Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP) é uma ONG internacional que promove a cooperação e troca de informação entre Universidades e Institutos Superiores. Como é que a AULP, vem facilitar, a comunicação entre os membros em prol do desenvolvimento coletivo do ensino e da língua portuguesa no mundo?

O conhecimento, é a base para o desenvolvimento de qualquer sociedade, e diz-se, que um povo culto, é um povo avisado. É por isso, que o Ensino Superior tem um papel fundamental e importantíssimo, naquilo que é a formação do homem e naquilo que é a formação do capital. Quanto mais indivíduos formados, quanto mais for a capacidade interventiva da sociedade, melhor para um determinado país. Porque é o capital humano que participa nas tarefas que visam o desenvolvimento do país e da sociedade. E é através desta cooperação entre Estados e Países Lusófonos, que nós podemos trocar experiências, irmos aprendendo com os outros, para que todos possamos crescer juntos. A AULP vem facilitar desta forma, a mobilidade e a comunicação, entre estas Instituições de Ensino Superior e de Investigação Científica, permitindo não só, aos estudantes, mas também a docentes, a sua movimentação entre o espaço lusófono, partilhando as suas experiências, conhecimentos e estratégias de desenvolvimento.

Qual a importância de promover a colaboração multilateral entre as universidades dos países de expressão portuguesa?

Multiplicar esforços no sentido de consolidar laços e promover ações conjuntas entre os membros, para que se opere o reconhecimento da importância e da força desta comunidade de pessoas que falam a língua portuguesa e, sobretudo, que fazem investigação e estudos superiores.

Qual a grande prioridade neste momento, de desenvolvimento da AULP?

Uma das prioridades de desenvolvimento desta associação é apostar na mobilidade de pessoas e de conhecimento entre os países lusófonos, tendo para isso apostado o ano passado no lançamento do Programa de Mobilidade AULP e, até então, concretizou diversas parcerias com outras instituições para poder aferir bolsas de estudos aos estudantes que nele queiram participar.

Como é que dinamizam a rede de universidades de língua portuguesa?

Valorizando as diversas culturas, aproximando as dinâmicas científicas, multiplicando os intercâmbios nos domínios do ensino e da investigação científica, consolidando as parcerias estratégicas e ampliando também, o papel da língua portuguesa como animador qualificado desta comunidade.

A AULP lançou o Programa de Mobilidade AULP em maio de 2019, que é o primeiro programa de mobilidade académica que abrange exclusivamente o intercâmbio de alunos entre instituições dos países de língua oficial portuguesa e Macau (RAEM). Um ano depois, que balanço faz desse programa?

Deste primeiro ano de vigência do Programa de Mobilidade AULP, fazemos um balanço francamente positivo. Pudemos contar com a pronta adesão das instituições de ensino superior parceiras e com a resposta massiva de estudantes de vários países, que veio a traduzir-se em mais de 180 candidaturas ao longo de um ano. Após validação de cerca de 90 candidaturas, no segundo semestre do ano letivo 2019-2020, tiveram oportunidade de realizar a mobilidade académica exatamente 25 alunos, cifra que cremos conseguir subir assim que a situação global o permita.

No que respeita à origem dos candidatos, o país mais representado foi o Brasil e a instituição de ensino superior com mais alunos a candidatarem-se ao programa foi a Universidade Federal de Minas Gerais. Por outro lado, o país de maior preferência foi Portugal e a instituição de acolhimento mais escolhida foi a Universidade de Coimbra.

Ao cabo do primeiro ano de existência do Programa de Mobilidade AULP, gostaríamos sobretudo de destacar o seu ainda enorme potencial de crescimento e de afirmar a nossa determinação em fazê-lo avançar de forma sustentada, correspondendo positivamente aos desafios e melhorando um projeto ambicioso que só agora começa a dar os primeiros passos.

Os estudantes aceites no Programa de Mobilidade AULP podem concorrer a bolsas de estudo?

Para além de apoio no alojamento e alimentação na instituição de acolhimento já característico e assegurado na participação ao Programa de Mobilidade AULP, trabalhámos com o objetivo de conseguir parcerias com outras entidades externas para disponibilizar outros apoios aos estudantes em mobilidade, sob a forma de bolsas de estudo. Neste momento estamos a atribuir cinco bolsas de viagem para estudantes universitários de 1º e 2º graus, equivalente a licenciatura e mestrado, provenientes de países da CPLP que queiram frequentar uma universidade membro da nossa associação, do Brasil ou de Portugal. Esta apoio foi conseguido através de uma parceria com a Organização de Estudos ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) para facilitar o processo de deslocação dos estudantes para os países onde ficarão a estudar em mobilidade. Apesar de mais restrito, pois abrange apenas estudantes dos PALOP e Timor-Leste que estejam a estudar um curso na área da cultura, a AULP assinou no final de 2019 uma parceria com o Camões I.P. e a CPLP para disponibilizar as bolsas de estudo PROCULTURA.

