Sandra Resende, Diretora Geral da IVECO Portugal

Em abril deste ano, foi eleita como a nova diretora da IVECO em Portugal. Antes de tudo, que significado teve para si esta nomeação e que balanço é possível perpetuar destas funções?

Esta nomeação para mim foi um reconhecimento por parte da IVECO e do Grupo CNHI do trabalho que tenho vindo a executar desde a minha entrada na organização. Foi um voto de confiança e uma enorme responsabilidade, pois o mercado dos pesados é extremamente exigente e competitivo e predominantemente masculino. O balanço destas novas funções é extremamente positivo. A equipa da IVECO Portugal aceitou a minha liderança de uma forma natural e juntos temos vindo a definir a estratégia que preconizamos para o mercado português de acordo com os valores e orientações do Grupo. Ao nível dos nossos clientes tenho igualmente sido bem recebida.

Quais foram as valias que aportou à marca com a sua Liderança? De que forma é que diariamente procura marcar a diferença e ter assim impacto no quotidiano da marca e das pessoas que compõem a mesma?

Tenho um estilo de liderança muito inclusivo, acho que as grandes decisões da empresa têm que ser tomadas levando em consideração as opiniões da minha equipa, só se os colaboradores sentirem que fazem parte da estratégia, se envolverão efectivamente no sucesso da mesma. Gosto de ter uma relação próxima com todos os meus colaboradores e envolver-me directamente mesmo nos assuntos do dia a dia. Por outro lado, tenho um background financeiro, de gestão, ao contrário dos meus antigos homólogos que vieram quase sempre de cursos de engenharia e com experiência na área comercial. Isso permite-me ter uma visão mais ampla do negócio que passa não apenas pela venda dos nossos veículos, peças e serviços, mas de toda a estrutura financeira, de marketing e de RH que obrigatoriamente tem que ser igualmente considerada.

Antes da sua chegada à IVECO Portugal, passou por outras grandes marcas como a Candy Hoover Portugal, a Mercedes Comercial, a DHL Portugal e a Entreposto. De que forma é que estas experiências foram essenciais para ter chegado à posição que ocupa hoje?

Em todas essas grandes marcas aprendi e vivenciei culturas organizacionais diferentes, com os seus pontos positivos e negativos. Foi a variedade de culturas e de formas de liderança que me levaram a adotar o que eu considerei mais eficiente. Penso que o de mais importante aprendi foi que, independentemente do negócio, as pessoas são a chave do sucesso.

Que momentos ou aspetos considera fulcrais para o seu crescimento pessoal e profissional e de que forma foram os mesmos fundamentais para que hoje tenha capacidade de responder aos desafios diários na liderança da marca italiana de veículos pesados?

Não posso dizer que tenha havido um momento ou aspeto fulcral, penso que o meu crescimento pessoal e profissional foi algo de natural e ao longo do tempo. Sou uma pessoa que adora desafios, extremamente exigente, e que procura constantemente a mudança. Não gosto de estar estagnada, procuro sempre desafios, ultrapassar-me a mim mesma e ter uma aprendizagem constante. Penso que foi essa minha resiliência e gosto pelo desafio que me conduziram onde estou.

É diretora da IVECO Portugal. O que é mais desafiante para si neste cargo?

Depende. Se estivermos a falar de desafio no sentido do que mais me motiva, sem dúvida a gestão da minha equipa. É um verdadeiro desafio liderar pessoas com personalidades diferentes, envolvê-las, motivá-las e conseguir que trabalhem para um único objetivo comum. Se falarmos de desafio no sentido da tarefa mais difícil, diria que é lidar com um mercado complexo, altamente competitivo e saturado de veículos comerciais novos e usados.

Numa altura em que se debate cada vez mais questões relacionadas com a desigualdade de género, como diria ter sido o seu percurso profissional neste sentido? A desigualdade de género é uma realidade para si? Como a podemos ultrapassar e contornar? Estamos no bom caminho?

Pessoalmente eu nunca senti a desigualdade de género no meu percurso. Sei que infelizmente existe e, que apesar de se terem introduzido algumas melhoras, é ainda uma realidade muito presente. Posso dar o meu exemplo, sou a única Diretora Geral mulher no setor de veículos comerciais. Contudo, no meu caso concreto, felizmente, nunca me deparei com qualquer obstáculo relacionado ao meu género.

A sociedade ainda impõe bastantes limitações à mulher e ao seu papel na sociedade. Ter uma carreira profissional de sucesso significa abdicar do sucesso na vida pessoal ou vice-versa?

Em alguns casos diria que sim. Ainda existe uma ideia muito enraizada de que quem tem que educar e estar mais presente na vida dos filhos é a mulher. Felizmente isso tem vindo a mudar, de forma um pouco lenta é verdade, mas mesmo assim existem já algumas mudanças, até na mentalidade dos homens quanto ao seu papel e responsabilidade na educação dos seus filhos.

Pode partilhar connosco o seu exemplo? É fácil conciliar uma carreira profissional de sucesso com a vida pessoal e familiar?

No meu caso é fácil, sou uma mulher de sorte, tenho um enorme apoio familiar, desde o meu esposo, que é um companheiro e um pai extraordinário, até aos avós que estão muito presentes na vida dos netos. Tenho dois filhos pequenos e isso nunca me impediu de ter ambições a nível profissional e de as alcançar. É óbvio que estar longe, quando estou em viagem, sempre destabiliza um pouco a vida familiar, mas com cooperação e boa vontade tudo se resolve.

Hoje as organizações debatem-se com múltiplos desafios relacionados com a transformação digital, mas também com a liderança, a gestão de pessoas ou a retenção de talento. O que é para si um bom líder? Que características a definem enquanto líder?

Para mim um bom líder é o que lidera pelo exemplo. Um bom líder tem que ensinar, motivar a sua equipa e sentir um enorme orgulho no crescimento profissional dos seus colaboradores. Penso que o sucesso de um líder se mede pela qualidade da sua equipa. Numa empresa com uma boa equipa o líder pode ausentar-se que não se sente a diferença.

Liderança Masculina ou Feminina? Ou a liderança de qualidade não tem qualquer relação com o género?

A liderança de qualidade não está relacionada com o género, mas com a qualidade e valores do líder. E em minha opinião também não é algo intrínseco, mas algo que se aprende e melhora com o tempo.

O que podemos continuar a esperar de si de futuro? Quais são os principais desafios e desideratos que pretende para a marca em 2020?

No futuro podem esperar de mim que continue a ser uma mulher dedicada à família e ambiciosa a nível profissional. Que tem como primeiro objetivo reforçar a imagem de profissionalismo e de qualidade da marca IVECO. O ano de 2020 vai ser extremamente exigente. É um ano no qual queremos alavancar a nossa quota de mercado no setor dos rígidos e dos veículos movidos a gás natural. Queremos igualmente reformular e melhorar a nossa rede e os nossos serviços de pós-venda. Queremos ser uma marca reconhecida pela sua integridade no relacionamento com os seus parceiros.