Pantest é o primeiro e único fabricante português de testes rápidos. Antes de tudo e para contextualizar o nosso leitor, quando foi edificada a Pantest e como tem vindo a marca a assumir-se como um player importante no seu setor de atuação?

A Pantest foi constituída em 2014, passámos por um processo de grande investimento e de criação de valor para a marca e empresa. Em 2017 obtivemos a autorização de fabrico do INFARMED e em dezembro de 2018 obtivemos o Certificado Internacional de Boas Práticas Internacionais de Fabrico, presentemente estamos junto da ANVISA (entidade reguladora Brasileira) a obter a certificação, bem como junto do Ministério da Saúde de Angola. Foi um longo percurso desde a constituição da empresa até ao reconhecimento internacional da qualidade do nosso produto. Somos pequenos porque optámos por fazer o nosso crescimento de uma forma sustentada.

Somos quase uma “boutique” de diagnóstico. Quem nos procura são clientes muito restritos que sabem que querem um produto de qualidade e como atuamos.

Explique-nos um pouco da vossa dinâmica no domínio dos testes rápidos para diagnóstico do novo coronavírus? Qual é a metodologia seguida?

Após a validação dos parâmetros de qualidade, uma vez que os nossos testes têm uma sensibilidade e especificidade superiores a 98%, o produto foi registado no INFARMED a 28 de fevereiro, tendo cerca de duas semanas depois começado a comercialização. Desde então temos fornecido testes não só para o mercador nacional, como para o mercado internacional. Aliás acreditamos que uma parte dos nossos testes acabam por ser exportados pelos nossos clientes porque apesar da procura ser imensa no mercado internacional estão a ser pouco usados em Portugal. Damos prioridade ao mercado português, como é obvio, e ao mercado angolano por sermos também angolanos, mas essencialmente interessa-nos divulgar o método e a nossa marca.

O teste rápido em si é de fácil execução: a recolha de uma pequena amostra de sangue, a sua colocação no dispositivo, junção de reagente e leitura de resultados em dez minutos. Fabricar o teste do Coronavírus em Março foi um sucesso.

Quais são as vantagens e desvantagens dos denominados testes rápidos?

Os testes rápidos (hoje em dia também denominados por testes serológicos por imunocromatografia) são meios de diagnostico altamente fiáveis e específicos quando de boa qualidade e quando bem executados.

São testes com um resultado em cerca de dez minutos e que podem testar de uma forma massiva a população, quer pelo baixo custo deles, quer pela facilidade de execução e tempo até ao resultado. É o teste de primeira linha ideal para situações de emergência.

É legítimo afirmar que o método possui algumas limitações e precisa ser realizado no momento certo para ter eficiência?

Todos os meios de diagnóstico têm limitações e todos os meios de diagnóstico têm que se feitos no momento certo para ter eficácia e têm a sua “janela temporal” para serem realizados.

Cabe ao técnico enquadrar o meio de diagnóstico a usar no momento ideal, o que implica que os profissionais saibam da oferta do mercado e tenham formação nesse sentido. Aliás a formação é a chave do sucesso e da divulgação. A Pantest preocupa-se muito com a formação, por isso disponibilizamos sempre aos clientes que assim o solicitem formação sobre a execução do teste rápido. Em circunstâncias normais a formação é feita nas nossas instalações, atualmente adaptámo-nos e estamos a fazer formação por videoconferência. Enviamos previamente amostras aos profissionais para que possam depois da formação praticar, para que quando confrontados com a necessidade de executar o teste o façam da melhor forma e com os melhores resultados. Os testes rápidos não são testes inconclusivos. Isso é falso. O teste rápido só é inconclusivo quando foi mal-executado ou tem defeito. No primeiro caso terá que ser explorada nova formação, no segundo caso devem contactar a Pantest e devolver o teste.

É também importante frisar que os testes rápidos são para uso por profissionais de saúde, apesar de serem de simples execução. Por esta razão só vendemos a distribuidores de dispositivos médicos que nos apresentem a documentação do INFARMED, o mesmo se aplicando a clínicas e laboratórios de análises clínicas. Os testes rápidos são para uso por profissional de saúde e apenas por estes devem ser manipulados.

Em quanto tempo temos o resultado do diagnóstico nos testes rápidos? 

Entre 10 a 20 minutos.

Quais têm sido os resultados alcançados?

Excelentes. Temos tido um excelente feedback quer ao nível da sensibilidade e especificidade quer ao nível do desempenho do teste quando comparado com outro método de diagnostico como PCR ou ELISA.

Em qual estágio da doença deve ser realizado para ter resultados corretos e mais concretos?

Os nossos testes começam a dar positivo no momento em que o doente tem o primeiro sintoma, que normalmente é febre e que normalmente ocorre no 7º dia após a infeção. Pode ocorrer mais tarde ou mais cedo, varia da capacidade de resposta de cada organismo. No momento em que surgem os primeiros sintomas é seguro fazer um teste rápido.

Analisando todo o panorama em torno da Covid-19 e dos denominados testes rápidos em Portugal, que comentário lhe merece todo o cenário existente atualmente?

É fundamental que se usem produtos de qualidade. É fundamental que seja feita uma verificação documental e que haja uma sensibilização para que os testes sejam apenas vendidos a quem legalmente os pode comercializar. A PANTEST podia vender quatro vezes mais testes do que aqueles que vende, mas não o faria a entidades licenciadas pelo INFARMED e isso não fazemos. É fundamental que se perceba que é um produto simples, mas de uso clínico.

Os testes rápidos vão começar a ter um uso exponencial e isso já se nota, mas é imperioso que esse aumento na procura seja acompanhado de uma oferta de qualidade. O grossista tem muita responsabilidade na seleção do seu fornecedor, devendo assegurar-se que o produto tem toda a documentação exigida. É fácil ceder ao critério do baixo preço no momento da compra e menosprezar a existência de licenças e de certificações.

Quais são os principais desafios da marca para 2020? O que podemos esperar da vossa parte para o futuro?

Estamos numa fase de consolidação do mercado africano e de expansão no mercado nacional e no mercado brasileiro. Ao nível do nosso público alvo durante o ano de 2020 pretendemos focar-nos bastante nas empresas de medicina no trabalho com tiras de urinálise, testes de tuberculose e de sífilis, bem como em testes para deteção de drogas e álcool.