“O desenvolvimento é, acima de tudo, sobre as pessoas”

Birgit Holm, Diretora Executiva da ADPP Moçambique, acredita que o desenvolvimento social, económico e o bem-estar das comunidades reside prioritariamente nas camadas mais vulneráveis da sociedade e rege-se por fazer destes grupos o alvo do seu trabalho. Saiba mais acerca desta associação não governamental moçambicana.

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Birgit Holm, diretora da ADDP

 A ADPP é uma associação não governamental moçambicana, criada em 1982. Porque critérios e linhas orientadoras reúnem a vossa atuação?

O nosso mote é potenciar as comunidades no conhecimento de algumas formas de vida com o intuito de criar e gerar renda para a sua subsistência. Aliado a estes fatores, acreditamos que o desenvolvimento é acima de tudo, sobre as pessoas, e que quando elas são respeitadas, aumentam a sua capacidade produtiva e interventiva e, tornam-se força motriz das mudanças que pretendem fazer.

A ADPP Moçambique entende ainda que a educação é um fator importante no desenvolvimento sócio-económico do país. As pessoas são o motor do desenvolvimento humano e, para isso, têm que ser formados para tal. Toda a filosofia de trabalho da ADPP está espelhada nos nossos estatutos.

A ADPP Moçambique atua em quatro setores principais: a educação, saúde, agricultura e energias renováveis. Considera que estes programas são baseados no desenvolvimento holístico das comunidades locais, como forma de alcançar resultados sustentáveis?

O nosso enfoque está virado para estas quatro áreas porque são setores chave e interdependentes para a promoção do desenvolvimento social e económico de qualquer comunidade. A nossa actuação está alinhada de acordo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas e adotados pelo governo de Moçambique, um dos nossos principais parceiros. Com estes programas, trabalhamos para erradicar a pobreza em Moçambique com intervenção na (1) Educação: para o alcance de uma educação primária universal através da criação de escolas comunitárias e programas de formação de professores além de ensino técnico, educação da rapariga e educação inclusiva e ensino superior; (2) Agricultura: para acabar com a fome melhorando a segurança alimentar nas zonas rurais através dos “Clubes de Agricultores e Produtores”; (3) Saúde: melhorar a saúde e o bem-estar através dos nossos programas de controlo das epidemias (Tuberculose e HIV/SIDA), bem como no combate à malária e à desnutrição nos grupos mais vulneráveis.

Considera que este desenvolvimento é ou deve ser visto como um processo inclusivo, que visa o bem-estar geral de pessoas e comunidades, tanto em termos socioeconômicos quanto culturais?

Um dos valores humanísticos da ADPP é a importância dada ao ser humano no processo de desenvolvimento socioeconómico e cultural, razão pela qual os projetos da associação têm a dimensão inclusiva, o que permite que haja espaço para qualquer cidadão, independentemente da sua raça, crença, religião, condição física e entre outras características. Temos projetos direcionados para crianças, jovens e adultos. Nos cerca de 60 projetos em carteira, procuramos sempre que o desenvolvimento seja holístico e abranja todas as áreas e grupos da sociedade. Acreditamos que não basta intervir numa área especifica se as pessoas não se puderem desenvolver globalmente, em todas as áreas da sua vida. Apenas uma comunidade que ganha as rédeas da sua vida poderá e conseguirá um desenvolvimento sustentável.

A ADPP Moçambique construiu sólidas relações com o Governo de Moçambique, a comunidade local e internacional de desenvolvimento e várias entidades do setor privado, cada uma contribuindo e apoiando diferentes áreas de atividade. Qual a importância deste tipo de ligações para a Associação?

A ADPP é um parceiro do Governo de Moçambique desde o primeiro dia pois acreditamos que apenas quando se unem esforços se conseguem atingir os objetivos. Assim, temos relações de cooperação bastante saudáveis com o governo de Moçambique através dos seus ministérios. Pelo reconhecimento do trabalho que desenvolvemos conquistamos confiança com os dirigentes do governo, entidades académicas, diversas personalidades e o setor privado que também tem apoiado a nossa causa. Para o funcionamento da nossa associação precisamos, por um lado, de mobilizar fundos junto dos parceiros multilaterais e bilaterais e, por outro, precisamos de parceiros governamentais para em coordenação implementarmos o plano nacional de desenvolvimento humano.

Qual diria que é o principal papel das associações não governamentais nos países lusófonos?

O foco do trabalho das associações está voltado para as camadas mais desfavorecidas, auxiliando os governos a dar resposta aos desafios do desenvolvimento sustentável constituindo a sociedade civil um importante parceiro na implementação destes programas. Neste grupo de países, por diferentes razões, a pobreza tem sido o denominador comum e o maior entrave ao desenvolvimento humano destas sociedades. A ADPP conhece bem estes países e temos parceiros da nossa Federação a trabalhar na sua maioria. O alinhamento aos planos de desenvolvimento nacional é chave para que estas associações possam ter um impacto.

Um dos objetivos traçados pela CPLP é o fortalecimento das relações e apoios entre os países e enfoque nos desafios e oportunidades. É possível sentir este apoio na ADPP por parte dos países membros da CPLP?

A Federação Humana People to People, da qual a ADPP Moçambique faz parte, está presente, através das suas organizações associadas, na maioria dos países da CPLP, nomeadamente em Portugal, Brasil, Angola, Guiné Bissau e Moçambique. As aprendizagens e ensinamentos do trabalho de cada uma destas organização é crucial para que o desenvolvimento humano seja célere. Mas sem duvida acreditamos que a existência de um maior apoio nos programas de redução da pobreza pode ter um impacto maior no desenvolvimento sócio-economico destes países onde a língua portuguesa é, sem duvida, um forte denominador e fator de união destes países.

Qual diria ser o contributo da ADPP e a sua importância no universo CPLP?

Acreditamos que o nosso maior contributo é poder partilhar as experiências e aprendizagens entre as nossas organizações e assim acelerar o desenvolvimento humano destes países. Tal como vemos o desenvolvimento humano como algo holístico, acreditamos também na união de forças e esforços na redução da pobreza. A CPLP é composta por vários países com extremas forças. A união entre nós resultará sempre no progresso partilhado e célere para todos.