Gooders: start-up brasileira de economia social chega a Portugal

A Gooders, start-up brasileira que está a desenvolver um novo modelo de economia social, juntando numa mesma plataforma organizações não governamentais (ONG’s), voluntários e marcas, acaba de abrir em Portugal – a primeira paragem para a expansão europeia.

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Fábio Procópio

A Gooders é um marketplace social de êxito no Brasil, através do qual os voluntários são recompensados pelas horas que dedicam às causas que abraçam com benefícios e ofertas de produtos e serviços. No Brasil, a Gooders tem entre muitos parceiros marcas como a McDonalds ou a Samsung.

A Gooders nasce em Portugal com mais de 400 ações de voluntariado disponibilizadas por 3000 ONG’s  nacionais, através da Bolsa de Voluntariado – ponto de encontro entre a procura e oferta de voluntários – e alguns parceiros, entre eles o site de compras online Dott, a ProdTo, plataforma que é mercearia online com aconselhamento de nutricionistas e o grupo de comunicação Cofina. Em breve outras marcas se irão juntar.

Inovar na economia social e recompensar o mérito é o objetivo.

A mensagem é clara – “fazer o bem recompensa”  e o processo é simples: basta fazer inscrição na plataforma, seleccionar uma ação solidária e esperar a recompensa que depois pode ser utilizada nas marcas parceiras. A recompensa acontece em forma de moeda virtual – os “gooders”- que dá o nome à inovadora start-up brasileira.

Por cada dez minutos de voluntariado recebe-se um “gooder”, ou seja, uma hora equivale a 6 gooders. Mas a moeda assume diferentes valores para cada parceiro. Neste momento a Dott, por exemplo, está a oferecer 5€ de desconto no shopping online porquês por cada 10 gooders. Já no caso da ProdTo, cada 5 gooders valem 5€ de desconto.

O objetivo é criar um espaço onde voluntários, ONG’s e marcas se juntam em nome da responsabilidade social – um esforço conjunto que representa benefícios reais para todos os participantes na economia social. Qualquer utilizador se pode registar na Gooders, sejam voluntários que já colaboram com as 400 organizações que estão associadas ao projeto, sejam novos voluntários que podem ver recompensada a sua dedicação.

À frente da Gooders em Portugal está Pedro Borges, profissional com larga experiência no mercado financeiro tendo passado pela Go Bulling e pela Orey Financial. Nos últimos anos liderou o Saxo Bank no Brasil, além de ter sido fundador de várias start-ups no mercado brasileiro como a Carlicity, intermediária para publicidade em veículos móveis, e outras empresas na área de formação de projetos de criptomoedas e blockchain.

“Portugal é um país solidário e temos mais manifestações de voluntariado do que muitos países desenvolvidos. Temos um povo que sabe bem acolher e cuidar e por isso faz todo o sentido criar um sistema de retorno para as pessoas que dedicam horas da sua vida a causas”, explica Pedro Borges.

A Gooders afirma-se, ainda, como uma forma das organizações divulgarem as suas ações de Responsabilidade Social e necessidades conseguindo alcançar um público mais alargado. Mas não são só as ONGs que beneficiam: as vantagens também se aplicam ao público em geral que muitas vezes tem a vontade de ajudar mas lhe falta uma estrutura para responder a questões práticas de “como”, “onde” e “quando”.

Desta forma, todos os utilizadores têm a possibilidade de facilmente aceder a uma agenda das ações solidárias a decorrer. Os números mostram: Portugal quer ajudar. Em 2018, a taxa de voluntariado foi de 7,8%, o que quer dizer que cerca de 695 mil pessoas realizaram pelo menos uma actividade solidária sem remuneração. A ala jovem é a mais predominante, entre os 15 e os 24 anos de idade, mostram os dados do Inquérito ao Trabalho Voluntário realizado no ano que passou.

No país de origem, a Gooders é já um projeto consolidado: no Brasil tem 12.000 organizações na plataforma, contabilizando um total de 214.000 voluntários registados e está associada a dezenas de parceiros, de negócios locais a multinacionais como a MacDonalds, a Samsung e a IBM.