RUI GODINHO - APDA

De sublinhar as presenças do Senhor Ministro do Ambiente e da Ação Climática na Sessão de Abertura e da Senhora Secretária de Estado do Ambiente no Encerramento, conferindo uma relevante dignidade institucional ao evento, dando nota pela primeira vez num ato público, nesta legislatura, das principais linhas de orientação do Governo para o Setor.

 Nos trabalhos, mais de 800 dirigentes e quadros de topo nacionais e estrangeiros, onde avultaram como “Keynote Speakers” a Presidente da EurEau – European Federation of National Associations of Water and Wastewater Services – e o Investigador da Fundação Calouste Gulbenkian José Félix Ribeiro – discutiram os mais prementes temas que preocupam o Setor da Água em Portugal, na Europa e no Mundo, num contexto de “Mudanças Globais” em curso, nas Mesas Redondas, nas apresentações das 199 Comunicações e no Debate sobre as Perspetivas Futuras.

Destaque também para a participação de Presidentes e Administradores de Empresas Públicas e Privadas de Água e Saneamento, Presidentes de Câmara e Vereadores de diversas Câmaras Municipais, Administradores, Quadros Dirigentes de Serviços Municipalizados, Municipais e Intermunicipais, bem como inúmeros Técnicos Qualificados dessas Entidades, alguns dos quais membros ativos das Comissões Especializadas da APDA, e ainda Professores Universitários e Investigadores.

As 50 empresas presentes na Exposição apresentaram, em 59 stands, produtos com inovações tecnológicas assinaláveis aplicadas às diversas operações de produção e distribuição de água e de drenagem e tratamento de águas residuais, visando melhorar os indicadores de performance dos sistemas atuais e futuros. Também se proporcionaram condições para Encontros Empresariais, visando a partilha de experiências e de oportunidades de cooperação futura.

Todos deram um muito valioso e inestimável contributo para a construção de uma verdadeira “Agenda para a Água” e apontaram as linhas fundamentais do “Roteiro para 2030” e mesmo para além disso.

O grande interesse e participação que suscitou revelou ainda como acertado o desafio lançado pela APDA ao Setor da Água e Saneamento e à Sociedade Portuguesa, para o debate sobre o tema da “Gestão da Água para a Próxima Década”, envolvendo todos os stakeholders na procura e construção da melhor estratégia e das melhores soluções e medidas.

Foi o que disseram as abordagens relativas à “Segurança Hídrica do País e as Alterações Climáticas” que a vão condicionar fortemente. Urge reforçar a atenção à preparação do Estado, Entidades Gestoras, Autoridades Locais, Sociedade Civil e suas organizações, bem como toda a população, para lidarem com esta nova situação.

As fragilidades existentes em aspetos estruturais das políticas da água em Portugal necessitam de respostas para ultrapassar a deficiência de “só agir do lado da procura”, secundando “o lado da oferta”, nomeadamente no tocante a medidas que preservem e reforcem as reservas de água em território nacional – regularização e armazenamento interanual e defesa das águas subterrâneas, como ativo estratégico.

Quanto ao desempenho dos serviços de água e saneamento, o objetivo é promover a sua eficiência, reforçando a sua “resiliência”, por forma a diminuírem os “riscos de gestão” provocados por “perdas” e “água não faturada”, os quais atingem ainda um valor médio alto (30,7% em 2017), garantindo a disponibilidade e acessibilidade, com adequados níveis de qualidade, a todos os portugueses. Impõe-se uma estratégia de “gestão de ativos” de médio e longo prazo.

Novas origens de água não convencionais, como a “reutilização das águas residuais”, “retenção das águas pluviais” e adoção de “soluções baseadas na natureza” devem ser desenvolvidas.

O tema da “Desertificação do Interior” destacou o papel insubstituível dos Municípios no encontrar das soluções para garantia do acesso à água e saneamento para aglomerados de baixa densidade, localizados remotamente, onde as soluções convencionais não são aplicáveis.

São, assim, necessárias soluções inovadoras, não podendo a chamada “Indústria 4.0” alhear-se deste objetivo.

A “inovação” deverá tornar-se uma “constante da vida” das organizações, tanto nas concentrações urbanas como nos chamados “meios rurais” e mais remotos de Portugal.

No ENEG 2019 – Encontro Nacional de Entidades Gestoras de Água e Saneamento – propuseram-se, assim, as “Políticas Públicas” para a gestão da água, enquanto recurso escasso, e para os serviços de água e saneamento, para a próxima década e para além dela.