A Boehringer Ingelheim é hoje um dos principais players no domínio da investigação e desenvolvimento no panorama da saúde, contribuindo decisivamente para a melhoria da saúde em Portugal. Neste sentido, e apenas para contextualizar, como tem vindo a marca a perpetuar um caminho de desenvolvimento contínuo de novas soluções no âmbito da saúde?

De capitais privados desde a sua fundação, em 1885, a Boehringer Ingelheim encontra-se no grupo das maiores empresas do setor farmacêutico em Portugal. Cerca de 50.000 funcionários a nível mundial criam valor, diariamente, através da inovação, nas três áreas de negócio: saúde humana, saúde animal e biofarma. Em 2018, a Boehringer Ingelheim atingiu vendas líquidas globais de 17,5 mil milhões de euros. A sua visão Value Through Innovation é espelhada no investimento em Investigação e Desenvolvimento, que ultrapassa os três mil milhões de euros, correspondendo a cerca de 18% do total das vendas líquidas. Este investimento tem-nos permitido trazer medicamentos inovadores para o mercado todos os anos.

A Diabetes é a mais comum das doenças não transmissíveis com elevada prevalência e incidência crescente. Qual tem sido o papel da Boehringer Ingelheim no domínio do controlo da diabetes?

A diabetes é uma emergência mundial. Números recentes mostram que em 2045 poderemos ter mais 200 milhões de diabéticos no mundo do que temos hoje, perfazendo mais de 600 milhões de diabéticos. Esta é definitivamente uma área terapêutica em que a Boehringer Ingelheim vem apostando fortemente desde há uns anos e onde irá continuar. Em Portugal a Boehringer Ingelheim afirmou-se, desde 2014, como um parceiro na área da diabetes, trazendo não só medicamentos inovadores, mas também criando parcerias e desenvolvendo projetos de educação médica junto das principais sociedades científicas e profissionais de saúde que têm um papel chave na gestão desta doença altamente prevalente e impactante.

Portugal posiciona-se entre os países europeus que registam uma das mais elevadas taxas de prevalência da Diabetes a qual foi estimada em 13,3% da população portuguesa com idades compreendidas entre os 20 e os 79 anos, de acordo com os últimos dados do Observatório Nacional da Diabetes. O que deve ser realizado para diminuir estes números?

Nos últimos 40 anos quadruplicou o número de pessoas afetadas por diabetes e suas complicações, o que levou a Organização Mundial de Saúde a classificar recentemente a diabetes como uma epidemia global. Em Portugal estima-se que exista cerca de um milhão de doentes diabéticos, um número que se prevê que continue a aumentar nos próximos anos.  A diabetes tipo 2, em particular, é uma doença com uma história natural complexa. Apesar de ter uma componente genética importante está muito associada a estilos de vida mais sedentários e hábitos alimentares menos saudáveis. A correção destes hábitos alimentares e a promoção de exercício físico adequado devem ser incentivadas. Esta doença tem um impacto a nível de vários órgãos com consequências graves na morbilidade e mortalidade dos doentes.

Essa necessidade de redução destes valores passa pela prevenção e consciencialização para a gravidade da diabetes? Como perpetuam esta dinâmica de sensibilização?

A diabetes é uma doença “silenciosa”, pelo que é crucial uma consciencialização dos profissionais de saúde para a identificação e rastreio de doentes em risco. É igualmente importante aumentar o grau de conhecimento da população relativamente ao que se pode fazer para evitar o desenvolvimento da diabetes tipo 2 (exercício físico, alimentação, estilos de vida saudáveis), quais os sinais e sintomas que devem alertar para o diagnóstico, quais são os grupos de maior risco e a necessidade de monitorização clínica regular para rastreio da doença, principalmente nos grupos de maior risco.

A Boehringer Ingelheim tem estabelecido parcerias com os principais intervenientes envolvidos na gestão da doença, promovendo direta e indiretamente iniciativas que permitem aos profissionais de saúde estarem mais atentos e atualizados para a prevenção, diagnóstico e tratamento. Temos ainda desenvolvido campanhas sobre a doença que permitem ao público em geral estar mais consciente do impacto, gravidade e gestão desta doença.

Neste âmbito, o que tem é que tem vindo a ser desenvolvido pela Boehringer Ingelheim em termos de investigação em saúde no domínio da diabetes no nosso país?

Em Portugal, a Boehringer Ingelheim é uma das empresas líder em investigação clínica. Este facto tem permitido que muitos dos nossos doentes e profissionais de saúde possam participar em ensaios clínicos com medicamentos inovadores, numa fase inicial do seu desenvolvimento. Temos o compromisso de continuar a investir esforços, não só na diabetes mas também noutras áreas terapêuticas como a cardiovascular, respiratória e oncologia.

