Foto e texto: Evasões

Janeiro de 2011. Janeiro de 2020. Nove anos depois de abrir a sua primeira pizzaria em Portugal, que escolheu para viver, e de ter fidelizado o seu público no Porto, Antonio Mezzero chega agora à capital com uma segunda morada em nome próprio, um desejo antigo. Pelo caminho, fundou a Seleção Nacional de Pizzaiolos e tornou-se no campeão mundial da pizza napolitana, numa competição vencida em Nápoles, onde nasceu.

A pizzaria das Avenidas Novas replica, em total, a carta que existe em Matosinhos, assim como a dinâmica: também a sul não se aceitam reservas. Os que já o conhecem a Norte, saberão que as oito variedades de pizza se fazem com massa fermentada entre 12 a 24 horas, com base em farinhas italianas 00 e cozidas num forno a lenha de bétula prensada, “menos tóxica”. Depois de 60 a 90 segundos, estão prontas para sair do forno, em direção à mesa.

Água, fermento, farinha e sal marinho grosso, para tornar a massa mais fofa: os ingredientes da massa são apenas estes. “Eu sigo as regras e a tradição da pizza napolitana. O amor e entrega pelo trabalho e o respeito pelos ingredientes é o mais importante”, explica o pizzaiolo, que senta cerca de 40 pessoas no seu segundo restaurante, na Avenida Miguel Bombarda. Nos complementos, dá o seu toque, como se comprova no molho de tomate que coloca nas pizzas, feito com 70% de San Marzano DOP e 30% de tomate português, de um pequeno produtor de Viseu.

A clássica Margherita (16 euros para uma pessoa, 28 para duas), que lhe valeu o título de campeão mundial, é presença obrigatória na carta, assim como a Tartufina (24 euros para uma pessoa, 36 para duas), com mozzarella, creme de trufa branca, fiambre de peru trufado, rúcula e grana panado, ou a Contadina (19,50 para uma pessoa, 33 para duas), que junta pimento assado, pecorino e salsicha fresca.

Na pizzaria de Lisboa estão também duas opções harmonizadas com vinho do porto, “o casamento entre a rainha italiana e o rei português”, conta o dono. Tratam-se da All Stars (24,50 euros para uma pessoa, 36 para duas), com mozzarella fior di latte, alheira de caça, queijo de cabra curado, rúcula, e redução de vinho do porto, emparelhada com um tawny; e a Mortadella e Pistacchio, com cogumelos buletos, rúcula, grana panado, mortadela de Bolonha e pistacho, servida com um porto branco. Uma união que faz sentido para Mezzero. Afinal, “nasci italiano mas vou morrer português”, remata.