A criação da Portugal IN surge da necessidade de atrair mais investimento direto estrangeiro para Portugal, na incerteza do Brexit? O Brexit surgiu inesperadamente e foi com tristeza acolhido por parte dos parceiros europeus. O Governo português não ficou indiferente. Avaliou riscos e oportunidades e delineou estratégias. A estrutura de missão Portugal IN surgiu neste contexto e pretende posicionar Portugal como destino de empresas que, não obstante a saída do Reino Unido da UE, queiram manter operação no mercado interno.

Considera que a decisão do povo do Reino Unido de deixar a UE no referendo de junho de 2016 criou desafios específicos que precisam ser enfrentados pelos demais estados membros? O Brexit abre um espaço no mercado interno que não podemos desvalorizar. Portugal deve posicionar-se na linha da frente para ocupá-lo, aproveitando os seus fatores de diferenciação face a outros países.

Que finalidades fazem parte das linhas estratégicas da Portugal IN? Abordámos empresas da China, India, Japão e EUA, os 4 maiores investidores estrangeiros no RU, realizando eventos e missões de captação de IDE, como o Seminário Portugal-Japão, no dia 3 de dezembro, em Londres. Conta com a presença do Primeiro Ministro e de 70 empresários japoneses com investimentos naquele país. Tornámos a nossa administração mais ágil e amiga do investidor estrangeiro, trabalhando com o SEF no portal ARI, que permite efetuar online pedidos, pagamentos e agendamentos, e com os supervisores no Welcoming Guide, com um ponto de contacto único, documentos em inglês e redução de prazos, no processo de registo das sociedades gestoras de ativos em Portugal. Importa assegurar a continuidade deste trabalho!

De que forma são construídas soluções integradas num “balcão único” para investidores estrangeiros que desejam permanecer na UE após o Brexit? Promovemos projetos de balcão único em articulação com várias entidades. Recentemente a instalação no espaço Empresa na Hora do Balcão Company IN. Um fast track para registo de empresas estrangeiras com atendimento em inglês, atribuição automática de NIF e disponibilização de minutas bilingues. A funcionar primeiro em Lisboa e agora em Matosinhos, pretendemos disponibilizá-lo em todo o país e online.

Considera que o investimento direto estrangeiro desempenha um papel essencial para a prosperidade económica de Portugal? Porquê? Sem dúvida! Precisamos de IDE de todos os setores, dimensões e geografias, porque não só as grandes empresas criam valor e postos de trabalho. Projetos diferenciadores de pequena e média dimensão são fundamentais na dinamização do nosso tecido empresarial, geram emprego, trazem inovação e receita fiscal. O tempo já nos ensinou quão nefasta é a dependência de determinado mercado, investidor ou cliente, para as empresas, para a economia e para o país. Devemos trabalhar em todas as frentes!

Porque devem as empresas do Reino Unido expandir os seus negócios para Portugal? Temos talento, uma sociedade tolerante, qualidade de vida, infraestruturas, bom clima, mas, sobretudo, segurança e estabilidade política e social. Num contexto mundial instável como o que vivemos, Portugal é hoje um Porto Seguro para viver, investir, estudar e trabalhar.

Reino Unido e Portugal têm a aliança ativa mais antiga do mundo. Como pode esta trazer benefícios para as empresas? O relacionamento secular entre os dois países facilita a atração de empresas do RU, que em 2018 voltou a liderar o ranking dos países com quem temos maior excedente comercial. A comunidade britânica residente há muito no Norte e Sul de Portugal também ajuda a que sejamos vistos com bons olhos pelos empresários britânicos.