Como se deu a sua entrada na Outsystems e qual o balanço que pode fazer?

Quando a OutSystems decidiu abrir um escritório no Norte de Portugal, um amigo meu, que já trabalhava na empresa há alguns anos, entrou em contacto comigo para me falar acerca da empresa e da oportunidade de ajudar a fundar um novo escritório em Braga.

Porque iniciei a minha carreira como Developer e, no entretanto, já tinha gerido várias iniciativas de entrega de Produto, rapidamente me apaixonei pela proposta de valor da Plataforma OutSystems e prontamente me decidi a candidatar.

Passei pelo processo de recrutamento mais detalhado e exigente que tinha experienciado até então, um sinal claro da qualidade dos profissionais que integram os quadros desta empresa. Quanto maior o desafio, maior é a satisfação e o crescimento. Na minha experiência tudo na OutSystem se pauta por esta máxima – tem sido uma viagem sem paralelo.

Que fatores foram determinantes para ser hoje uma mulher de sucesso no mundo das TI?

Essencialmente muita paixão, dedicação e uma mentalidade de crescimento sempre muito presente. A indústria das Tecnologias de Informação é bastante complexa, extremamente competitiva e em constante mutação. Numa arena como esta, apenas os melhores profissionais progridem efetivamente. Como tal, ter uma curiosidade nata, uma ânsia de me superar a mim mesma continuamente e uma paixão por tecnologia foi de facto chave.

O futuro está a ser escrito em linhas de código, mas a associação entre a tecnologia e os homens continua a distanciar as mulheres das TI. Acredita que o país e o mundo começam a mudar a mentalidade no que concerne à posição da mulher neste setor?

Sem dúvida que sim! Desde a origem deste setor, o número de funções em TI aumentou significativamente. Nos dias que correm, mais do que saber desenvolver código, o segredo do sucesso é saber decidir como melhor dar resposta a uma determinada necessidade e que experiência de utilização será a mais prática para os seus utilizadores finais. A sensibilidade e intuição inatas do sexo feminino são trunfos valiosos que nos colocam logo à partida numa posição de vantagem. Não é por acaso que Jack Ma publicamente mencionou que o segredo do sucesso do Alibaba se deve ao número de Mulheres que ele tem em cargos de liderança.

Sente que ainda falta alterar muitos comportamentos, mentalidades e atitudes?

Já fizemos progressos, mas precisamos de continuar a trabalhar. Vejo duas alterações fundamentais, uma nas próprias mulheres, e outra nas organizações.

Por norma uma mulher tem muito menos apetite por risco, decidindo arriscar um salto de carreira apenas quando sente que possui já todas as competências necessárias desenvolvidas. Um homem, pelo contrário, porque tem uma propensão maior para assumir riscos faz com que progridam na carreira mais rapidamente. Acredito que se mais mulheres mudarem esta tendência, iremos ver muitas mais em funções de responsabilidade nesta indústria ou noutra qualquer.

Em paralelo, também é notório observar que existem cada vez mais organizações sensíveis ao tema da igualdade de géneros que estão a melhorar a sua cultura interna por forma a criarem um ambiente de maior igualdade e confiança para todos.

Considera que a maneira como nossa sociedade pensa e define o que é ser mulher e o que é ser homem tem relação direta com o desenvolvimento das suas habilidades e competências?

O povo Português é ainda muito tradicionalista e as diferenças, efetivamente, começam desde muito cedo quando somos crianças. Das meninas espera-se que sejam bem-comportadas, que brinquem com bonecas e passem muito tempo por casa. Ao passo que no caso dos meninos celebra-se muito mais a irreverência e o espírito aventureiro. É com imensa satisfação que recordo o quanto era maria-rapaz e como o meu brinquedo preferido foi uma bicicleta Cross BMX vermelha e branca, por oposição às típicas bicicletas de cestinho rosadas. No meu caso tive a liberdade descobrir o meu caminho.

Como head of no-code tools engineering na Outsystems, que análise perpetua das mulheres no seio da empresa e das oportunidades que lhes são concedidas?

Encontrei na OutSystems uma empresa que leva o crescimento dos seus colaboradores muito a sério e que promove uma cultura de meritocracia. Temos objetivos claros e mensuráveis para todas as carreiras e níveis, o que faz com que a progressão seja sempre feita de uma forma transparente e associada a performance. Acredito que por este motivo sejamos um exemplo pelo número de mulheres que temos em cargos de chefia na empresa.