para que pessoas com mobilidade reduzida e com deficiências de visão possam seguir as instruções e dirigirem-se ao local pretendido sem contratempos, como passeios altos ou situações de perigo como passadeiras em locais com pouca visibilidade para os condutores de veículos motorizados.

Este é um sistema pioneiro que permite que pessoas com cegueira parcial ou total recebam indicações através de uma app mobile que oferece referências em voz alta sempre que encontra um “evento”, isto é, uma coordenada GPS ou um Beacon, reproduzindo os textos previamente inseridos na Cloud. Estes textos têm o propósito de narrar o que está à volta do utilizador, ao mesmo tempo que fornece orientações sobre como ir de um ponto para outro.

O desafio no setor da saúde

A par de uma preocupação com o setor social da sociedade, existe uma preocupação crescente com a Saúde. Contudo, inovar numa área tão conservadora como a Saúde não é fácil.

A Delox, startup spin-off de um projeto académico na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, veio provar que não é impossível. Aliando o estudo químico com a vontade de empreender, nasceu esta empresa que irá comercializar aparelhos de descontaminação biológica para qualquer local com necessidade de condições sanitárias de excelência, como hospitais de campanha, blocos de cirurgia ou mesmo em centros de produção de fármacos.

Para desenvolver a sua ideia, os empreendedores da Delox contaram com o apoio do programa StartUP Voucher, uma medida no âmbito da estratégia StartUP Portugal que tem como objetivo oferecer aos jovens portugueses uma bolsa mensal e prémios de avaliação intermédia para que possam verificar a viabilidade da sua ideia durante um ano. Mais recentemente, foram alvo de investimento de 300 mil euros pela Caixa Capital e Hovione Capital, e também conseguiram apoio da European Space Agency Business Incubation Center Portugal.

Atualmente, a empresa está a finalizar o protótipo do seu produto, que irá começar a ser comercializado em 2021.

Também a CRIAM Tech decidiu apostar num novo dispositivo médico: desenvolveu um dispositivo médico automático e portátil para análises sanguíneas passível de identificar o tipo e subtipo sanguíneo em três minutos. A CRIAM é a primeira solução no mercado de Point-of-Care que é portátil e automática. É mais rápida do que a concorrência, é móvel, é menos onerosa e permite a melhor gestão do inventário de O- em termos de sangue.

A CRIAM foi um projeto académico que surgiu na Universidade do Minho através da investigadora e cofundadora, Ana Ferraz, que baseou o seu doutoramento neste produto. Ganhou o primeiro prémio da Microsoft Imagine Cup a nível mundial e, mais recentemente, o prémio para a área de healthcare da terceira edição do concurso Protechting, promovido pela Fidelidade e Fosun em parceria com a Beta-i.

Descomplicar é palavra-chave

Olhar para um problema de maneira diferente pode ser o ponto de partida para desmistificar a sua complexidade e encontrar uma solução mais simples.

A Six-Factor, empresa tecnológica instalada no LISPOLIS desde 2017, aproveitou um sistema já existente, de cacifos de entrega em espaços comuns, e simplificou a sua utilização, através de uma camada de segurança digital adicional que permite responder ao desafio da ineficiência na entrega bem-sucedida ao cliente final.

Os Smart Digital Lockers são armários digitais inteligentes que oferecem o mais alto nível de segurança de cacifos aliados a uma estética e robustez dos equipamentos, sem esquecer a funcionalidade e usabilidade adaptada aos utilizadores. Considerando que a vida urbana é cada vez mais rápida e movimentada, oferecer ao consumidor a opção de escolha do local onde recebe as encomendas aumenta a eficiência do serviço e satisfação do cliente.

Estes cacifos fazem uso das tecnologias Blockchain e Inteligência Artificial para garantir a idoneidade e segurança do seu conteúdo e podem ser utilizados para entrega de encomendas ou armazenamento de bens pessoais. Esta é uma solução que pode ser aplicada como last mile num processo de compra online, motivo pelo qual os Smart Digital Lockers participaram ativamente na primeira edição do programa de aceleração E-Commerce Experience, focado no retalho.

Esta é uma comunidade de empresas que está em crescimento, uma vez que acolhemos hoje 125 empresas em 12 edifícios. A sua proatividade e capacidade de envolvimento têm ganho dimensão, criando o que é hoje um espaço em Lisboa com muito mais para oferecer do que apenas metros quadrados. Faça parte desta comunidade e ajude-nos a tornar o panorama de inovação em Portugal cada vez mais abrangente!