Atividade da SPO, porém, não se esgota na área científica. Tem ainda como objetivos promover a saúde ocular da população e defender os profissionais e os seus doentes das ameaças perpetradas por outros profissionais que se autointitulam especialistas de visão.

A oftalmologia é uma especialidade médico-cirúrgica, que tal como muitas outras especialidades, tem tido um desenvolvimento exponencial no que respeita ao conhecimento científico, métodos de diagnóstico, novos medicamentos e técnicas cirúrgicas. Para acompanhar tão grande evolução os oftalmologistas são hoje preparados no sentido de uma diferenciação específica numa determinada área da patologia ocular. Preparação que em grande parte se inicia após a conclusão da formação específica da especialidade, isto é, após a obtenção do título de especialista.

A Oftalmologia moderna está, pois, subdividida em subespecialidades.  A SPO tem sabido adaptar-se à realidade de hoje e tem procurado acompanhar esta diferenciação criando seções e grupos de estudo dedicados especificamente à atualização tecnocientífica das várias áreas da oftalmologia de modo a contribuir para a formação contínua dos médicos.

As principais secções da SPO, usando apenas o critério da prevalência das doenças, são: cirurgia implanto-refrativa, glaucoma, retina médica e cirúrgica e oftalmologia pediátrica. Mas há muitas outras secções o que faz com que todas as valências da oftalmologia estejam representadas na SPO.

É de toda a justiça reconhecer que a oftalmologia nacional tem um nível igual ou mesmo superior à que se pratica nos outros países desenvolvidos.

A SPO como sociedade científica orgulha-se de ter vindo a contribuir para o lugar cimeiro que a Oftalmologia Portuguesa ocupa a nível internacional.

 Na outra vertente, a vertente da defesa da profissão a SPO reitera que não há falta de oftalmologistas em Portugal razão pela qual não há nenhuma justificação para recorrer a técnicos de ótica/optometristas conforme as associações representativas destes grupos propalam.

O número de oftalmologistas a exercer no país cumpre e até excede o ratio 1 oftalmologista para 15 000 recomendado pelas agências internacionais. Por esta razão é disparatado dizer que os optometristas podiam fazer alguma diferença em termos de saúde pública. Ninguém aceita trocar uma consulta de oftalmologia por uma consulta de optometria por que o decréscimo na qualidade é percebido, por todos, de imediato.  A falta de oftalmologistas nos serviços públicos é um problema político e tem que ser resolvido politicamente.

Para fazer face a este e a outros problemas de índole profissional a SPO lançou a associação Coeso.

A Coeso é uma associação de oftalmologistas que tem como objetivo promover a clínica privada autônoma e independente facilitando e apoiando a instalação e a exploração de consultórios de oftalmologia em todo o país

Está pronta para arrancar em 1 de janeiro uma plataforma digital que permitirá o agendamento e marcação de consultas a partir de uma APP que pode ser descarregada a partir da Google ou da Apple Store. Na aplicação, os utilizadores têm acesso a um diretório de médicos aderentes. Podem proceder à marcação direta da consulta ou à marcação através do help-desk. No caso do utilizador não querer ou não saber procurar o médico pelo nome pode fazê-lo por geo-localização.

Durante o primeiro ano de funcionamento a COESO estima poder contar com mais de 100 médicos aderentes dispersos por todo o País.

A COESO ambiciona num futuro que se espera próximo, poder oferecer uma solução para o problema da assistência oftalmológica em Portugal ao nível dos cuidados primários. A rede nacional de oftalmologistas   pode constituir-se como uma alternativa credível para a lista de espera dos Hospitais.

Regiões com menos de 15 000 pessoas, afastadas dos principais centros urbanos, não têm oferta de serviços de oftalmologia no SNS ou nos hospitais privados, estando condenadas a ver perpetuada esta situação por incapacidade do Estado e desinteresse dos privados. Os custos com deslocações constituem um fardo para os doentes e um encargo assinalável para o Estado, custos que ultrapassam em muito o valor previsível de uma consulta. A triagem pré-hospitalar passaria a ser feita efetiva e eficazmente. O seguimento pós intervenções hospitalares passaria a ser feito em proximidade. Os optometristas seriam menos procurados com ganhos evidentes na saúde pública.”

Estes e outros argumentos posicionam a COESO como uma real e efetiva alternativa para a ausência de uma rede de cuidados primários de oftalmologia em Portugal.