A AULP, em conjunto com o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P. e a CPLP, assinou um protocolo para Bolsas PROCULTURA PALOP-TL. De que forma é que esta atividade, pode/tem, um pacote bastante significativo para as instituições que pertencem à AULP?

Consideramos o projeto de atribuição das Bolsas PROCULTURA PALOP-TL uma iniciativa da maior importância, na exata medida em que pretende contribuir para a criação de emprego em atividades geradoras de rendimento nas economias culturais e criativas dos PALOP e de Timor-Leste. Pretendemos dar oportunidade a estudantes que estejam a frequentar licenciatura ou mestrado numa instituição de ensino superior dos PALOP ou Timor-Leste, em áreas disciplinares relacionadas com a Cultura, e cujas candidaturas ao Programa de Mobilidade AULP tenham já sido validadas.

Decorrendo ao abrigo do projeto da União Europeia PROCULTURA PALOP-TL – Promoção do Emprego nas Atividades Geradoras de Rendimento no Sector Cultural nos PALOP e Timor-Leste, a iniciativa é financiada pela União Europeia, cofinanciada e gerida pelo Camões, IP e cofinanciada também pela Fundação Calouste Gulbenkian.

Contamos poder atribuir, entre 2020 e 2023, pelo menos, 40 bolsas, no valor máximo de €760,00, acrescido de subsídio de viagem (ida e volta), cuja duração não deverá exceder o período de um semestre.

Havendo a AULP solicitado às instituições de ensino superior com departamentos de Cultura a boa divulgação desta iniciativa junto dos seus alunos e professores, esperamos assim poder contar em breve com uma grande adesão ao projeto, que decerto o fará avançar no sentido da concretização dos objetivos a que tão ambiciosamente se propõe.

Acredita que esta parceria técnica deixará uma marca muito positiva no setor na cultura, e que, constitui um passo concreto na prossecução da mobilidade académica?

Acreditamos que esta parceria poderá revelar-se decisiva na resposta aos vários problemas que marcam os sectores culturais dos PALOP e de Timor-Leste e que neles originam contextos de grande deficiência nos sistemas de acesso à Cultura. Esperamos que esta iniciativa represente uma oportunidade para o desenvolvimento desses sectores e para a criação de postos de trabalho, favorecendo a sua visibilidade e valorização socioeconómica e despertando consciências para a necessidade de um maior investimento público e privado na área da Cultura.

Quanto ao impacto do PROCULTURA no programa de mobilidade académica, devemos reconhecer que, não obstante ter atraído um grande número de alunos de vários países neste primeiro ano de vigência, o Programa Mobilidade AULP contou, no entanto, com uma participação de estudantes oriundos dos PALOP e de Timor-Leste muito mais reduzida do que inicialmente esperámos. Contamos, portanto, neste contexto, que o PROCULTURA seja capaz de promover a atribuição de incentivos suficientemente atrativos aos estudantes das áreas da Cultura nesses países, com vista a aumentar o número de candidaturas e, desse modo, reforçar a mobilidade académica.

Quais os desafios que o Programa de Mobilidade poderá encontrar, em particular, bem como o ensino superior e a mobilidade em geral?

A atual pandemia fez com que vivêssemos atualmente uma conjuntura extraordinária que modificou o funcionamento de vários setores, nomeadamente no ensino superior, condicionando fortemente, no curto e médio prazo, a mobilidade estudantil.

Perante esta situação sem precedentes, as instituições de ensino superior viram-se obrigadas a encerrar provisoriamente e a se adaptarem para lecionar por videoconferência. Estudantes em mobilidade em Portugal regressaram aos seus países para junto das suas famílias, outros estudantes desistiram da mobilidade e recebemos informação de várias instituições de ensino superior portuguesas que, perante esta crise, cancelaram a receção de alunos para o 2º semestre do ano letivo 2019/2020 ao abrigo do Programa de Mobilidade AULP.

Para além disso, em consequência da pandemia, por todo o mundo, vários eventos nacionais e internacionais foram cancelados, pelo que também a AULP decidiu adiar o XXX Encontro da AULP para 2021, em data e local a confirmar, de forma a garantir a segurança de todos. Este constrangimento vem colocar muitas indeterminações sobre a contingência de funcionamento do Programa de Mobilidade ainda em 2020, mas, ainda assim, a AULP, na medida das exequíveis possibilidades visará, com a sua atividade cumprir os objetivos finais, mesmo que com realização mais tardia.