Mulher apaixonada, profissional focada, Raquel Zita Gomes foi construindo um legado ao longo de 18 anos na área da medicina dentária, tendo fundado o seu primeiro espaço, em parceria, em Albergaria a Velha, corria o ano de 2004. “Esse projeto ainda existe e tem tido bastante sucesso”, revela a nossa entrevistada, lembrando que este foi o seguimento que levou à abertura da clínica denominada por Raquel Zita Dental Clinic, em 2010, “e que tem sido um enorme êxito, pois aqui temos como principal preocupação os nossos pacientes e a melhoria da sua qualidade de vida”, esclarece a nossa entrevistada.

Novos projetos, a mesma filosofia

Nunca parar é o segredo de Raquel Zita Gomes, que agora pretende apostar num espaço de formação, já adquirido, na zona do Campo Alegre, no Porto, e que pretende funcionar como um culminar de um dos principais objetivos da nossa interlocutora, ou seja, a formação. “Esta possibilidade surgiu em 2013, pois foi um período em que comecei a fazer muitas palestras a nível internacional e tive algumas marcas interessadas em colaborar comigo e isso levou-me ao regresso à minha universidade, algo que me levou a realizar um doutoramento”, esclarece, lembrando que esta foi uma forma de juntar o útil ao agradável, ou seja, “era uma ambição que tinha, apesar de não ser uma prioridade, mas tudo se formou para seguir esta dinâmica e como eu precisava de um projeto, decidi enveredar pela vertente do doutoramento e entrámos 12 profissionais no mesmo, tendo sido eu a aluna a entrar com a nota mais alta”, afirma a nossa entrevistada, lembrando que este projeto não foi fácil. “Naturalmente que não, pois conciliar a vida profissional com a pessoal nunca é um caminho simples e é necessário muita perseverança e dedicação para singrar e alcançar o que pretendemos”, assume convicta a nossa entrevistada.

Abordando ainda a vertente deste centro de formação, será que o mesmo irá surgir já em 2020? A nossa interlocutora ainda não sabe, mas “não deverá faltar muito para ver concretizado mais um dos meus objetivos”, assevera Raquel Zita Gomes, lembrando que este centro de formação terá também a capacidade, depois de ver o seu nome construído a nível nacional e internacional, de “trazer as pessoas aqui e isso era algo que pretendia e ansiava”.

Mas o que tem a nossa entrevistada que a faz querer mais? “Teimosia”, assume a nossa interlocutora, “teimosia no bom sentido, naturalmente e eu sou e sempre fui, porque todos nós queremos algo mais e todos temos momentos em que só queremos desistir, mas eu não sou assim e não desisto de ir à luta. Quero ir mais além e isso está relacionado com a minha personalidade. Quero sempre mais e não falo de questões financeiras, mas de valorização pessoal e profissional, pois é isso que me preenche. As pessoas que conheço e que têm sucesso numa determinada área, normalmente têm muita paixão pelo que fazem e acho que esse é o meu gatilho, ou seja, essa paixão que tenho por esta área e pela valorização pessoal e de tudo em que decido fazer”.

Divas in Dentistry em destaque

Assumindo que hoje é uma Mulher realizada, Raquel Zita Gomes não deixa de falar sobre a questão do género e da importância da igualdade de oportunidades entre homens e mulheres. Mas será que ser Mulher alguma vez lhe criou obstáculos no seu percurso? “Sem qualquer dúvida”, revela e lembrando que, felizmente, este cenário está a mudar, mas a um ritmo lento. “Senti-me, em determinados momentos, injustiçada pelo simples facto de ser mulher e isso também me levou a fazer mais e a querer. Felizmente que a própria sociedade começa agora a mudar, e também na própria área da medicina dentária começamos a assistir a essas alterações, porque também temos valor e também podemos chegar a outros patamares e eu sou um claro caso disso mesmo, ou seja, que é possível lá chegar”.

Neste sentido, Raquel Zita Gomes faz parte de diversos movimentos que promovem a relevância das mulheres na sociedade, mais concretamente no domínio da medicina dentária em Portugal e no Mundo. Um dos movimentos é denominado por Divas in Dentistry, que tem cerca de 20 países associados e em que cada país tem uma líder nacional, sendo que em Portugal é a nossa interlocutora a líder do mesmo. “Este movimento tem o desiderato de colocar as mulheres desta área em conexão um pouco por todo o mundo e decidi associar-me ao mesmo quando começou, ou seja, em 2014 e tem crescido muito”, revela, lembrando que a ideia não é promover o feminismo fundamentalista. “De todo. Não somos feministas, mas realistas, porque hoje em dia cerca de 80% da medicina dentária é composta por mulheres e temos de mudar alguma coisa, algo que temos vindo a fazer e que tem sido promotor de atenção por parte da comunidade destas áreas. Já fizemos o primeiro congresso sobre a alçada das Divas in Dentistry em que convidamos 15 palestrantes femininas e vamos voltar a realizar um evento semelhante, agora na Croácia, onde vamos ter alguns homens palestrantes e aqui é que está o foco, pois não pretendemos qualquer afastamento ou radicalismo entre homens e mulheres, apenas pretendemos que haja um equilíbrio e haja igualdade de oportunidades entre os géneros e que as pessoas alcancem os seus objetivos fruto do seu mérito e valor”, reconhece e conclui a nossa entrevistada.