Na diabetes, continuaremos adicionalmente a investir na investigação e disponibilização de moléculas que atuem não só no tratamento da doença, mas essencialmente na minimização do impacto das morbilidades que lhe estão associadas. Atualmente temos já comercializados medicamentos inovadores para o tratamento da diabetes, alguns com impacto muito significativo também nas complicações associadas a esta doença. No entanto, continuamos a investigação nesta área, tendo diversos estudos em curso para avaliar o potencial tratamento e prevenção de importantes complicações ou doenças associadas à diabetes, como a insuficiência cardíaca, doença renal crónica, nefropatia e retinopatia diabética.

Neste momento existem novas abordagens no tratamento da diabetes? É legítimo afirmar que hoje vivemos uma mudança de paradigma no tratamento da diabetes?

A abordagem centrada no doente continua a ser crucial no atual paradigma de tratamento. Nos últimos anos assistimos a uma maior preocupação em valorizar a associação entre diabetes e risco cardiovascular. A doença cardiovascular é duas vezes mais frequente em diabéticos comparativamente com não-diabéticos. É ainda a principal causa de morte nos doentes com diabetes tipo 2. Adicionalmente, a diabetes tipo 2 está frequentemente associada a outras comorbilidades, como obesidade e hipertensão, que agravam o risco cardiovascular global da doença. Um doente com diabetes tipo 2 e doença cardiovascular tem, em média, menos 12 anos de vida em comparação com pessoas sem estas duas doenças.

O paradigma de tratamento está assim a mudar para se considerar o impacto cardiovascular da doença como um elemento fundamental na escolha do tratamento para a diabetes. Surgiram nos últimos anos novos medicamentos com impacto relevante não só na redução da glicose no sangue (forma como habitualmente é diagnosticada a doença) mas sobretudo com impacto significativo no atraso do aparecimento das suas complicações vasculares. Falamos, assim cada vez mais, em doença cardiometabólica.

Qual a relevância da deteção precoce dos sintomas relacionados com a diabetes e a gestão dos potenciais fatores de risco?

Um diagnóstico precoce é fundamental para um melhor controlo da doença e da qualidade de vida do doente. Sabemos hoje que uma atuação precoce tem um impacto significativo na prevenção e atraso da progressão das complicações da diabetes, como cegueira, amputações, insuficiência renal e doença cérebro-cardiovascular.

A diabetes pode ser considerada a denominada patologia silenciosa, pois algumas pessoas podem ter diabetes sem saber. Como é que podemos evitar estas «surpresas»? Para que sinais se deve estar mais alerta?

A diabetes tipo 2 aparece geralmente na idade adulta, associada ao excesso de peso, pouca atividade física e hábitos alimentares pouco saudáveis. Um dos problemas é que esta doença é muitas vezes assintomática durante muito tempo e, por vezes, só é diagnosticada quando ocorre um evento que surge como consequência das complicações da doença.

Alguns dos possíveis sinais e sintomas de alerta gerais poderão ser vontade de urinar mais frequentemente, aumento da sede, dificuldade na cicatrização, visão turva, perda de peso injustificada, infeções frequentes.

Muitos estudos têm sido realizados e a investigação em saúde, em qualquer vertente, centra-se no desiderato da cura. Num futuro próximo, podemos falar de cura para a diabetes ou é algo, para já, impensável?

Na realidade, a diabetes não tem ainda atualmente cura. No entanto, é uma doença crónica em que medicamentos recentes, que têm vindo a ser disponibilizados, têm permitido controlar melhor a doença, atrasar o aparecimento das complicações e prolongar a vida dos doentes. ▪

No rumo da prevenção e do tratamento de pessoas com diabetes, qual será a linha de orientação e atuação da Boehringer Ingelheim? O que podemos continuar a esperar da vossa parte?

 Diria que esta é uma altura verdadeiramente entusiasmante em que o paradigma de tratamento, e até da própria doença, se vai alterando à medida que a investigação vai desvendando novo conhecimento científico.

A Boehringer Ingelheim reforçou recentemente o investimento no programa de desenvolvimento clínico da área da diabetes, assim como nos chamados estudos de mundo real que pretendem avaliar doentes no dia a dia, e não em ambiente de ensaio clínico. A empresa pretende assim continuar a tradição da excelência de inovação na diabetes ou, de forma mais abrangente, na doença cardiometabólica.