Gosta de uma refeição que a surpreenda e de um bom vinho. Relaxa nas suas caminhadas à beira mar, a experimentar uma nova receita ou a ouvir uma boa música. Há muito adepta de audio books e e-learning, e mais recentemente de podcasts, não só para se entreter mas também para “saber mais”. Diz que não passa um dia sem aprender qualquer coisa e acredita que aprende muito mais a ouvir do que a falar.

Tem 41 anos e é mãe de dois rapazes, há 15 e 12 anos. Com o nascimento deles um avivar de uma enorme vontade de contribuir no seu dia a dia para um mundo melhor. A entrada no sector social foi por acaso. Em 2011, quando saiu da Deloitte, ofereceu-se para ajudar com a implementação da certificação de qualidade numa organização social perto de sua casa. Começou a desenhar processos e acabou por ficar. Sentiu pela primeira vez que com o seu trabalho, e com as suas competências de gestão, poderia fazer a diferença. Desde 2011 colaborou com algumas organizações no terceiro sector e é desde 2015 Diretora Geral da Fundação Rui Osório de Castro, onde conciliou a área social com área da saúde, que sempre a cativou desde o início do seu percurso profissional. A Fundação Rui Osório de Castro é uma organização que se dedica ao cancro pediátrico.

Em Portugal anualmente cerca de 400 crianças e jovens são diagnosticadas com cancro. O cancro é a primeira causa de morte por doença, apesar de nos dias de hoje, e graças aos grandes progressos ao nível do diagnóstico e dos tratamentos, perto de 80% destas crianças e adolescentes sobrevivem.

A Fundação Rui Osório de Castro concentra a sua atividade em duas grandes áreas: INFORMAR, esclarecendo os pais e as crianças sobre questões relacionadas com o cancro infantil e PROMOVER a INVESTIGAÇÃO contribuindo assim para o avanço da medicina nesta área.

Com a premissa de que uma família informada é uma família mais tranquila, mais segura e consequentemente mais capacitada para ultrapassar uma situação de cancro de um filho a Fundação Rui Osório de Castro preocupa-se em assegurar a qualidade, a seriedade e credibilidade da informação disponível a estas famílias. Para isso disponibiliza um conjunto de formatos informativos como os seminários, workshops, um portal (pipop.info) e publicações várias que se debruçam sobre as várias tópicos e fases da doença.

Pouco se sabe acerca das causas do cancro nas crianças e adolescentes, mas pouco se investe na sua investigação. A Fundação Rui Osório de Castro quer que esta realidade mude pela sua importância para melhorar a qualidade de vida das crianças durante e pós tratamento. Apesar de cerca de 80% sobreviver, 2/3 destas vivem com sequelas para o resto da vida. É fundamental que se investigue mais nesta área. Tendo em conta o número reduzido de casos de cada tipo de cancro pediátrico, a investigação nesta área tem de ser coordenada internacionalmente, por grupos de trabalho compostos por profissionais especialistas de vários países, para que a amostra seja significativa e para que se consiga tirar verdadeiras conclusões. Portugal tem de contribuir para a evolução do conhecimento da doença e da melhoria contínua nos cuidados prestados. Mas existe uma enorme falta de recursos não só financeiros, mas também humanos. A Fundação quer ser parte da solução pelo que se propôs a suportar o custo das apólices de seguro de responsabilidade civil profissional necessárias para que os três centros de referência em Portugal possam integrar estes estudos internacionais, e com isso permitir o acesso e a participação das crianças portuguesas a estes tratamentos inovadores.

Ainda com o foco na melhoria dos cuidados, a Fundação atribui anualmente, já desde 2017, o Prémio Rui Osório de Castro / Millennium BCP, não limitado a investigação, tem como objetivo de permitir o desenvolvimento de projetos, estudos e iniciativas inovadoras nesta área.